Via Franca

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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Quarentena - 6º dia


Seis de abril... Segunda-feira.
                Com o meu pai, peguei gosto, na infância, por filmes épicos e "westerns", desde os americanos até os "bangue bangues a italiana"...

                Neste dia, com ele mais animado, um pouco mais fortalecido emocionalmente, começamos uma maratona de faroestes (que se estendeu por toda a quarentena), com "Sete homens e um destino" (o de 1960, é claro), "Johnny Guitar", "Por um punhado de dólares" (este assistimos uma meia dúzia de vezes), "Por uns dólares a mais", "Três homens em conflito", "Gigantes em luta", "Era uma vez no oeste" (o do Leone, de 1968), entre tantos outros...
                Ele conhecia todos os seus artistas principais, pelo nome completo e me contava parte das suas histórias e os filmes mais emblemáticos de cada um deles: Clint Eastwood, Yul Brynner, Steve McQueen, John Wayne (com o seu característico chapelão), James Stewart, Burt Lancaster, Charles Bronson, Paul Newman, Kirk Douglas, Terence Hill, Giuliano Gemma, Bud Spencer, Franco Nero, Eli Wallach, Lee Van Cleef, James Coburn, Henry Fonda, etc, etc, etc...

                Notem que lembrava dos atores, quase nunca citava as atrizes, mesmo sabendo também o nome delas de cor... Era sistemático.

                Estranho que, depois de adulto, as mensagens de machismo, racismo, xenofobia e a violência gratuita, principalmente com os indígenas americanos, dos faroestes, me incomodavam muito... Mas, sublimei tudo isso, por estes quarenta dias, para maratonar com o meu velho...

                A empolgação em cada cena de ação, os risos com as cenas mais bufas, a satisfação com a "justiça" do final de cada película, me deixava ainda mais próximo dele... Era delicioso acompanhar as reações nas diversas cenas... Parecia dialogar com os personagens, até mesmo porque a maioria das cenas estavam vivas na sua memória.
                E, naquele exercício diário, de deleite musical, ele pedia muitos temas desses westerns, geralmente na composição do Morricone, que, confesso, sempre achei o ponto alto dos clássicos... Lembro-me até de um de LP que eu tinha desde criança com os principais temas e barulhos dos bangue bangues à italiana, com a imagem do Terence Hill, no papel do hilário Trinity, na capa.

                Entre tiros e duelos, os dias foram passando, na velocidade certa...
                Pena que o mocinho nem sempre vence, no final...
                O meu herói resistiu bravamente... O quanto pôde.


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