Dezenove de abril... Domingo...
Tradicional despertar com a
alegria dominical. O dia do descanso sempre foi especial e não era diferente
nesse atual momento do El Cid... Sempre acordava com um humor diferente do
começo da semana.
E,
no nosso desjejum, lembramos que hoje não teria futebol.
Se orgulhava de ser um
são-paulino comedido...
Sempre
torceu pela Francana, mas era tricolor do Morumbi também...
Contava
histórias divertidíssimas sobre as equipes do passado, inclusive com uma
admiração excessiva pelos estrangeiros como o Poy, o Dario, o Lugano...
Falava
também do time que fez o Santos de Pelé sair de campo (nem sei se era verdade
ou não, mas era surreal a história) e quando foi assistir um jogo em Ribeirão
Preto contra o Botafogo, no Estádio Santa Cruz... Falava muito do Leônidas
também.
Lembramos
do dia que levei ele no Morumbi, pegando um ônibus circular na Praça das
Bandeiras, repleto de torcedores arruaceiros, que iam xingando todos que
encontravam pelas ruas. Já dentro do estádio, ocupamos um setor que estava bem
vazio e curtimos muito isso, até a chegada da torcida Independente que entrou
por um dos portões, se movimentando com cânticos de guerra tomando a
arquibancada bem no lugar que nos sentamos. Mesmo sem querer, saímos para outro
espaço, já que afinadamente eles cantavam "pode vir todo mundo, eu não
temo ninguém, sou Independente, mato um, mato cem" e, por isso,
acreditamos que não conseguiríamos os convencer em nos deixar ali... Vimos um
empate sem graça contra a Lusa (o nosso ponta direita era o folclórico Mário
Tilico) e no final do jogo ele levou uma "copada" de cerveja nas
costas, saindo muito irritado, me pedindo para nunca mais convidá-lo a ir para
o Morumbi... E, nunca mais voltou mesmo.
A
sua mais fiel seguidora é a minha irmã caçula, a Érica, são-paulina fanática,
que vivia discutindo futebol com ele e se irritava muito facilmente com as
características negativistas de El Cid. Inclusive, quando havia jogos do
"mais querido" aos domingos, ela ligava a TV lá na chácara e o meu
pai sem paciência para assistir o "quebra canelas" saía para fazer
alguma coisa, mesmo sem importância, pelos arredores da casa. Quando acontecia
um gol, ela ia correndo avisá-lo, mas tinha todo um ritual... A Érica gritava,
"goool, pai" e ele sempre achava que era do adversário... Era
hilário, pois quando o tento anotado era do tricolaço, vinha um praguejado por
parte dele: "pode ter certeza que daqui a pouco eles empatam"...
Isso, eu herdei do seu Edercides,
a descrença em relação ao São Paulo F. C., que nos deu tantas glórias nas
décadas de 80 e 90, mas que nos últimos anos fez até o Gabrielzinho, netinho dele,
pensar em ser palmeirense... Seria uma repetição de um fato bem interessante,
pois antes de ser são-paulino, quando criança, eu torci para o Vasco da Gama e,
posteriormente, para o Palmeiras. E ele, sempre compreensivo e generoso nas
ações, até me presenteara com uma camisa alviverde, afinal de contas, era
"só futebol". Essa tolerância toda só não valeria se eu trocasse a
Francana por algum time de Ribeirão Preto. Aí “o bicho pegaria”...
PS.:
este texto estou escrevendo no dia que ele comemoraria 51 anos de casamento com
a minha mãe (19 de julho).
Data especial.
Saudades eternas.

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