Via Franca

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domingo, 9 de agosto de 2020

Quarentena - 40º dia


 Dez de maio... Domingo...

Último dia que passei ao lado do meu pai... Na realidade, últimas horas, pois eu viajei logo de manhã para encontrar a Eliane, minha esposa, que estaria me esperando em Pirassununga. A Érica, minha irmãzinha caçula, e o Luizmar, meu cunhado, marido da minha outra irmã que também se chama Eliane, me levariam até ela. Saímos de casa, por volta das nove horas da manhã. Tomei o café com os meus pais (o meu último com ele), conversamos um pouco, cortei mamão para ele e fiz vitamina de frutas, como em todas as manhãs neste período que passei lá em Franca. No dia seguinte, El Cid iniciaria o tratamento de radioterapia para combater a metástase na coluna, de um câncer que nunca soubemos qual foi a sua origem. Ele estava bem ansioso, pois tinha esperança de voltar a andar sem o auxílio do andador, poder dirigir novamente, trabalhar na chácara, ir fazer as tradicionais compras no varejão e na feira, levar o Gabriel, seu netinho, para jogar bola na escolinha, buscar a Isa, outra netinha, na escola, passear com a Dudinha, a caçulinha, na pracinha, entre outras coisas.

Este domingo foi especial, pois o dia dez de maio é o aniversário da minha mãe, o dia que fui batizado e também o meu casamento no civil, com a Eliane. E, em 2020, era o domingo do "Dia das Mães"... Inclusive, quando comecei a escrever estas quarenta postagens, que chamei de "Quarentena", programei para terminá-la hoje, dia 09 de agosto, também um domingo, "Dia dos pais".

Pude passar quarenta dias ao lado do meu pai, desde o dia 01 de abril, relembrando muitas histórias, compartilhando carinho, amor, cuidando dele e aprendendo ainda mais, com os seus ensinamentos e lucidez... Usufrui do seu bom humor, da sua esperança, da dramaticidade de algumas situações e da esperança, que me contaminou até o dia que recebi a notícia, no dia vinte e um de maio, do seu falecimento.

Fui privilegiado... Recebi um presente de Deus, por conseguir me despedir dele, lentamente, com toda a intensidade e saindo de Franca com a certeza que o veria de novo.

Na imagem que postei (desculpe-me, mamãe, por colocá-la de pijama na postagem, rsrs), eu já estava dentro do carro, me despedindo deles... Já tinha ganhado um beijo, um abraço demorado e um pedido carinhoso para me cuidar... Nos despedimos com o tradicional "eu te amo", quando lhe pedi a benção... É a última foto dele... 

Foi a última vez que o vi... Foi a nossa despedida...

Te amo, pai. Te amo...



 


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