Seis de abril... Segunda-feira.
Com
o meu pai, peguei gosto, na infância, por filmes épicos e "westerns",
desde os americanos até os "bangue bangues a italiana"...
Neste dia, com ele mais animado,
um pouco mais fortalecido emocionalmente, começamos uma maratona de faroestes
(que se estendeu por toda a quarentena), com "Sete homens e um
destino" (o de 1960, é claro), "Johnny Guitar", "Por um
punhado de dólares" (este assistimos uma meia dúzia de vezes), "Por
uns dólares a mais", "Três homens em conflito", "Gigantes
em luta", "Era uma vez no oeste" (o do Leone, de 1968), entre
tantos outros...
Ele
conhecia todos os seus artistas principais, pelo nome completo e me contava
parte das suas histórias e os filmes mais emblemáticos de cada um deles: Clint
Eastwood, Yul Brynner, Steve McQueen, John Wayne (com o seu característico
chapelão), James Stewart, Burt Lancaster, Charles Bronson, Paul Newman, Kirk
Douglas, Terence Hill, Giuliano Gemma, Bud Spencer, Franco Nero, Eli Wallach,
Lee Van Cleef, James Coburn, Henry Fonda, etc, etc, etc...
Notem que lembrava dos atores,
quase nunca citava as atrizes, mesmo sabendo também o nome delas de cor... Era
sistemático.
Estranho que, depois de adulto,
as mensagens de machismo, racismo, xenofobia e a violência gratuita,
principalmente com os indígenas americanos, dos faroestes, me incomodavam
muito... Mas, sublimei tudo isso, por estes quarenta dias, para maratonar com o
meu velho...
A empolgação em cada cena de
ação, os risos com as cenas mais bufas, a satisfação com a "justiça"
do final de cada película, me deixava ainda mais próximo dele... Era delicioso
acompanhar as reações nas diversas cenas... Parecia dialogar com os
personagens, até mesmo porque a maioria das cenas estavam vivas na sua memória.
E,
naquele exercício diário, de deleite musical, ele pedia muitos temas desses
westerns, geralmente na composição do Morricone, que, confesso, sempre achei o
ponto alto dos clássicos... Lembro-me até de um de LP que eu tinha desde
criança com os principais temas e barulhos dos bangue bangues à italiana, com a
imagem do Terence Hill, no papel do hilário Trinity, na capa.
Entre tiros e duelos, os dias
foram passando, na velocidade certa...
Pena que o mocinho nem
sempre vence, no final...
O meu herói resistiu
bravamente... O quanto pôde.

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