Quatro de abril, sábado...
Foi
ao hospital e tirou a sonda, usou saias estes três dias, pois facilitava o
manejo com a sonda, que o incomodava muito... Brincava muito com isso, dizendo
ser um escocês.
Passou
a usar fraldas, mas encarou de boa... Dizia que era uma cueca descartável...
Fiz
a barba e o cabelo do meu pai, ao som do Barbeiro de Sevilha, do Rossini
("largo al factotum"). Usei a sua navalha. Lembrei-me de todas as
vezes que o vi no trato "dia sim, dia não" com a tarefa de
barbear-se... Espuma, navalha e loção. Saía do banheiro com aquele cheirinho
que até hoje eu tenho na memória, de "pai barbeado" e, mesmo usando
produtos idênticos, não consigo resultado parecido em mim (o perfume fica
diferente no meu rosto). Deve ser coisa de pele...
Ele
sempre gostou de ir à barbearia, no caso para cortar o cabelo... Inclusive, o
seu último corte foi feito por mim, na régua, milimetricamente aparando o seu
"caramanchão".
Sempre
frequentou o mesmo salão, ali na estação, onde dois barbeiros dividiam
cadeira... Era lá que sabia de todas as fofocas e novidades em primeira mão...
Era onde se informava também quem ainda estava vivo ou já havia "deixado
de fumar".
Uma
vez, não faz muito tempo, precisei dar uma aparada na minha barba e perguntei
para El Cid, qual dos dois barbeiros era melhor procurar, lá no salão. Ele não
pensou duas vezes: "o Zé".
Eu
quis saber o porquê da indicação.
-
O Zé tem a mão mais firme, pois é mais novo. O Alcides tem oitenta e seis
anos...
Daí,
aliviado, agradeci e, só por curiosidade, perguntei para o meu pai, a idade do
Zé.
-
Oitenta e quatro!!!
De
fato, me passou mais segurança...
Via Franca
sábado, 4 de julho de 2020
Quarentena - 4º dia
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