Primeiro de maio...
Sexta-feira...
Mais
exames e a mesma rotina, a qual ele já estava bem acostumado. Era uma alegria
acordar e ir até o quarto de El Cid para ajudá-lo a levantar-se... Às vezes, eu
ouvia um "filho, dormi a noite toda" ou um "filho, não dormi
quase nada"... A partir da primeira fase dele, eu já sabia o que fazer
para deixá-lo mais motivado para as ações do dia.
Muitas
vezes, após a saída da cama e o longo tempo que despendia no banheiro (boa
parte do tempo gastava penteando a lisa e rala cabeleira) era o suficiente para
eu cortar a fatia de mamão formosa que ele comia toda manhã, passar o café e
iniciar a preparação da vitamina de frutas com aveia que complementava o desjejum
de todos nós.
Era
gostoso ouvir na boca dele o "Vaninho", que me apelida (um cabra
velho, com quase dois metros de altura e mais de cento e dez quilos, sendo
tratado no diminutivo é muito estranho)... Até hoje, quando escuto esta forma
carinhosa de referência, sei que é parente ou amigo lá de Franca... Todos os
outros, me tratam pelo meu nome mesmo: Evanir.
Inclusive,
esta foi sempre uma questão mal resolvida com o meu pai... A escolha do meu
nome. Segundo a minha mãe, deveria ter sido Eduardo, mas pelo meu velho ter um
amigo de infância que se chamava Evanir e todos o tratavam carinhosamente por
"Vaninho" (que o meu pai achava "o máximo"), fui batizado
como tal...
As minhas irmãs tiveram
"mais sorte" e receberam nomes comuns, Eliane e Érica: tudo bem que a
nossa caçulinha recebeu um "K" no seu nome original que lhe rendeu
alguns problemas no período da alfabetização escolar que logo foi trocado pelo
"C" do português sem estrangeirismos...
Em
boa parte da minha vida, ou melhor, confesso, até hoje, fico muito incomodado
quando alguém me anuncia como mulher... Entendo que a terminação "ir"
refere-se mais ao feminino, mas em muitos casos poderia ter sido evitada.
Imaginem, uma sala de espera de
exames lotada, chega uma enfermeira com a ficha na mão e chama a
"senhora" Evanir Penna... Levanta um caboclo barbudo de mais de um
metro e noventa e barriga na mesma proporção... Todos entreolham-se e muitos,
não seguram o sorrisinho maroto. O meu constrangimento só não é maior que o da
moça que me chamou. Numa ocasião, foi pior, quando a recepcionista me viu sair
da cadeira e perguntou "a senhora Evanir não está contigo, foi ao banheiro?"
Na
adolescência eu era sacaneado diariamente pelos meus amigos, por conta de uma
butique que tinha o nome de "Lojinha da Evanir" (com uma florzinha no
lugar do pingo da letra "i"). Os caras até mudavam o caminho, só para
passarem em frente a ela e me "homenagearem". Até hoje, quando faço um trajeto que passa
pelo antigo local, dou risada (já começo a lembrar ainda no muro do EETC, antes
de virar a rua).
Num aplicativo do IBGE, vi que
cerca de 10 mil pessoas têm o meu nome, no Brasil, sendo 80 por cento mulheres.
A média de idade dos brasileiros (mais brasileiras) chamados Evanir é de 57
anos.
Eu
sempre brinquei com ele que ter me colocado este nome foi uma grande troça,
pois ter sido registrado como Edercides também lá não deveria ter sido tão
fácil...
Sempre ouvíamos as variações
sobre o nome, sendo algumas delas bem surreais: Ederleide, Ederclides,
Delcides, Ederclives,etc e tal... Nos divertíamos com isso. Fico imaginado como
sairia escrito no copo de café da Starbucks... Mas, o seu apelido, Cid, caía
bem.
O meu avô Elpídio, era criativo
para nomes, pois o meu tio, irmão do meu pai, chamava-se Erundward... Viu, diferente,
né!?
No site que descrevi quatro
parágrafos acima, tentei achar as identificações do meu pai e do meu tio, mas
não aparecem, com justificativa que somente têm registro nele, se tiverem mais
de 20 pessoas com a mesma denominação. Será que são únicos? Fiquei com essa
dúvida.
Então,
tá justificado. Tinha que ser Evanir mesmo e pronto. Com um "p" no
Batista (Baptista) e dois enes no Pena (Penna)... Massa demais.
E
assim, modelou-se uma identidade.







