Vinte e um de abril...
Terça-feira...
Meu
aniversário.
Se
não fosse a Covid-19 eu estaria passando esta data com a minha esposa, no
Peru... Por conta da pandemia, a viagem foi desmarcada e eu pude ter o
privilégio de comemorar os meus cinquenta anos ao lado da minha família e com o
meu pai...
Foi o último abraço de "feliz
aniversário" que recebi dele.
Desde criança os aniversários
eram muito simples, mas bem produzidos, com bolo e docinhos caseiros, muito
refrigerante, que na década de 1970, na minha família era um luxo, presente só aos
domingos, quando os irmãos se comportavam durante a semana, ou nesses dias de
festa, mesmo (ah, em alguns velórios também se passavam algumas bandejas com
Coca-Cola, Fanta Uva e Taí, mas só naqueles que se queria impressionar a
parentada)... Um grande barato era quando não tinha refrigerante e o meu pai
colocava bicarbonato na limonada para borbulhar e ficar parecido com Seven
Up... Como eu odiava aquilo, mas até pouco tempo atrás, El Cid dizia que o
melhor suco de limão era daquele jeito, "com borbulhas"... Vai
entender, né.
Por
toda esta lembrança, pedi que a minha mãe fizesse um bolo de laranja com fubá,
bolinhas de doce de batata doce polvilhadas com açúcar e biscoitos de polvilho que,
acompanhados de suco de goiaba, foram a matéria-prima do regabofe de “comemoração
dos meus anos” na nossa chácara (só faltou a minha esposa, que teve que ficar
em Guarulhos, por conta da pandemia).
Um lance legal do meu pai, que
sempre nos marcava muito, era a contagem de tempo, em anos, quando comemorava o
seu aniversário... Dizia que tinha um terço a menos da sua idade, justificado
pelo "tempo que ele passou dormindo", seguindo a recomendação de oito
horas de sono diário, na média. Então, quando completasse 84 anos (isso
aconteceria em setembro de 2020), faria, na sua conta, 56 anos... Este bom
humor, as respostas prontas para tudo e os comentários bem colocados, com o
objetivo de nos fazer rir, eram a sua marca... El Cid, o espirituoso.
Foi,
com certeza, a melhor festa de aniversário dos meus últimos anos. Talvez de
toda a minha vida...
A
última que passei ao lado do "seu Edercides", meu pai, o meu herói.

Nenhum comentário:
Postar um comentário