Vinte e cinco de abril...
Sábado...
Vendo-o adoçar o café com “meio
quilo” de açúcar, brinquei que ele tomava “açúcar com café”.
El Cid amava qualquer coisa
açucarada.
Então, combinamos com a minha mãe
de fazer algumas sobremesas para suavizar o começo entediante desse dia de
descanso. Decidimos pelo feitio de doces de mamão e laranja, pois era o que
tínhamos trazido da nossa chácara, no último final de semana.
Quem iniciou o processo foi o meu
pai. Sorriso no rosto, contando histórias de um dos principais prazeres dele,
que é a degustação de doces caseiros. A minha mãe é uma doceira de mão cheia,
uma Cora Coralina, alquimista de sabores e texturas... Sorte nossa.
Primeiro a laranja da terra, que
dá mais trabalho... Rala a casca, coloca num recipiente com água, que é trocada
diariamente por quase uma semana... Só depois a cozinha e faz a calda. Por
isso, só experimentamos essa iguaria depois de alguns dias.
Já o doce de mamão leva menos
tempo.
Praticamente, uma “espera de
fervura”...
Meu
pai descascava a fruta ainda verde, dentro de uma bacia com água para que o “leite”
que ele solta não lhe dê alergia e vai direto para o tacho no fogão, cozinhando
mais rápido. A calda é feita com a própria água do seu cozimento, com acréscimo
generoso de açúcar, com medida feita “à olho” pela minha mãe. O ponto, até
chegar no macio esperado é testado espetando um garfo na fruta.
A matéria prima sempre saiu da
nossa pequena propriedade na cidade de Cristais Paulista. Tudo o que era plantado,
lá, tinha potencial para ser adicionado açúcar e virar companhia para um
queijinho mineiro “meia cura”.
O
grande barato é que ele adorava dizer que tinha feito o doce, ou então soltar o
"foi nós que fizemos", mesmo que só tenha participado na hora de
mexer a mistura...
Em tempos antanhos, eu chegava,
entrava em casa e ele já me lembrava: "tem doce disso ou daquilo no
freezer... Foi nós que fizemos". A minha mãe só balançava a cabeça e dava
risada.
O
barato é que ele não era obeso, tinha uma massa de gordura magra invejável e
uma saúde de ferro. Achávamos que ele seria o representante da família que
passaria dos cem anos.
Mas...

Nenhum comentário:
Postar um comentário