Via Franca

Via Franca

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Quarentena - 8º dia

Oito de abril... Quarta-feira...
                Quando eu estava em Franca era comum assistir junto dele, algum jogo de futebol. Não importava a competição ou a série, pois desde que acontecesse no Brasil, víamos qualquer coisa... Lembro que, muitas vezes, nem conhecíamos os times direito, como, certa vez em um jogo da segunda divisão do campeonato baiano, que assistimos até o final, com direito a escolher uma das duas equipes para torcer... Mas, em 2020, em plena pandemia do Covid-19, os campeonatos esportivos estavam cancelados...
                Restou-nos ver um jogo antigo, que estava repetindo num canal de esportes por assinatura...
                Ao mesmo tempo que a TV mostrava cenas dessa velha peleja, meu pai foi contando histórias da sua participação nas equipes de várzea da nossa cidade, a maioria nas proximidades do bairro da Estação. 

                Ele guardava um certo carinho pelo Caramuru Atlético Clube, equipe azul e branca que ajudou a fundar... Contava que justo no ano que eles foram campeões do primeiro campeonato varzeano de Franca, em 1959, ele estava no Rio de Janeiro, na Marinha, por isso não jogou e nem participou da foto oficial. Desde criança, ouvi muito sobre os seus jogos nessa agremiação, mas como não conversamos sobre a sua fundação nesse dia, não me recordo para escrever aqui, se o nome foi uma homenagem a Diogo Álvares Correia, náufrago que viveu entre os Tupinambás, por volta de 1510 ou se tinha alguma ligação com a fábrica de fogos de artifício.

                Quando El Cid encontrava o Sétimo Bolela (era goleiro) ou o professor Luiz Cruz rendia boas narrativas e risadas melhores ainda. Ele também se lamentava que não tinha nenhuma recordação física desse time, já que uma flâmula que pediu para fazer, com um indiozinho como ilustração, foi furtada da parede do seu quarto, durante uma festa na sua casa... 

                Ele também teve passagens pelo Água Verde e Centenário, entre outros esquadrões do futebol varzeano da Franca do Imperador.

                Era um "becão de responsa", que nunca brincava na frente dos atacantes adversários e tinha boa habilidade na perna destra.

                Gostava de dar chutes bem altos, curtindo ver a pelota subir e descer e, num desses balões (era o nome que dávamos a esses pontapés, que a esfera de capotão "quase tocava nas nuvens"), a bola quicou no chão antes do atacante, o Benão, subiu com violência, bateu no seu queixo e quebrou os seus dentes... Naquele dia, quase apanhou dos seus companheiros...

                Era bom no cabeceio, mas dizia que raramente marcava algum gol de cabeça, pois "naquela época, os bons zagueiros, sabiam que não podiam avançar após a linha do meio campo”...

                Acho que a sua maior frustração foi não ter tido um filho que o representasse à altura, no futebol... Apesar de sempre jogar em times de bairro, em campinhos de terra nas proximidades da Chácara dos Leite ou na Vila Nova, eu nunca tive destaque no "esporte bretão".

                Não ter tido um filho boleiro (preferi me dedicar mais ao basquetebol) foi compensado pelo meu gigante interesse em sempre ouvir as suas histórias futebolísticas, valorizadas por uma memória incrível e sempre confirmadas por pessoas que a vivenciaram, em encontros fortuitos no supermercado, nos jogos da Francana no Lanchão, no Castelinho ou na feira livre..



Nenhum comentário:

Postar um comentário