Quinze de abril... Quarta-feira...
Esse dia foi especial.
Guardo ele na memória, pois nos encheu de esperanças.
Fui com o meu pai fazer uma tomografia no Hospital São Joaquim.
Guardo ele na memória, pois nos encheu de esperanças.
Fui com o meu pai fazer uma tomografia no Hospital São Joaquim.
Enquanto ele estava sendo preparado e aguardava o exame, vi uma grande movimentação nos corredores da ala de internação.
Enfermeiras, médicos, atendentes e alguns pacientes com enfermidades não contagiosas começaram a ocupar um dos corredores e as rampas de acesso, com bexigas coloridas, bandeiras e instrumentos musicais (incluindo alguns de percursão).
Seguiu uma cena que me faz os olhos lacrimejarem até hoje... Uma senhora com pouco mais de setenta anos, havia sido diagnosticada com o Coronavírus (os jornais do dia seguinte escreveram que tinha sido o segundo caso de Franca) e, naquele momento, recebia alta, saindo com estado de saúde normal, sentindo apenas uma compreensível fraqueza, mesmo após de dias entubada.
Enfermeiras, médicos, atendentes e alguns pacientes com enfermidades não contagiosas começaram a ocupar um dos corredores e as rampas de acesso, com bexigas coloridas, bandeiras e instrumentos musicais (incluindo alguns de percursão).
Seguiu uma cena que me faz os olhos lacrimejarem até hoje... Uma senhora com pouco mais de setenta anos, havia sido diagnosticada com o Coronavírus (os jornais do dia seguinte escreveram que tinha sido o segundo caso de Franca) e, naquele momento, recebia alta, saindo com estado de saúde normal, sentindo apenas uma compreensível fraqueza, mesmo após de dias entubada.
Foi uma festa.
Eu filmei tudo e coloquei num grupo de amigos. Minutos depois, recebi uma mensagem que um ex-inspetor de alunos do colégio que eu trabalhava, não teve a mesma sorte. Acabara de falecer, num centro médico de Guarulhos.
Aqueles dias nos traziam sempre esse dualismo, de esperança e desalento, alegria e frustração, serenidade e muita raiva com os rumos que muitos propunham naquele contexto. E, ainda era necessário preservar o meu pai e a nós, próximos dele, para evitar uma contaminação que tornaria o cotidiano impossível de ser administrado.
Óbvio que ao terminar a tomografia, eu só contei a ele a parte positiva do dia, ou seja, a recuperação de uma paciente idosa. Ele ficou bem feliz e me perguntou se eu acreditava que ele melhoraria, que voltaria a andar. Sim, eu e todos acreditávamos ser possível.
Para mim era uma certeza, já que ele sempre foi muito forte, muito perseverante. Era El Cid, o meu herói...
Um cara que viveu na Franca de antigamente, sem muito luxo e com muita criatividade.
Um cara que viveu na Franca de antigamente, sem muito luxo e com muita criatividade.
Neto de um feitor da Companhia Alta Mogiana, com tios maternos ligados ao trabalho ferroviário, muito brutalizado em proporções de máquinas e ferramentas, tendo desde a infância essa influência, brincando entre trilhos, dormentes e pátios de locomotivas. Amava tanto a rotina ferroviária, que compartilhou desde sempre comigo, essa predileção.
Um dos passeios que mais gostava de fazer conosco era ir até Ribeirão Preto de trem. Fizemos uma das últimas viagens do trecho, saindo de Franca, antes da desativação desse ramal de passageiros, em 1977. Os trens de carga ainda circularam até 1980, mas a esperança do meu pai em ter a reativação da linha férrea, caiu por terra na retirada definitiva dos trilhos em 1988.
Como alguns amigos contavam que parte do material carril foi servir como "mata-burros" e mourões de cerca em fazendas de influentes políticos da região, a sua revolta era ainda maior.
Contava que até a vida social da cidade era muito ligada à estação e aos comboios que chegavam e partiam. Um dos lugares mais frequentados pelo meu pai sempre foi a Praça da Estação, onde concentravam muitos jovens da sua época, no footing do final da tarde dos finais de semana ao som dos alto falantes do Zig Zag (sonorizado pelo seu amigo Olivar).
Os homens ficavam parados e as moças passeavam pelas alamedas, acompanhadas pelas irmãs mais velas ou pelas mães e tias.
Foi lá que conheceu a minha mãe...
Foi lá que conheceu a minha mãe...
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