Dez de maio... Domingo...
Último dia que passei ao lado do
meu pai...
Na realidade, últimas horas, pois
eu viajei logo de manhã para encontrar a Eliane, minha esposa, que estaria me
esperando em Pirassununga... A Érica, minha irmãzinha caçula, e o Luizmar, meu
cunhado, marido da minha outra irmã que também se chama Eliane, me levariam até
ela...
Saímos de casa, por volta das
nove horas da manhã...
Tomei o café com os meus pais (o
meu último com ele), conversamos um pouco, cortei mamão para ele e fiz vitamina
de frutas, como em todas as manhãs neste período que passei lá em Franca...
No dia seguinte, El Cid iniciaria
o tratamento de radioterapia para combater a metástase na coluna, de um câncer
que nunca soubemos qual foi a sua origem...
Ele estava bem ansioso, pois
tinha esperança de voltar a caminhar sem o auxílio do andador, poder dirigir
novamente, trabalhar na chácara, ir fazer as tradicionais compras no varejão e
na feira livre, levar o Gabriel, seu neto, para jogar bola na escolinha, buscar
a Isa, outra neta, na escola, passear com a Dudinha, a caçulinha, na pracinha,
entre outras coisas...
Este domingo foi especial, pois o
dia dez de maio é o aniversário da minha mãe, o dia que fui batizado e também o
meu casamento civil, no cartório, com a Eliane... E, em 2020, era o domingo do
"Dia das Mães"... Inclusive, quando comecei a escrever estas quarenta
postagens, que chamei de "Quarentena", programei para terminá-las no
dia 09 de agosto, também um domingo, "dia dos pais"...
Pude passar quarenta dias ao lado
do meu pai, desde 01 de abril, relembrando muitas histórias, compartilhando
carinho, amor, cuidando dele e aprendendo ainda mais, com os seus ensinamentos
e lucidez... Usufrui do seu bom humor, da sua esperança, da dramaticidade de
algumas situações e da esperança, que me contaminou até o dia que recebi a
notícia, no dia vinte e um de maio, do seu falecimento (gosto de dizer que ele “encantou”)...
Fui privilegiado...
Recebi um presente de Deus, por
conseguir me despedir dele, lentamente, com toda a intensidade e saindo de
Franca com a certeza que o veria de novo...
Fiz uma imagem, já dentro do
carro, inquietado pelo olhar perdido dele, escorado no batente da porta... Havia
ganhado um beijo, um abraço demorado e um pedido carinhoso para me cuidar...
Nos despedimos com o tradicional "eu te amo", quando lhe pedi a
benção... É o último retrato dele...
Foi a última vez que o vi...
A nossa despedida...
Te amo, pai...
Te amo...


