Vinte três de abril...
Quinta-feira...
Nesse dia, eu e a minha irmã
Eliane, fomos sozinhos até um oncologista levar os exames dele para uma
avaliação mais criteriosa.
A consulta foi paga à parte, fora
do plano de saúde.
Estávamos
ainda sem saber, exatamente, a extensão da doença do nosso pai. Muitos médicos
passavam prognósticos próximos, mas sem uma unanimidade de tratamento...
Carecia
saber também a origem do tumor para executar ações mais efetivas.
Nessa clínica também havia um
médico radiologista que consultaríamos para um tratamento.
Até o que vou escrever agora, me
deixa com um aperto no peito.
Entramos na sala do médico,
esperançosos, e ouvimos o que jamais gostaríamos.
O caso dele era gravíssimo e
pelos exames que apresentamos ao doutor, não seria fácil saber a origem do
tumor, que já apresentava uma metástase pelo corpo do nosso velhinho, atingindo
vários órgãos e tecidos.
Tinha uma expectativa de apenas
mais seis meses de vida, se fôssemos bem otimistas.
Aquilo acabou conosco.
Como escrevi em diversos
momentos, sabíamos da gravidade da situação, mas ouvir que o fim era próximo,
foi terrível.
A Eliane e eu choramos juntos, do
consultório até chegar no quarteirão de casa.
Depois oramos, pedimos muita
força a Deus e decidimos continuar seguindo, sublimando a vida, já que a
finitude estava próxima. E, médicos podem errar nos seus prognósticos...
Ou,
neste caso específico, tinha por obrigação ter se equivocado.
No almoço, antes de sair de casa
com a minha irmã, El Cid havia brincado que gostaria de fazer uma festa junina,
na chácara, naquele ano, caso acontecesse o fim da pandemia... E que estaria
bom para pular a fogueira, como sempre fazia. Eu tinha esse desejo proferido
por ele, horas antes de receber o prognóstico médico e, ao mesmo tempo, nem
tinha a certeza de como seria o mês de junho, na nossa família.
Dicotomia de sentimento que me
arrasou e me consumiu por muitos dias.
As
festas juninas eram tradicionais na nossa chácara. E ele, junto com a minha
mãe, tinha muito esmero em montar tudo para celebrar os santos juninos.
Fogueira,
enfeites, luzes, quitutama engordada pelos pratos trazidos pelos convidados,
chás e quentão no fogão à lenha, o altar para o terço que era rezado
religiosamente, que contava, às vezes, até com a presença do padre da paróquia
que eles frequentavam, a quadrilha capitaneada pela minha irmã, Érica, o
foguetório, sanfoneiro e música que varava a madrugada...
Tinha ano que faltava espaço para
tanta gente.
Era um evento esperado pelos
amigos e família, mas que não fazíamos há algum tempo.
E,
naquele ano, meu pai disse que teria.
Apesar de saber que não haveria
tempo nem condições físicas sequer para o seu tratamento (ele nunca teve essa
informação), nos dias seguintes planejamos com ele, como seria o retorno do
"Arraiá dos Penna"...
Nenhum comentário:
Postar um comentário