Via Franca

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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Gilda Brasileiro - contra o esquecimento

A imagem pode conter: casa, árvore, céu, atividades ao ar livre e natureza


Hoje, às 19h30 e sábado, dia 22/06 às 17h no Instituto Moreira Salles da Avenida Paulista haverá a exibição do filme "Gilda Brasileiro- contra o esquecimento" dos cineastas Roberto Manhães Reis e Viola Scheuerer.
Ele retrata a pesquisa da professora carioca Gilda Brasileiro que, ao mudar para a pequena cidade de Salesópolis, se encontra diante de histórias pouco contadas de um passado peculiar da região: a de possuir uma rota clandestina de escravizados africanos com destino à fazendas principalmente do Vale do Paraíba paulista. apesar da região possuir documentos relevantes, não havia muito interesse em vasculhar este período da localidade.
Na sessão de hoje haverá um bate papo com a pesquisadora e com o diretor, além de uma visita à exposição do Marc Ferrez, que ajudou o seu olhar para a finalização do projeto, em 2018.
Os ingressos custam entre R$ 4,00 e R$ 8,00 e podem ser adquiridos até o início da sessão no próprio local.
Para mim é particularmente muito interessante, pois acompanho muitos grupos de alunos na região para visitar uma das nascentes do Rio Tietê e sempre almoçamos no Restaurante Senzala, onde fica o casarão que ilustra o post e que também se relaciona diretamente ao tema do filme.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Filme "O Tradutor"


Ontem assisti lá no Reserva Cultural o filme cubano/canadense "O Tradutor", protagonizado pelo Rodrigo Santoro.
Confesso que fui surpreendido pelo enredo, baseado na história verídica do pai dos seus diretores (os irmãos cubanos Rodrigo e Sebastian Barriuso) que viveu em uma Cuba pré-queda do Muro de Berlim, onde havia fartura e segurança quanto ao futuro do país, amparado pela economia soviética e, posteriormente, o colapso provocado pelo fim a ajuda daquele país à economia cubana. Isso, me encantou muito, pois além de uma história forte e muito sensível (o tema principal mexeu muito comigo), os diretores também usaram a película para retratar um pouco do passado do seu país, não só dos seus pais (não resisti a este trocadilho).
Poderia escrever dezenas de linhas sobre a fotografia, a música, a bela interpretação dos seus atores (não só os protagonistas), mas encerro os meus comentários por aqui. Assistam...
Sinopse: um professor cubano de literatura russa, Malin, vê a sua vida transformada ao ser designado como tradutor na ala infantil de um hospital em Havana. Ele deve servir de intérprete entre os médicos e as vítimas do acidente nuclear de Chernobil, recém chegados a Cuba para tratamento.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

"Tchau, querida"

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Hoje, dia 17 de abril (às 19h), o Centro Cultural Maria Antônia exibe o filme "Tchau, querida" produzido pelos Jornalistas Livres, marcando os três anos do golpe de 2016. Após a exibição, haverá um debate com a presença dos diretores (o documentarista Gustavo Aranda e o jornalista Vinicius Segalla) e convidados.
"Tchau, querida" retrata os quatro dias retrata os quatro dias de votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, do ponto de vista dos movimentos sociais e dos cidadãos comuns que se deslocaram para Brasília para acompanhar este momento da história política brasileira. Os acampamentos , as manifestações, as ideologias, a votação, o papel da imprensa, as cores e os símbolos de cada lado revelam a polarização política presente na época e os primeiros sinais de um discurso conservador que chegaria ao poder dois anos depois.
Centro Cultural Maria Antônia - sala Carlos Reichenbach, hoje, às 19h. Grátis.
Rua Maria Antônia, 258/294 - Vila Buarque - São Paulo (SP), próximo à estação Higienópolis-Mackenzie da linha amarela do Metrô. Fones: (11) 3123-5200 e 3123-5202.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Projeção do filme "A caixa de Pandora" ao ar livre, no Ibirapuera

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Amanhã, sabadão, dia 27 de outubro, acontece a projeção ao ar livre do filme "A caixa de Pandora" (Die Büchse der Pandora), de Georg Wilhelm Pabst, de 1928. A exibição faz parte da programação da 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e terá acompanhamento musical executado ao vivo pela Orquestra Jazz Sinfônica, com a regência do maestro Fábio Prado. A trilha sonora que será executada foi criada em 1997 pelo compositor alemão Peer Raben.
O início está previsto para às 19h30, na parede do Auditório Ibirapuera - Oscar Niemeyer. Ah, é grátis...
Este clássico do cinema mudo consagrou a atriz Louise Brooks no cinema. Ela interpreta a dançarina Lulu que se envolve com o dr. Schön, um rico dono de jornal, que está de casamento marcado. Mas, a sua noiva descobre o romance e termina o relacionamento, deixando-o livre para assumir o compromisso e casar-se com Lulu. Depois de uma cena de ciúme, em legítima defesa ela mata o marido e foge com o seu filho, Alwa (também apaixonado por ela). A partir daí, os dois se envolvem em um jogo de sedução, fugas e exploração sexual.
O Parque do Ibirapuera fica na Av. República do Líbano, 331 e é bem servido por várias linhas de ônibus e possui estacionamento (área azul). Quando vou de metrô, desço na estação Vila Mariana e sigo por uns vinte minutos a pé, até chegar no parque.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Os dez filmes mais significativos para mim

Gosto destas listas tipo "os dez mais" alguma coisa. Sempre que vejo alguma matéria sobre isso, procuro afinidades. Mesmo sabendo que é muito pessoal e subjetivo, gosto... Então, resolvi fazer as minhas. Vou começar pelo cinema. Bom, como vejo filmes desde a mais tenra idade, poderia listar uns cem, mas vou tentar colocar os dez que mais mexeram comigo, que mais me impressionaram.
Quem é mais próximo de mim, sabe que não tenho uma memória muito legal para isso (inclusive, sou capaz de assistir um filme pela segunda vez, sem lembrar nada dele). Por isso, vou colocar os dez que mais me marcaram e QUE ME LEMBRO TOTALMENTE DE CENAS, MÚSICAS E DIÁLOGOS, rsrs...
Volto a repetir, sei que é subjetivo, mas vou cair nesta tentação de desagradar a muitos, rsrs.
Não hierarquizei a lista, mas tenho que começar pelo filme que mais me impressionou na vida: "Fitzcarraldo". Um alemão expressionista do diretor Werner Herzog que narra a história de um visionário germânico, fã do Caruso, que sonha em ficar rico com a exploração da borracha na Amazônia e construir um teatro de óperas em Iquitos, no Peru, nos moldes do Teatro Amazonas que fica em Manaus.
Puro realismo fantátsico... Magia na forma de filme, com um Klaus Kinski genial (e genioso também, rsrs).

O segundo que merece estar nesta lista é "Hair" que assisti também na forma de espetáculo teatral. Lançado no final da década de 70, destacando a vida de algumas pessoas de Nova Iorque durante a Guerra do Vietnã (que havia terminado alguns anos antes do seu lançamento), me marcou muito mais pelas músicas, é claro, mas, o inusitado da história mexe comigo até hoje... De Milus Forman, que recebeu muitas críticas na época pela sua adaptação da peça de mesmo nome, mas que me encantou... Todos vão lembrar de Aquarius, por isso vou colocar aqui Let the Sunshine, que no final até hoje me faz os olhos marejarem, com aquele ideal da cultura pacifista e da união...

Sigo com um brasileiro que representa o retrato da minha infância e do meu cerne. Se quer saber quem sou, assista "A Marvada Carne". Dirigido pelo André Klotzel e estrelado pela Fernanda Torres e Adilson Barros, de 1985,  narra de maneira bem simples a história da fome com a vontade de comer, rsrs, ou melhor da moça que sonha em casar e de um matuto que quer comer carne de boi... Meu universo caipira, de histórias e crendices, arrolado de maneira simplória e divertida!
Inclusive, como ilustração, coloco uma cena com o Curupira... Incrível.

O quarto filme que faço questão de colocar nesta lista é outro tupiniquim: "Cidade de Deus". Não consigo explicar bem, mas sempre que o revejo, fico "meio bolado". Nem preciso escrever muito, pois ele já foi muito repetido, virou minissérie, etc e tal, mas me marcou muito, pois a temática social sempre me atraiu no cinema. De 2002, dirigido pelo Fernando Meirelles (que respeito muito) retrata a evolução do crime organizado no Rio de Janeiro, desde a década de 1960.
"O casamento silencioso" entra também nestas lembranças. Romeno, de 2008, de Horatiu Holaele, mistura humor, realismo mágico e um drama surreal... Como fazer um casamento, com música, comida farta e muita alegria, justo no período da morte de um ditador socialista sanguinário? Assista e tire as suas conclusões... Saí do Reserva Cultural, lá na Paulista, com as pernas bambas e um nó na garganta.

Outro que merece entrar nesta lista bem pessoal é o japonês "A partida", de 2009, dirigido por Yojiro Takita. Mágico, muito leve e extremamente delicado, me fez repensar todas as verdades que tinha das relações com a minha família. Com música do fantástico Joe Hisaishi, mostra a volta de um jovem músico desempregado para a sua terra natal, um emprego inusitado e a beleza dos rituais de uma cultura bem tradicional...

Como sétima lembrança, um Buster Keaton, genial ou melhor general, (trocadilho horrível, rsrs)... "A General", de 1926, mostra os dois amores de um maquinista, durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Dirigido e estrelado pelo ator norte americano que nunca sorria, rival de Chaplin e que fora criado no vaudevile do final do século XIX é para mim um dos grandes filmes deste período. Neste caso, esta película me remete muito mais às lembranças de infância onde ouvia o meu pai contar com exagero os grandes feitos do Buster Keaton como ator que mantinha a sua feição impassível, independente da cena, se trágica ou hilária e que fazia pessoalmente, sem uso de dublês, todas as passagens filmadas (nem sei se isso é verdade mesmo, rsrs). Por isso, tem que entrar como um dos filmes que mais me marcaram...

Outro brasileiro que fica fácil aqui é "Narradores de Javé", de 2004, de Eliane Café, com os geniais José Dumont, Gero Camilo e Nelson Xavier. Eu amo o cinema nacional, então daria uma lista só com ele, mas como disse logo no começo a proposta é colocar filmes que me marcaram, independente da sua qualidade ou importância histórica.
Aqui, um pária é convocado para tentar salvar a pequena Javé das águas de uma futura hidrelétrica, mas o "exímio escritor" não chega a ser uma das pessoas mais queridas da vila, não, rsrs... Asssisto milhões de vezes novamente...

Como penúltimo destaque, vem um dos irmãos Cohen, "Onde os fracos não tem vez" (2008) com a interpretação do Javier Barden de um dos serial killers que mais me impressionaram na história do cinema, Anton Chigurh. Pode ser estranho colocar este filme numa lista de títulos que mais me marcaram, mas entendam que é algo bem pessoal. Fiquei dias seguidos pensando nestes lances da psiqué e da obscura "maldade natural humana" (que não acreditava existir até ser convencido por longas conversas com o meu amigo vigário, Rodrigo Pires). Me prontifiquei a não ser mais fraco, a partir daí...

E para fechar, um chileno que me tirou o chão ao sair do cinema... Pedofilia, religiosidade, hipocrisia social são assuntos que discutimos profundamente sempre que aparecem nas rodas de conversa, mas ver tudo jogado de maneira direta na minha cara, num filme escuro e real, me deixou bem marcado... "O Clube" fez isso comigo... De 2015, do mesmo diretor de outro que estaria aqui tranquilamente (No), Pablo Larrain, mostra quatro religiosos reclusos (exilados mesmo) em uma casa bem escondida num pequeno vilarejo praiano do sul do Chile que tem suas rotinas transformadas quando chega um outro missionário para mexer nas suas feridas... Tema delicado!!!

Não tive como resistir e colocar um décimo primeiro filme, que me lembrei só agora: "Batismo de sangue"... Li o livro (do Frei Betto), por isso o filme me marcou muito... De 2007 (dirigido por Helvécio Ratton), mostra a trajetória de cinco frades que se engajaram na luta contra a ditadura militar no Brasil na década de 60. Pelos dias atuais me lembrarem tanto a trajetória do golpe, fiz questão de adicionar este "bônus track", rsrs...

Sei que entrariam outras dezenas e talvez eu até acrescente mais coisas aqui, mas concluo esta lista bem pessoal e me entrego às duras críticas dos especialistas e conhecedores da sétima arte, rsrs...

domingo, 6 de março de 2016

Filme: "Filho de Saul"

Neste final de semana fui conferir o longa "Filho de Saul" (Saul Fia), no Reserva Cultural (além deste cinema também aparece em cartaz no Espaço Itaú Augusta e no Caixa Belas Artes, todos na cidade de São Paulo).
Premiado e sucesso de crítica não me decepcionou. Com a sua tomada sui generis, parecendo a todo momento que vemos a cena sob a perspectiva da personagem central (quase uma selfie) deixa a imagem já monstruosa da Segunda Guerra Mundial, ainda mais dolorosa. Inclusive, a câmera só se afasta dele na cena inicial e no final do filme.
Um judeu trabalha em um campo de concentração nazista como sonderkommando (um trabalhador judeu recrutado e separado dos demais que fazia serviços para os alemães e que depois seria também executado), ajudando na limpeza das câmaras de gás e na retirada dos corpos das execuções dos alemães, até que entre um deles encontra o de um garoto.
A partir daí, o filme se desenrola na sua tentativa insana de dar um enterro digno ao garoto, dentro das tradições judaicas.
É impressionante o semblante do protagonista durante todo o filme, com uma ligeira mudança apenas no seu final.
Impossível sair do cinema sem se indignar com as atrocidades e horrores causados pelos seres humanos contra a sua própria espécie.
Sinceramente, assistindo a reações e situações que ultimamente tem acontecido no nosso país e no mundo, mais o que tenho visto nas redes sociais (com os comentários raivosos de uma parcela de internautas), sequer me dá a esperança que estes horrores da Segunda Guerra Mundial estejam restritos a uma história que passou e que nunca mais se repetirá.
O passado deveria servir de exemplo para nos lembrar do quanto cruel e traiçoeiro é o ser humano. O quanto mal ele pode causar em nome do conceito de superioridade étnica e religiosa.
Que continuemos lutando contra tudo o que nos separa e divide. Contra tudo o que nos deixa ainda mais distantes economicamente e socialmente. Isso sim gera as guerras e as suas atrocidades. E o nosso país não está livre deste mal, pois ódio há de sobra na nossa população.
"A crueldade está em todos nós..."

Serviço:
"Filho de Saul"
2015 - Drama - 1h47 de duração.

Sinopse
Outubro de 1944, Auschwitz-Birkenau. Saul Ausländer é um membro húngaro do Sonderkommando, o grupo de prisioneiros judeus isolados no campo e forçados a assistir aos nazistas com sua máquina de extermínio de larga escala. Enquanto trabalhava em um dos crematórios, Saul descobre o corpo de um menino que ele assume como sendo o de seu filho. Enquanto o Sonderkommando planeja uma rebelião, Saul decide realizar uma tarefa impossível: salvar o corpo do menino das chamas, encontrar um rabino para recitar o Kadish dos Enlutados e dar ao menino um enterro digno.
Direção: László Nemes
Elenco: Géza Röhrig, Levente Molnár, Urs Rechn, Sándor Zsótér, Christian Harting.
Oscar de melhor filme estrangeiro.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

"Spotilight - Segredos Revelados" e o jornalismo verdadeiro

Ontem assisti o filme "Spotilight - Segredos Revelados" e saí do cinema bem indignado...
Apesar do tema da película já ter motivo suficiente para isso, pois trata da pedofilia de padres católicos na tradicional diocese de Boston, nos Estados Unidos (acho que o tema ficou mais chocante no chileno "O Clube"), confesso que o que me fez mais pensar foi a questão do quanto é importante para um país democrático, o jornalismo independente e investigativo.
A história do filme é verídica e bem conhecida, pois resultou em vários processos contra a igreja nos Estados Unidos, já que trata de jornalistas que mesmo com a pressão de pessoas ligadas à Igreja Católica na conservadora cidade de Boston, investigaram casos de pedofilia e denunciaram não só o abuso dos padres como também a omissão da instituição religiosa em coibi-los (o cardeal da cidade foi o principal acusado da negligência da igreja em coibir os casos citados). Um dos editores do jornal durante o processo de investigação dos jornalistas lembrou que 53% dos assinantes do jornal eram católicos e não poderiam receber muito bem a matéria, mas mesmo assim levaram a cabo a tarefa.

Desde adolescente, leio jornais e me lembro da expectativa que tínhamos lá em Franca (eu e as minhas irmãs), em esperar a chegada da "Folha de São Paulo" que o meu pai trazia às seis horas da tarde (ele pegava o jornal da empresa em que trabalhava, depois que todos já o haviam lido), de segunda à sexta-feira... Devorávamos os vários cadernos. Eu tinha até uma sequência de leitura: começava pelo caderno de esportes (que era mais diversificado, não tratava basicamente só de futebol), ia para a Ilustrada (via primeiro os quadrinhos), depois para a parte das Cidades, seguia pelo primeiro caderno (política e "Mundo"), economia e terminava com aqueles segmentados por dia (como teen, informática, viagem, etc, etc, etc)...
Vi mudanças que ocorriam no Brasil e no mundo através da leitura do jornal... Ficava com os dedos pretos de tinta com o folhear das páginas...
Já, em São Paulo, na década de 90 comprava o jornal todos os domingos (cheguei a formar um Atlas com fascículos dominicais) e ficava emputecido quando acordava mais tarde e não o conseguia (chegava a esgotar, mesmo com tiragens de quase um milhão de exemplares)!!!!!
Uma de minhas irmãs, inclusive, queria ser jornalista... Chegou a prestar vestibular na Unesp para o curso de jornalismo, passou, foi com os meus pais para Bauru, fez a sua matrícula, conheceu o campus local, mas ao conversar com alguns professores do curso foi desestimulada a continuar (fez direito, depois, e hoje trabalha na justiça federal).
Hoje, sinto falta desta rotina e confesso que até tento folhear os jornais (Folha e Estadão) que estão sempre disponíveis em uma mesa na sala dos professores da escola que eu trabalho. Tento, mas não consigo mais...
Me deixa enojado o quanto uma parte significativa de jornalistas e grupos de mídia estão ligados a interesses de grandes grupos e o defendem abertamente, sem pudor. Não vou ser ingênuo de colocar que antes não existia isso, que o jornalismo era neutro, etc e tal, pois sei que nunca aconteceu a verdadeira liberdade de se expressar em grandes veículos de comunicação, mas ainda existiam correntes que destoavam... Lembro-me até da figura do ombusdman que criticava abertamente os excessos do próprio jornal. E hoje, este tipo de "mea-culpa" desapareceu? Ficou escondido? Por que será que os jornais não fazem mais isso? Por que publicam na sua seção de cartas (sim eu ainda leio a opinião de terceiros, rsrsrs) apenas aquelas que correspondem à "sua linha editorial"? Muitas pessoas já me disseram que mandaram emails para as redações contestando algumas publicações, discordando da opinião de certos jornalistas e nunca foram publicadas ou respondidas.
Nós precisamos, urgentemente da mídia independente. Daquela que denuncia TODAS as falcatruas e desmandos do poder político (e não apenas de um partido que já está afundado em corrupção)... Que não esconde os casos de partidos e políticos que atendem os interesses dos seus mantenedores, que não manipula a opinião da população, que corta a própria carne...
Até quando os grandes anunciantes vão continuar poupados das investigações jornalísticas?
Muitos jornalistas pagaram com a própria vida pela verdadeira democracia, pela liberdade de expressão e imprensa (ah, Herzog...). Morreram em vão??????
Fica aqui o meu protesto e meu pedido: pela volta do jornalismo independente e investigativo. E isso cabe ao jornalista, pois se depender da "pessoa jurídica", do grande grupo de comunicação, jamais haverá esta retomada...
Jornalistas, sejam rebeldes... Iniciem uma revolução na mídia brasileira... E, por favor, me proporcionem a volta do prazer de sentar no domingo de manhã e devorar um bom jornal, enquanto tomo o café da manhã (às vezes, parecia que ele tinha tinha a mesma temperatura do pãozinho, bem quentinho).
De tudo isso, ressalvo que também gostaria de ver a mídia televisiva no mesmo patamar de neutralidade, mas confesso que sei que duas vidas seriam insuficientes para tal...

PS.: aind hoje eu passo para os meus alunos aquela propaganda da Folha de São Paulo que mostra o Hitler... O lema era "é possível contar uma grande mentira só dizendo verdades"... Pois é, Folha, pois é...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

37ª Mostra de Cinema de São Paulo

Um pouco atrasado, mas mesmo assim vale a pena publicar mais uma dica muito legal para quem curte a "7ª arte": a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começou na sexta-feira, dia 18 e vai até 31 de outubro.
São mais de 370 filmes, a maioria deles inédita na cidade de São Paulo, em exibição nas seguintes salas:
CCSP - R. Vergueiro, 1.000, Liberdade, tel. 3397-4002

CEU Butantã - Av. Engenheiro Heitor Antônio Eiras Garcia, 1.700/1.820, Rio Pequeno, tel. 3732-4558

CEU Parque Bristol - Rua Professor Arthur Primavesi, s/ nº, Parque Bristol, tel. 2334-1405

Cine Espaço Granja Viana - Rod. Raposo Tavares, km 22,5, GranjaViana, tel. 2898-9625

Cine Livraria Cultura - Av. Paulista, 2.073, Cerqueira César, tel. 3285-3696

Cine Olido - Av. São João, 473, República, tel. 3331-703

Cine Sabesp - R. Fradique Coutinho, 361, Pinheiros, tel. 5096-0585

Cinemark Cidade Jardim -Av. Magalhães de Castro, 12.000, Cidade Jardim, tel. 3552-1800

Cinemateca Brasileira - Lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, tel. 3512-6111, ramal 215

Cine Sesc - R. Augusta, 2.075, Cerqueira César, tel. 3087-0500

Cinusp - R. do Anfiteatro, 181, Colmeia, favo 4, Cidade Universitária, tel. 3091-3540

Espaço Itaú Augusta - R. Augusta, 1.470/1.475, Consolação, tel. 3288-6780 (salas 1 a 3) e 3287-5590 (salas 4 e 5)

Espaço Itaú Frei Caneca - R. Frei Caneca, 569, 3º piso, Consolação, tel. 3472-2359

Espaço Itaú Pompeia - R. Turiassu, 2.100, 3º andar, Perdizes, tel. 3673-3949

Faap - R. Alagoas, 903, Higienópolis, tel. 3662-7321

Masp - Av. Paulista, 1.578, Bela Vista, tel. 3251-5644

Matilha Cultural - R. Rêgo Freitas, 542, República, tel. 3256-2636

MIS - Av. Europa, 158, Jardim Europa, tel. 2117-4777

Reserva Cultural - Av. Paulista, 900, térreo, Bela Vista, tel. 3287-3529

A central da Mostra funciona no Conjunto Nacional, situado na Av. Paulista, 2.073, Cerqueira César (na altura da Rua Augusta)funcionando todos os dias, das 10h às 21h. Mais informações pelos telefones (11) 3284-8028 e 3284-8034 ou pelo site (www.mostra.org).
Os ingressos variam de 15 a 19 reais, com direito a meia entrada e ainda podem ser adquiridos alguns pacotes para ver vários filmes.
Pelos diversos sites especializados, vários críticos fizeram listas de "filmes imperdíveis". Vale a pena ler estas matérias, ver quais as películas já foram premiadas ou aclamadas em outros festivais, fazer a sua escolha e procurar chegar com antecedência para comprar o tíquete, pois os melhores filmes tem uma procura muito grande...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Filme FlaXFlu no Museu do Futebol


Em comemoração ao "Dia Internacional do Futebol" (não sei qual o dia que se comemora isso, rsrs), o Museu do Futebol de São Paulo vai exibir o fime "FlaXFlu", com imagens históricas dos cem anos do clássico mais famoso do Brasil. Eu ainda me lembro das imagens do Canal 100 que exibia trechos dos jogos entre os dois times, antes do filme principal, lá nos cinemas de Franca (a música e a narração eram inconfundíveis).
Tem entrevistas com os principais protagonistas do clássico, como Zico, Assis, Adílio, Romário, entre outros jogadores famosos e torcedores fanáticos.
Será exibido no Auditório Armando Nogueira (jornalista já falecido que também fez crônicas maravilhosas sobre o clássico em questão), no dia 10 de outubro às 20h. Gratuito, mas com limitação de 180 pessoas, que receberão uma senha meia hora antes do início.
O museu fica no Estádio do Pacaembu, na Praça Charles Miller, S/N.







quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Lauda e Hunt, em "Rush - No Limite da Emoção"


Ontem fui assistir o filme "Rush - No Limite da Emoção", que narra a rivalidade entre os pilotos de Fórmula 1, o austríaco Niki Lauda e o inglês James Hunt (ambos campeões mundiais).
A película mostra desde um pseudo encontro entre ambos na F3 (que nunca aconteceu de fato), até o título mundial do campeonato de Fórmula 1 de 1976 (ano em que o piloto da Áustria sofreu o acidente que deixou marcas até hoje).
Era a época do automobilismo romântico e muito perigoso, característica da década de 70, período que sempre havia mortes e graves acidentes em muitas corridas (pelo menos dois pilotos morriam por temporada).
Eu sempre acompanhei as corridas, desde muito pequeno, e confesso que não vi a temporada em questão, mas como fui um fiel espectador a partir do final da década de 70 e por todas as décadas de 80 e 90, fiquei muito emocionado com o filme.
Vi rivalidades parecidas, com Piquet/Mansell e Prost/Senna, pilotos sempre com características ligadas à sua maneira agressiva e arrojada de conduzir os bólidos.
Lauda, o matemático, calculista e magnífico piloto era uma figura oposta ao descontraído, galã e fanfarrão Hunt (rapidíssimo, por sinal), fato que criou uma atmosfera de romance no filme, mas que foi bem real (claro que há alguns trechos que predomina uma certa "licença poética", alterando alguns fatos, mas que não compromete a realidade).
Ver uma prova de F1 hoje, com toda a tecnologia dos carros não se compara com o que era acompanhar os campeonatos das décadas de 70 e 80 (eles atingiam quase 300 km/h, já naquele período), o que faz muitas pessoas colocarem os pilotos atuais em um patamar inferior aos daquele período. Fato que eu discordo, pois um Vettel, um Alonso ou o próprio Michael Schumacher seriam super competitivos em qualquer fase da história das "corridas de carro" (em qualquer categoria).
Foi legal também ver referências ao Fittipaldi ("Fuckpaldi" para os chefes da equipe McLaren), quando este deixou o carro vice campeão da temporada de 1975 (e campeão em 74) para tentar um projeto ousadíssimo de correr por uma equipe fundada junto com seu irmão Wilson, a brasileiríssima Coopersúcar, fato, inclusive, que abriu a vaga para a contratação do James Hunt pela escuderia inglesa, em 76.
Li uma entrevista do Emerson no portal do Globo Esporte, sobre o que mais o impressionou no filme (ele curtiu muito o que viu na telona) e reproduzo aqui uma parte dela:
"A cena que mais me pegou foi quando o Niki estava morrendo, porque lembro que o Enzo Ferrari me ligou à meia noite, no hospital. O meu médico saiu de uma reunião com o médico do Niki e me disse: “Ele vai morrer porque está intoxicado, não consegue mais respirar, a pleura do pulmão queimou”. Eu estava chocado, do lado do quarto do Niki, quando o Comendador Ferrari me disse: “Você quer guiar já na próxima corrida? Estamos prontos”. E o Niki ali, morrendo. Esse é o mundo ingrato da Fórmula 1. Fico emocionado – confessa o bicampeão mundial." (Emerson Fittipaldi para o globoesporte.com)
Vale a pena conferir este excelente retrato do glamouroso mundo da Fórmula 1, que muitas vezes esconde os seus bastidores, dirigido pelo estadounidense Ron Howard, que fez entre outras coisas, "Cocoon", "Apollo 13" e "A Beautiful Mind" (Oscar de melhor diretor).
Traz no elenco Chris Hemsworth (James Hunt) e Daniel Brühl (Niki Lauda).
Eu assistiria novamente...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Lovelace - A verdade é mais profunda do que você imagina




Ontem, fui conferir o filme sobre a vida de um dos ícones da indústria pornográfica mundial: a "atriz" norte americana Linda Lovelace, protagonista do maior fenômeno de bilheteria do cinema do gênero de todos os tempos, o filme "Garganta Profunda", que na década de 70 arrecadou mais de 600 milhões de dólares em bilheteria (muitos o consideram "E o vento levou" da pornografia", pelo sucesso que fez na época).
Confesso que não sabia nada (nada mesmo) da vida dela e também sequer imaginava que ela era um símbolo do movimento feminista da época (a década de 70 vivia uma revolução, neste sentido).
Fui, convencido pela crítica sobre a biografia e confesso que fiquei surpreso. Me surpreendi com a história, com a atuação do elenco (ver novamente a Sharon Stone atuando, no papel da mãe, que só descobri depois que a minha namorada me alertou sobre isso) e com o final surpreendente (reforço, eu não conhecia nada da biografia dela).
Não há nada de especial em relação à técnica de filmagem, caracterização de época, personagens, etc, mas a história em si me surpreendeu muito (inclusive, fui buscar mais informações, depois, sobre a vida dela). Também gostei dos flashbacks, do ir e vir da história (a crítica especializada odiou esta parte) e da repercussão do livro lançado pela protagonista.
Livro que esgotou três edições e que, para ser lançado, fez com a personagem principal tivesse que passar por um detector de mentiras para que a sua história fosse comprovada (repito, é surpreendente).
Claro, há cenas fortes de sexo e violência (a atriz era constantemente espancada pelo seu marido, representado pelo ótimo Peter Sarsgaard), mas nada de pornografia. Mesmo assim, não está recomendado para menores de 16 anos...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

"Hasta La Vista"

Filme bem diferente que assisti ontem, no bom cinema Reserva Cultural da Paulista (no prédio da Gazeta). A temática que lembra o descartável "American Pie" já é um atrativo, mas o forte dele é a mescla de emoção e comédia... Me fez pensar sobre as coisas simples da vida, que muitas vezes não valorizamos. A própria vida, já seria uma delas... Sinopse: Três jovens de vinte anos amam beber vinho e paquerar as mulheres, mas ainda são virgens. Sob o pretexto de conhecer as vinícolas espanholas, eles embarcam em uma viagem com um objetivo definido: perder a virgindade. E nada os impedirá, nem mesmo suas deficiências: um deles é cego, o outro é cadeirante e o terceiro é paraplégico. Mais informações: - Vencedor de três prêmios no Festival do filme de Montreal, incluindo prêmio do público; - O filme foi inspirado em uma história real, a de Asta Philpot, um americano portador de doença congênita que criou uma associação que visa ajudar as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência física a terem uma vida sexual ativa e satisfatória. O que dizem sobre: "Uma jóia preciosa" - Jornal 20 minutes "Engraçado e sensível, com um ótimo roteiro, bons diálogos e magníficas interpretações" - Paris Match "O ponto forte do filme é a facilidade com que ele circula entre a emoção a comédia" - Jornal Metro (França) Elenco: Robrecht Vanden Thoren (Philip), Gilles de Schryver (Lars), Tom Audenaert (Jozef), Isabelle de Hertogh (Claude) Título original: HASTA LA VISTA Direção: Geoffrey Enthoven Roteiro: Pierre de Clercq Produção: Mariano Vanhoof -- Fobic Films Fotografia: Gerd Vlegels Edição: Philippe Ravoet Gênero: Comédia País: França Ano: 2012 COR Tempo: 113 minutos Classificação: 12 anos

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Melancolia



Inicio aqui com um trecho de Machado de Assis, analisando a poesia de Álvares de Azevedo (Lira dos Vinte Anos): A melancolia de Azevedo era sincera. Se excetuarmos as poesias e os poemas humorísticos, o autor da Lira dos vinte anos raras vezes escreve uma página que não denuncie a inspiração melancólica, uma saudade indefinida, uma vaga aspiração.
Pois é com este exato sentimento que começamos a entrar no filme do cineasta dinamarquês Lars Von Trier: "Melancolia".
Dividido em duas partes, conta a história de duas irmãs, Justine (Kirsten Dunst, que ganhou o prêmio de melhor atriz, em Cannes, por esta interpretação) e Claire (Charlotte Gainsbourg, também premiada por outra película do mesmo diretor, em 2009), que encaram de maneira bem diferente a vida, com mundos distintos, que se chocam e que podem desabar a qualquer instante.
Dictomia que se reforça na maneira como encaram a aproximação do planeta denominado Melancolia, cuja aproximação vai mudar a vida, literalmente, de todas as pessoas.
Incrível os quadros surrealistas e expressionistas montados no início do filme (li em algum lugar que pode ser comparada à abertura de Kubric em "2001...", só que às avessas), nos levando a crer em uma forma diferente de contato que acontecerá entre o planeta que se aproxima e a Terra.
Vi um filme com a plateia muda e tensa o tempo todo. Todos pareciam ter um nó na garganta, um incômodo.
Uma fotografia fantástica (chavão isso, mas necessário aqui), incrementada com muitos efeitos especiais, faz deste filme, uma obra-prima...E só está passando em duas salas.
Logo, logo sai de cartaz...

Sinopse:
Melancolia
Diretor: Lars von Trier
Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling, John Hurt, Alexander Skarsgård, Brady Corbet, Stellan Skarsgård
Produção: Meta Louise Foldager, Louise Vesth
Roteiro: Lars von Trier
Fotografia: Manuel Alberto Claro
Duração: 136 min.
Ano: 2011
País: Alemanha/ Dinamarca/ França/ Itália/ Suécia
Gênero: Drama

Classificação: 14 anos

sábado, 8 de outubro de 2011

Filme: Borboletas Negras



Boa dica para este final de semana é o filme da cineasta holandesa Paula van der Oest, que retrata a conturbada vida da poetisa sul-africana Ingrid Jonker.
"Borboletas negras" que mostra os últimos anos de vida da escritora é denso, altamente erotizado e estimulante, em todos os sentidos.
Tem uma fotografia impressionante, uma técnica interessante de gradação de tons que demonstram o humor da personagem, interpretações primorosas dos protagonistas e uma história linear bem conduzida.
Cheguei a ficar emocionado também com a inserção de vários trechos de poemas, principalmente da leitura final, com áudio original do próprio Mandela, de "The Dead Child of Nyanga" (A Criança Morta de Nyanga), em que a autora mostra toda a sua indignação contra o regime de segregação racial que existiu na África do Sul até 1994.
A cena em que ela o mostra pela primeira vez ao seu pai (que era censor do regime Africaner), que rasga o manuscrito na sua frente, ainda está na minha memória.
Inclusive, podemos pensar que o filme deixa de lado esta questão importantíssima do regime de separação entre brancos e negros, mas é interessante destacar que ele prioriza a vida da poetisa.
Peca talvez em mostrar muito pouco, a influência marcante da política vigente na obra da autora. E também aprofunda pouco em alguns relacionamentos amorosos dela, que, inclusive, marcaram de forma definitiva a sua personalidade, levando-a ao trágico fim (ela morreu com 31 anos).
Ah, e não se surpreenda se em algum momento a atriz principal lembrar a atriz Camila Morgado, rs! É impressionante a semelhança física entre ambas...
Um filme que tem que ser compartilhado, assistido acompanhado...

Serviço:
Borboletas Negras (Black Butterflies) – 100 min
Noruega, África do Sul,Alemanha – 2011
Direção: Paula van der Oest
Roteiro: Greg Latter
Elenco: Carice van Houten, Liam Cunningham, Rutger Hauer, Grant Swanby, Nicholas Pauling, Graham Clarke, Leon Clingman, Jennifer Steyn, Candice D'Arcy, Florence Masebe
Indicação etária: 14 anos

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Um Conto Chinês"



Mais um filme argentino protagonizado pelo excelente Roberto Darín.
Desta vez, nesta comédia dramática, ele mostra a sua boa forma também em situações onde a comicidade supera a realidade dura da vida solitária na periferia de uma grande cidade.
Baseado em fatos reais, este filme mostra a relação de dois personagens totalmente diferentes na aparência que, inclusive, se antipatizam, mas muito próximos na essência.
Em uma situação absurda se encontram e pouco se entendem (inclusive um nem fala a língua do outro). A partir deste encontro passam a viver situações ao mesmo tempo hilárias e dramáticas, criadas principalmente pela grande diferença cultural entre ambos.
O chinês sem família na sua terra natal, que vai até a Argentina para procurar um tio idoso, causa uma verdadeira revolução na vida de um portenho solitário, sistemático e antipático, dono de uma pequena loja de ferragens na periferia de Buenos Aires.
Realmente comovente e divertido!
Diversão garantida!

Sinopse:
Depois de uma sequência inicial bizarra, com uma vaca caindo do céu, prepare-se para conhecer um personagem solitário e muito mal humorado. Roberto (Ricardo Darin) é pra lá de sistemático, dorme sempre na hora certa, tem poucos amigos e coleciona manias, entre elas recortar notícias absurdas de variadas publicações. Mas o destino reservou uma surpresa, quando ele ofereceu ajuda para Jun (Ignacio Huang) jogado - literalmente - em seu caminho, dando início a uma verdadeira via crucis, que mudaria para sempre a vida de ambos. (Jornal do Brasil-Roberto Cunha)

Um Conto Chinês
(Un cuento chino)
Diretor: Sebastián Borensztein
Elenco: Ricardo Darín, Muriel Santa Ana, Ignacio Huang
País de Produção: Argentina (2011)
Duração: 93 minutos
Não recomendado para menores de 12 anos

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Meia noite em Paris



Bom, eu sou suspeito para escrever sobre algum filme que seja dirigido pelo Woody Allen.
Para mim, um dos melhores que assisti nos últimos tempos.
Primeiro pela leveza que ele dá a um tema já muito trabalhado no cinema. Depois por mostrar a cidade em movimento, não como um museu contemplativo, como muitos veem Paris...
Também tem a caracterização de personagens que já estão bem marcados nas nossas mentes (alguns bem esteriotipados) que, no filme, ganham ares até cômicos.
Fantástica a cena em que ele encontra um Dali jovem, falando um inglês com muito sotaque (típico mesmo de espanhóis conversando na língua da rainha), lhe apresentando o cineasta Luis Buñuel e fixado nos seus... rinocerontes!
Também convive com Heminghay, o casal Fitzgerald, Picasso, entre outros.
São situações e diálogos nonsenses, que mostram um Allen mais divertido, desencanado e surreal.
Vale a pena conferir...

Sinopse:
Gil (Owen Wilson), um roteirista norte-americano bem sucedido, mas frustrado, quer tornar-se escritor, além de mudar para Paris, uma cidade que ele admira muito, principalmente em dias de chuva. A sua noiva, Inês (Rachel MacAdams) discorda em tudo das suas vontades e não quer deixar jamais os Estados Unidos (o seu sonho é morar em Malibu). Mas, a "Cidade Luz" o fascina tanto que ele consegue se transportar para a Paris da década de 20 onde acaba se encontrando e a vários artistas de diversas áreas, que viveram na cidade durante este período.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Minhas Tardes com Margueritte



Minhas Tardes com Margueritte (La tête en friche) é um filme que vai aguçar a sua sensibilidade. Impossível não se identificar com os personagens principais em algum momento das nossas vidas.
Depardieu está genial (maior do que deveria, inclusive, em todos os sentidos) e rouba, várias vezes, a nossa atenção para frivolidades que depois se encaixam perfeitamente no decorrer da película...
Denso, como uma obra de Camus (citado pelo protagonista em uma cena hilariante no bar, diante dos amigos) e leve, ao mesmo tempo, como as histórias que ouvíamos quando criança, que sempre esperávamos acabar com um final feliz.
Se eu distribuísse estrelas, teria nota máxima na minha cotação...

Sinopse:
Uma história sobre os encontros inesperados da vida. Germain (Gérard Depardieu) é um iletrado e solitário homem. Para preencher suas tardes, ele faz amizade com a senhora Margueritte (Gisèle Casadesus).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Filme: "Homens e Deuses"



Neste final de semana fui à Paulista, especificamente ao excelente Cine Reserva Cultural (que funciona no sub do prédio da Gazeta) assistir ao filme "Homens e Deuses" (Des Hommes et des Dieux), que conta a história de oito monges franceses, cristãos, que viviam na Argélia e que entraram em contato com o crescimento do fundamentalismo islâmico na região.
Recomendadíssimo!!!!
Um filme extremamente sensível, com pitadas de um realismo impressionante.
Apesar de já se ter uma noção do que vai acontecer no final, fui surpreendido pelo desenrolar atípico de uma história calcada na decisão de um grupo em resolver permanecer em uma região onde o governo corrupto e a oposição não os consideravam "bem-vindos".
Mas, entendi o porquê da população local (do entorno imediato ao monastério) conviver pacificamente com clérigos de uma religião diferente da sua e, apesar de todas as diferenças, em um completo sistema de parceria (quase um mutualismo).
Entender também o quão próximos são o cristianismo e o islamismo e que o fundamentalismo é o que os distancia...
E ficar com uma dúvida na cabeça: os monges ficaram pelo amor e cooperação ao seu povo (que inclusive nem era cristão) ou pelo martírio????
As decisões individualizadas e depois retomadas em prol do grupo, representam, para mim, o ponto forte desta trama.
Fantástico, principalmente porque "homens e deuses" podem ser opostos ou complementares.
Depende da nossa visão...
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2010.
Assistam.

Serviço:
Homens e Deuses
Reserva Cultural (sala 2)
Avenida Paulista, 900, próximo ao Metrô Trianon-Masp
O filme é exibido apenas neste cinema, com duas sessões diárias.
Mais informações no telefone 3287-3529 ou pelo site www.reservacultural.com.br

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mostra "Expressões da Revolução"

Dica legal da profª. Helena, de geografia, lá do Mater. Reproduzo "ipsis literis" o que recebi, via email:

Mostra “Expressões da revolução”.
Atividade reúne exposição fotográfica, debates e filmes sobre as revoluções que tomaram o Egito e outros países do mundo árabe em 2011
Entre os dias 18 e 22 de maio, o ICArabe realiza, em parceria com a Matilha Cultural, o Festival Medrar (Cairo), a Cinemateca Francesa e com o apoio da Oboré, a mostra “Expressões da Revolução”. Fazem parte da atividade uma exposição do fotógrafo tunisiano Hamideddine Bouali, dois debates e exibição de filmes e documentários.
Na quarta-feira, 18, Maged El Gebali (Egito) e Paola Giraldo (cientista política e porta-voz da revolução egípcia para a América Latina, no período em que a internet ficou cerceada) debatem os
recentes acontecimentos políticos que culminaram com a queda do
ditador Mubarak,no Egito.
Já no dia 19, quinta-feira, Soraya Smaili (diretora cultural e científica do ICArabe), Marcia Camargos (escritora e historiadora) e Paola Giraldo participam de uma mesa de tema “A Mulher e a revolução no mundo árabe”. No sábado, 21, está programada ainda uma teleconferência com Aalam Wassef sobre “Mídia tática e guerrilha de informação no processo revolucionário do Egito”.
A exibição de filmes acontece de 20 a 22 de maio e traz produções de países como Egito, Líbano, Iraque, Marrocos, França, Estados Unidos e Áustria. O destaque vai para a obra de Ahmad Sherif, realizada durante a ditadura de Mubarak e vencedora do prêmio Ars Electronica.
As atividades acontecem na Matilha Cultural (Rua Rêgo Freitas, 542, Centro, São Paulo) e são gratuitas.

Serviço
Mostra Expressões da Revolução
18 a 22 de maio
Local: Matilha Cultural - Rua Rêgo Freitas, 542, Centro, São Paulo
Realização: Matilha Cultural, ICArabe, Festival Medrar (Cairo) e
Cinemateca Francesa

Programação completa

Exposição fotográfica de Hamideddine Bouali.
Fotógrafo da Tunísia, onde se deu o início de toda movimentação na região do Magreb e Oriente Médio.

QUARTA DIA 18/05
20h00 - Informações diretas sobre a revolução do Egito
com a presença de Maged El Gebali (Egito) e Paola Giraldo (cientista política e porta-voz da revolução egípcia para America Latina durante o período de cerceamento da internet no Egito)

QUINTA DIA 19/05
20h00 - A Mulher e a Revolução no Mundo Árabe
com a presença de: Soraya Smaili (ICArabe), Paola Giraldo e Márcia Camargos

SÁBADO DIA 21/05
16h00 - TELECONFERÊNCIA com: Aalam Wassef
Mídia tática e guerrilha de informação no processo revolucionário do Egito.

Filmes

SEXTA DIA 20/05
21h00 - Programa Egito ativista e Medrar novas expressões Ahmad Sherif Documentary - 9min (2008) Cairo
Documetação apresetada no OK Museum of Contemporary Art, Linz (Austria) Prêmio Ars Electronica e menção honrosa na categoria Hybrid Arts.
Ahmed Sherif foi o codnome usado pelo artista Aalam Wassef para atuar durante a ditadura de Mubarak. Esse vídeo é um apanhado das ações de mídia tática e guerrilha de informação contra o regime e apresentam a criatividade tanto nas estratégias como nas formas artísticas produzidas por ele durante os últimos seis anos de ditadura.
Fluttering Selfhoods - 46min - programação Medrar de vídeos (Cairo)
The Princess, 3min, 2009 - Dir: Asmaa and Hind El kolaly
A Letter to A Lover, 2min, 2007 - Dir: Shereen Lotfey
Kekh, 6 min, 2007 - Dir: Hosam Elsawah
Don't Resign, 3min, 2008 - Dir: Ahmed Elshaer
Volume, 2min, 2010 - Dir: Yara Mekawei
Short film "more or less", 11:20, 2010 - Dir: Nada Zatouna
The Trip, 18:47, 2009 - Dir: Ahmed Nabil
22h15 - Reel Bad Arabs - Como Hollywood Vilificou um povo
Dir: Sut Jhally - documentário (EUA) (50min) (2006)

SÁBADO DIA 21/05
16h00 - TELECONFERÊNCIA com: Aalam Wassef
17h00 - Reel Bad Arabs - Como Hollywood Vilificou um povo
Dir: Sut Jhally - documentário (EUA) (50min) (2006)
18h15 - Sob as Bombas (Sous les bombes)
Dir: Philippe Aractingi – DocuFicção (França-Líbano) (98min) (2007)
20h00 - Programa Egito ativista e Medrar novas expressões
Ahmad Sherif Documentary - 9min (2008) Cairo
Fluttering Selfhoods - 46min - programação Medrar de vídeos (Cairo)
21h00 - Caos (Heya Fawda)
Dir: Yoseff Chahine - Ficção (Egito) (124min) (2007)

DOMINGO DIA 22/05
17h00 - Sobre Bagdad
Dir: Sinan Antoon - documentário (Iraque) (90min) (2004)
18h45 - Programa Egito ativista e Medrar novas expressões
Ahmad Sherif Documentary - 9min (2008) Cairo
Fluttering Selfhoods - 46min - programação Medrar de vídeos (Cairo)
20h00 - Harragas
Dir: Merzak Allouache - docuFicção (Marrocos) (95min) (2009)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Bravura indômita



Assisti, neste último sábado, um dos fortes concorrentes ao Oscar, o filme "Bravura Indômita", uma excelente refilmagem do clássico do final da década de 60, agora dirigido pelos irmãos Coen.
A película não ganhou nenhum prêmio expressivo, mas garanto que é um filme inesquecível (para quem gosta do gênero, é claro), com uma fotografia magnífica (eu não assisti "A Origem", o filme premiado com o Oscar, mas fiquei chocado em não vê-lo como vencedor desta categoria).
As longas tomadas, com cenários e personagens bem caracterizados, já faz do filme, um clássico.
Cenas fortes e até violentas também justificam a sua classificação para um público maior que 16 anos.
Ah, e mesmo com protagonistas fortes, interpretados por Jeff Bridges e Matt Damon, quem manda no filme é a atriz Hailee Steinfeld, que agiganta-se no papel de uma garota de 14 anos, prepotente e decidida a vingar a morte do pai.
Assistam...

Sinopse:
Título no Brasil: Bravura indômita
Título Original: True Grit
País de Origem: EUA
Gênero: Drama / Faroeste
Classificação etária: 16 anos
Tempo de Duração: 110 minutos
Ano de Lançamento: 2010

Após a morte do pai, a jovem Mattie Ross (Hailee Steinfeld) contrata, por cem dólares, o xerife "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges) para caçar e capturar o assassino. Ela exige fazer parte desta jornada para ter certeza que seu objetivo será alcançado.