Oito de abril... Quarta-feira...
Quando
eu estava em Franca era comum assistir junto dele, algum jogo de futebol. Não
importava a competição ou a série, pois desde que acontecesse no Brasil, víamos
qualquer coisa... Lembro que, muitas vezes, nem conhecíamos os times direito,
como, certa vez em um jogo da segunda divisão do campeonato baiano, que
assistimos até o final, com direito a escolher uma das duas equipes para
torcer... Mas, em 2020, em plena pandemia do Covid-19, os campeonatos
esportivos estavam cancelados...
Restou-nos
ver um jogo antigo, que estava repetindo num canal de esportes por
assinatura...
Ao
mesmo tempo que a TV mostrava cenas dessa velha peleja, meu pai foi contando
histórias da sua participação nas equipes de várzea da nossa cidade, a maioria
nas proximidades do bairro da Estação.
Ele guardava um certo carinho
pelo Caramuru Atlético Clube, equipe azul e branca que ajudou a fundar...
Contava que justo no ano que eles foram campeões do primeiro campeonato
varzeano de Franca, em 1959, ele estava no Rio de Janeiro, na Marinha, por isso
não jogou e nem participou da foto oficial. Desde criança, ouvi muito sobre os
seus jogos nessa agremiação, mas como não conversamos sobre a sua fundação
nesse dia, não me recordo para escrever aqui, se o nome foi uma homenagem a
Diogo Álvares Correia, náufrago que viveu entre os Tupinambás, por volta de
1510 ou se tinha alguma ligação com a fábrica de fogos de artifício.
Quando El Cid encontrava o Sétimo
Bolela (era goleiro) ou o professor Luiz Cruz rendia boas narrativas e risadas
melhores ainda. Ele também se lamentava que não tinha nenhuma recordação física
desse time, já que uma flâmula que pediu para fazer, com um indiozinho como
ilustração, foi furtada da parede do seu quarto, durante uma festa na sua
casa...
Ele também teve passagens pelo
Água Verde e Centenário, entre outros esquadrões do futebol varzeano da Franca
do Imperador.
Era um "becão de
responsa", que nunca brincava na frente dos atacantes adversários e tinha
boa habilidade na perna destra.
Gostava de dar chutes bem altos,
curtindo ver a pelota subir e descer e, num desses balões (era o nome que
dávamos a esses pontapés, que a esfera de capotão "quase tocava nas
nuvens"), a bola quicou no chão antes do atacante, o Benão, subiu com
violência, bateu no seu queixo e quebrou os seus dentes... Naquele dia, quase
apanhou dos seus companheiros...
Era bom no cabeceio, mas dizia
que raramente marcava algum gol de cabeça, pois "naquela época, os bons
zagueiros, sabiam que não podiam avançar após a linha do meio campo”...
Acho que a sua maior frustração
foi não ter tido um filho que o representasse à altura, no futebol... Apesar de
sempre jogar em times de bairro, em campinhos de terra nas proximidades da
Chácara dos Leite ou na Vila Nova, eu nunca tive destaque no "esporte
bretão".
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