Via Franca

Via Franca

sábado, 25 de julho de 2020

Quarentena - 25º dia


                Vinte e cinco de abril... Sábado...

                Vendo-o adoçar o café com “meio quilo” de açúcar, brinquei que ele tomava “açúcar com café”.

                El Cid amava qualquer coisa açucarada.

                Então, combinamos com a minha mãe de fazer algumas sobremesas para suavizar o começo entediante desse dia de descanso. Decidimos pelo feitio de doces de mamão e laranja, pois era o que tínhamos trazido da nossa chácara, no último final de semana.

                Quem iniciou o processo foi o meu pai. Sorriso no rosto, contando histórias de um dos principais prazeres dele, que é a degustação de doces caseiros. A minha mãe é uma doceira de mão cheia, uma Cora Coralina, alquimista de sabores e texturas... Sorte nossa.

                Primeiro a laranja da terra, que dá mais trabalho... Rala a casca, coloca num recipiente com água, que é trocada diariamente por quase uma semana... Só depois a cozinha e faz a calda. Por isso, só experimentamos essa iguaria depois de alguns dias.

                Já o doce de mamão leva menos tempo.

                Praticamente, uma “espera de fervura”...
                Meu pai descascava a fruta ainda verde, dentro de uma bacia com água para que o “leite” que ele solta não lhe dê alergia e vai direto para o tacho no fogão, cozinhando mais rápido. A calda é feita com a própria água do seu cozimento, com acréscimo generoso de açúcar, com medida feita “à olho” pela minha mãe. O ponto, até chegar no macio esperado é testado espetando um garfo na fruta.

                A matéria prima sempre saiu da nossa pequena propriedade na cidade de Cristais Paulista. Tudo o que era plantado, lá, tinha potencial para ser adicionado açúcar e virar companhia para um queijinho mineiro “meia cura”.
                O grande barato é que ele adorava dizer que tinha feito o doce, ou então soltar o "foi nós que fizemos", mesmo que só tenha participado na hora de mexer a mistura...

                Em tempos antanhos, eu chegava, entrava em casa e ele já me lembrava: "tem doce disso ou daquilo no freezer... Foi nós que fizemos". A minha mãe só balançava a cabeça e dava risada.
                O barato é que ele não era obeso, tinha uma massa de gordura magra invejável e uma saúde de ferro. Achávamos que ele seria o representante da família que passaria dos cem anos.

                Mas...




Nenhum comentário:

Postar um comentário