Ontem assisti lá no Reserva Cultural o filme cubano/canadense "O Tradutor", protagonizado pelo Rodrigo Santoro.
Confesso que fui surpreendido pelo enredo, baseado na história verídica do pai dos seus diretores (os irmãos cubanos Rodrigo e Sebastian Barriuso) que viveu em uma Cuba pré-queda do Muro de Berlim, onde havia fartura e segurança quanto ao futuro do país, amparado pela economia soviética e, posteriormente, o colapso provocado pelo fim a ajuda daquele país à economia cubana. Isso, me encantou muito, pois além de uma história forte e muito sensível (o tema principal mexeu muito comigo), os diretores também usaram a película para retratar um pouco do passado do seu país, não só dos seus pais (não resisti a este trocadilho).
Poderia escrever dezenas de linhas sobre a fotografia, a música, a bela interpretação dos seus atores (não só os protagonistas), mas encerro os meus comentários por aqui. Assistam... Sinopse: um professor cubano de literatura russa, Malin, vê a sua vida transformada ao ser designado como tradutor na ala infantil de um hospital em Havana. Ele deve servir de intérprete entre os médicos e as vítimas do acidente nuclear de Chernobil, recém chegados a Cuba para tratamento.
Gosto destas listas tipo "os dez mais" alguma coisa. Sempre que vejo alguma matéria sobre isso, procuro afinidades. Mesmo sabendo que é muito pessoal e subjetivo, gosto... Então, resolvi fazer as minhas. Vou começar pelo cinema. Bom, como vejo filmes desde a mais tenra idade, poderia listar uns cem, mas vou tentar colocar os dez que mais mexeram comigo, que mais me impressionaram.
Quem é mais próximo de mim, sabe que não tenho uma memória muito legal para isso (inclusive, sou capaz de assistir um filme pela segunda vez, sem lembrar nada dele). Por isso, vou colocar os dez que mais me marcaram e QUE ME LEMBRO TOTALMENTE DE CENAS, MÚSICAS E DIÁLOGOS, rsrs...
Volto a repetir, sei que é subjetivo, mas vou cair nesta tentação de desagradar a muitos, rsrs.
Não hierarquizei a lista, mas tenho que começar pelo filme que mais me impressionou na vida: "Fitzcarraldo". Um alemão expressionista do diretor Werner Herzog que narra a história de um visionário germânico, fã do Caruso, que sonha em ficar rico com a exploração da borracha na Amazônia e construir um teatro de óperas em Iquitos, no Peru, nos moldes do Teatro Amazonas que fica em Manaus.
Puro realismo fantátsico... Magia na forma de filme, com um Klaus Kinski genial (e genioso também, rsrs).
O segundo que merece estar nesta lista é "Hair" que assisti também na forma de espetáculo teatral. Lançado no final da década de 70, destacando a vida de algumas pessoas de Nova Iorque durante a Guerra do Vietnã (que havia terminado alguns anos antes do seu lançamento), me marcou muito mais pelas músicas, é claro, mas, o inusitado da história mexe comigo até hoje... De Milus Forman, que recebeu muitas críticas na época pela sua adaptação da peça de mesmo nome, mas que me encantou... Todos vão lembrar de Aquarius, por isso vou colocar aqui Let the Sunshine, que no final até hoje me faz os olhos marejarem, com aquele ideal da cultura pacifista e da união...
Sigo com um brasileiro que representa o retrato da minha infância e do meu cerne. Se quer saber quem sou, assista "A Marvada Carne". Dirigido pelo André Klotzel e estrelado pela Fernanda Torres e Adilson Barros, de 1985, narra de maneira bem simples a história da fome com a vontade de comer, rsrs, ou melhor da moça que sonha em casar e de um matuto que quer comer carne de boi... Meu universo caipira, de histórias e crendices, arrolado de maneira simplória e divertida!
Inclusive, como ilustração, coloco uma cena com o Curupira... Incrível.
O quarto filme que faço questão de colocar nesta lista é outro tupiniquim: "Cidade de Deus". Não consigo explicar bem, mas sempre que o revejo, fico "meio bolado". Nem preciso escrever muito, pois ele já foi muito repetido, virou minissérie, etc e tal, mas me marcou muito, pois a temática social sempre me atraiu no cinema. De 2002, dirigido pelo Fernando Meirelles (que respeito muito) retrata a evolução do crime organizado no Rio de Janeiro, desde a década de 1960.
"O casamento silencioso" entra também nestas lembranças. Romeno, de 2008, de Horatiu Holaele, mistura humor, realismo mágico e um drama surreal... Como fazer um casamento, com música, comida farta e muita alegria, justo no período da morte de um ditador socialista sanguinário? Assista e tire as suas conclusões... Saí do Reserva Cultural, lá na Paulista, com as pernas bambas e um nó na garganta.
Outro que merece entrar nesta lista bem pessoal é o japonês "A partida", de 2009, dirigido por Yojiro Takita. Mágico, muito leve e extremamente delicado, me fez repensar todas as verdades que tinha das relações com a minha família. Com música do fantástico Joe Hisaishi, mostra a volta de um jovem músico desempregado para a sua terra natal, um emprego inusitado e a beleza dos rituais de uma cultura bem tradicional...
Como sétima lembrança, um Buster Keaton, genial ou melhor general, (trocadilho horrível, rsrs)... "A General", de 1926, mostra os dois amores de um maquinista, durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Dirigido e estrelado pelo ator norte americano que nunca sorria, rival de Chaplin e que fora criado no vaudevile do final do século XIX é para mim um dos grandes filmes deste período. Neste caso, esta película me remete muito mais às lembranças de infância onde ouvia o meu pai contar com exagero os grandes feitos do Buster Keaton como ator que mantinha a sua feição impassível, independente da cena, se trágica ou hilária e que fazia pessoalmente, sem uso de dublês, todas as passagens filmadas (nem sei se isso é verdade mesmo, rsrs). Por isso, tem que entrar como um dos filmes que mais me marcaram...
Outro brasileiro que fica fácil aqui é "Narradores de Javé", de 2004, de Eliane Café, com os geniais José Dumont, Gero Camilo e Nelson Xavier. Eu amo o cinema nacional, então daria uma lista só com ele, mas como disse logo no começo a proposta é colocar filmes que me marcaram, independente da sua qualidade ou importância histórica.
Aqui, um pária é convocado para tentar salvar a pequena Javé das águas de uma futura hidrelétrica, mas o "exímio escritor" não chega a ser uma das pessoas mais queridas da vila, não, rsrs... Asssisto milhões de vezes novamente...
Como penúltimo destaque, vem um dos irmãos Cohen, "Onde os fracos não tem vez" (2008) com a interpretação do Javier Barden de um dos serial killers que mais me impressionaram na história do cinema, Anton Chigurh. Pode ser estranho colocar este filme numa lista de títulos que mais me marcaram, mas entendam que é algo bem pessoal. Fiquei dias seguidos pensando nestes lances da psiqué e da obscura "maldade natural humana" (que não acreditava existir até ser convencido por longas conversas com o meu amigo vigário, Rodrigo Pires). Me prontifiquei a não ser mais fraco, a partir daí...
E para fechar, um chileno que me tirou o chão ao sair do cinema... Pedofilia, religiosidade, hipocrisia social são assuntos que discutimos profundamente sempre que aparecem nas rodas de conversa, mas ver tudo jogado de maneira direta na minha cara, num filme escuro e real, me deixou bem marcado... "O Clube" fez isso comigo... De 2015, do mesmo diretor de outro que estaria aqui tranquilamente (No), Pablo Larrain, mostra quatro religiosos reclusos (exilados mesmo) em uma casa bem escondida num pequeno vilarejo praiano do sul do Chile que tem suas rotinas transformadas quando chega um outro missionário para mexer nas suas feridas... Tema delicado!!!
Não tive como resistir e colocar um décimo primeiro filme, que me lembrei só agora: "Batismo de sangue"... Li o livro (do Frei Betto), por isso o filme me marcou muito... De 2007 (dirigido por Helvécio Ratton), mostra a trajetória de cinco frades que se engajaram na luta contra a ditadura militar no Brasil na década de 60. Pelos dias atuais me lembrarem tanto a trajetória do golpe, fiz questão de adicionar este "bônus track", rsrs...
Sei que entrariam outras dezenas e talvez eu até acrescente mais coisas aqui, mas concluo esta lista bem pessoal e me entrego às duras críticas dos especialistas e conhecedores da sétima arte, rsrs...
Para quem ainda não tem um programa legal para a noite deste feriado, segue uma dica bem interessante.
Hoje, às 20h30 na parte externa do Auditório do Parque do Ibirapuera acontece mais uma exibição de um filme mudo com musicalização ao vivo...
O filme que será exibido é um dos melhores que eu já assisti.
Será exibido "A General" (de 1926) do magnífico Buster Keaton, com interpretação da trilha original do filme pela Orquestra Juvenil Heliópolis.
Um dos maiores artistas da sua época, o ator e cineasta baseou em fatos reais ocorridos durante a Guerra da Secessão nos Estados Unidos para tirar a ideia central deste genial filme.
Conhecido como o "palhaço que não ri", Keaton mantém a sua principal marca que é rosto melancólico e impassível em toda a sequência da película...
Eu mesmo guardo um carinho especial por ele, pois na minha adolescência, fase que curtia demais os filmes mudos do Charles Chaplin, o meu pai me falou do Buster Keaton e me mostrou alguns filmes e sequências (ainda em fitas VHS, que alugávamos e locadoras, rsrs) e me deixou impressionado com as cenas coreografadas e feitas sem o uso de dublês...
O evento de hoje marca o encerramento do 40º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que divulga e faz a premiação dos seus vencedores no mesmo local às 19h30.
Com certeza, será um programa delicioso...
Como é um evento ao ar livre, há possibilidade de chuva antes da exibição (no final da tarde), por isso vale a pena levar algo para forrar o gramado, que pode estar bem molhado no começo da noite.
Neste final de semana fui conferir o longa "Filho de Saul" (Saul Fia), no Reserva Cultural (além deste cinema também aparece em cartaz no Espaço Itaú Augusta e no Caixa Belas Artes, todos na cidade de São Paulo).
Premiado e sucesso de crítica não me decepcionou. Com a sua tomada sui generis, parecendo a todo momento que vemos a cena sob a perspectiva da personagem central (quase uma selfie) deixa a imagem já monstruosa da Segunda Guerra Mundial, ainda mais dolorosa. Inclusive, a câmera só se afasta dele na cena inicial e no final do filme.
Um judeu trabalha em um campo de concentração nazista como sonderkommando (um trabalhador judeu recrutado e separado dos demais que fazia serviços para os alemães e que depois seria também executado), ajudando na limpeza das câmaras de gás e na retirada dos corpos das execuções dos alemães, até que entre um deles encontra o de um garoto.
A partir daí, o filme se desenrola na sua tentativa insana de dar um enterro digno ao garoto, dentro das tradições judaicas.
É impressionante o semblante do protagonista durante todo o filme, com uma ligeira mudança apenas no seu final.
Impossível sair do cinema sem se indignar com as atrocidades e horrores causados pelos seres humanos contra a sua própria espécie.
Sinceramente, assistindo a reações e situações que ultimamente tem acontecido no nosso país e no mundo, mais o que tenho visto nas redes sociais (com os comentários raivosos de uma parcela de internautas), sequer me dá a esperança que estes horrores da Segunda Guerra Mundial estejam restritos a uma história que passou e que nunca mais se repetirá.
O passado deveria servir de exemplo para nos lembrar do quanto cruel e traiçoeiro é o ser humano. O quanto mal ele pode causar em nome do conceito de superioridade étnica e religiosa.
Que continuemos lutando contra tudo o que nos separa e divide. Contra tudo o que nos deixa ainda mais distantes economicamente e socialmente. Isso sim gera as guerras e as suas atrocidades. E o nosso país não está livre deste mal, pois ódio há de sobra na nossa população.
"A crueldade está em todos nós..."
Serviço:
"Filho de Saul"
2015 - Drama - 1h47 de duração.
Sinopse
Outubro de 1944, Auschwitz-Birkenau. Saul Ausländer é um membro húngaro do Sonderkommando, o grupo de prisioneiros judeus isolados no campo e forçados a assistir aos nazistas com sua máquina de extermínio de larga escala. Enquanto trabalhava em um dos crematórios, Saul descobre o corpo de um menino que ele assume como sendo o de seu filho. Enquanto o Sonderkommando planeja uma rebelião, Saul decide realizar uma tarefa impossível: salvar o corpo do menino das chamas, encontrar um rabino para recitar o Kadish dos Enlutados e dar ao menino um enterro digno.
Direção: László Nemes
Elenco: Géza Röhrig, Levente Molnár, Urs Rechn, Sándor Zsótér, Christian Harting.
Oscar de melhor filme estrangeiro.
Notícia maravilhosa, que esperei por anos para dar aqui: neste final de semana será reinaugurado o delicioso Cine Belas Artes (que agora será Cine CAIXA Belas Artes).
Tradicional na cidade de São Paulo, o Belas Artes sempre teve preços honestos, uma programação diferenciada (algumas películas só eram exibidas nele), público "maneiro" (sempre tive bons papos lá) e produtos únicos, como o Cineclube e os deliciosos "noitões".
No mês de julho só funcionarão 3 salas, mas em agosto voltam com força total, as 6 tradicionais. Também, a partir do mês que vem, voltam o “Noitão” e o “Cineclube”.
Então, neste sábado, dia 19 de julho, a partir das 16h, vale a pena dar uma passadinha no tradicional endereço da Avenida Consolação e conferir esta grande festa.
Segue a programação deste dia, especificamente. Inclusive, volta o longa “Medos Privados em Lugares Públicos”, que ficou três anos e meio na programção do cine, antes de fechar
Sala 2 – Cândido Portinari
17h10 – Quanto Mais Quente Melhor
19h50 – Um Dia Muito Especial
22h – A Malvada
Sala 3 – Oscar Niemeyer
17h40 – O Estudante
20h10 – Filha Distante
22h10 – Norwegian Wood – como nas canções dos Beatles
Sala 4 – SP CINE Aleijadinho
17h – A Noite
19h20 – Queimada!
22h – Medos privados em lugares públicos
Serviço:
CAIXA BELAS ARTES
Rua da Consolação, 2423 – Consolação - São Paulo (SP) - próximo ao metrô Consolação (linha verde) e Paulista (linha amarela).
Tel: 11 2894 5781 (www.caixabelasartes.com.br)
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia, para estudantes, correntistas do banco Caixa Econômica Federal, melhor idade) Tem poltronas numeradas
Venda dos ingressos: na bilheteria (cartões de débito: todos; não aceita cartão de crédito ou cheque) ou pelo site www.ingresso.com.br
Ontem fui assistir o filme "Rush - No Limite da Emoção", que narra a rivalidade entre os pilotos de Fórmula 1, o austríaco Niki Lauda e o inglês James Hunt (ambos campeões mundiais).
A película mostra desde um pseudo encontro entre ambos na F3 (que nunca aconteceu de fato), até o título mundial do campeonato de Fórmula 1 de 1976 (ano em que o piloto da Áustria sofreu o acidente que deixou marcas até hoje).
Era a época do automobilismo romântico e muito perigoso, característica da década de 70, período que sempre havia mortes e graves acidentes em muitas corridas (pelo menos dois pilotos morriam por temporada).
Eu sempre acompanhei as corridas, desde muito pequeno, e confesso que não vi a temporada em questão, mas como fui um fiel espectador a partir do final da década de 70 e por todas as décadas de 80 e 90, fiquei muito emocionado com o filme.
Vi rivalidades parecidas, com Piquet/Mansell e Prost/Senna, pilotos sempre com características ligadas à sua maneira agressiva e arrojada de conduzir os bólidos.
Lauda, o matemático, calculista e magnífico piloto era uma figura oposta ao descontraído, galã e fanfarrão Hunt (rapidíssimo, por sinal), fato que criou uma atmosfera de romance no filme, mas que foi bem real (claro que há alguns trechos que predomina uma certa "licença poética", alterando alguns fatos, mas que não compromete a realidade).
Ver uma prova de F1 hoje, com toda a tecnologia dos carros não se compara com o que era acompanhar os campeonatos das décadas de 70 e 80 (eles atingiam quase 300 km/h, já naquele período), o que faz muitas pessoas colocarem os pilotos atuais em um patamar inferior aos daquele período. Fato que eu discordo, pois um Vettel, um Alonso ou o próprio Michael Schumacher seriam super competitivos em qualquer fase da história das "corridas de carro" (em qualquer categoria).
Foi legal também ver referências ao Fittipaldi ("Fuckpaldi" para os chefes da equipe McLaren), quando este deixou o carro vice campeão da temporada de 1975 (e campeão em 74) para tentar um projeto ousadíssimo de correr por uma equipe fundada junto com seu irmão Wilson, a brasileiríssima Coopersúcar, fato, inclusive, que abriu a vaga para a contratação do James Hunt pela escuderia inglesa, em 76.
Li uma entrevista do Emerson no portal do Globo Esporte, sobre o que mais o impressionou no filme (ele curtiu muito o que viu na telona) e reproduzo aqui uma parte dela:
"A cena que mais me pegou foi quando o Niki estava morrendo, porque lembro que o Enzo Ferrari me ligou à meia noite, no hospital. O meu médico saiu de uma reunião com o médico do Niki e me disse: “Ele vai morrer porque está intoxicado, não consegue mais respirar, a pleura do pulmão queimou”. Eu estava chocado, do lado do quarto do Niki, quando o Comendador Ferrari me disse: “Você quer guiar já na próxima corrida? Estamos prontos”. E o Niki ali, morrendo. Esse é o mundo ingrato da Fórmula 1. Fico emocionado – confessa o bicampeão mundial." (Emerson Fittipaldi para o globoesporte.com)
Vale a pena conferir este excelente retrato do glamouroso mundo da Fórmula 1, que muitas vezes esconde os seus bastidores, dirigido pelo estadounidense Ron Howard, que fez entre outras coisas, "Cocoon", "Apollo 13" e "A Beautiful Mind" (Oscar de melhor diretor).
Traz no elenco Chris Hemsworth (James Hunt) e Daniel Brühl (Niki Lauda).
Eu assistiria novamente...
Ontem, fui conferir o filme sobre a vida de um dos ícones da indústria pornográfica mundial: a "atriz" norte americana Linda Lovelace, protagonista do maior fenômeno de bilheteria do cinema do gênero de todos os tempos, o filme "Garganta Profunda", que na década de 70 arrecadou mais de 600 milhões de dólares em bilheteria (muitos o consideram "E o vento levou" da pornografia", pelo sucesso que fez na época).
Confesso que não sabia nada (nada mesmo) da vida dela e também sequer imaginava que ela era um símbolo do movimento feminista da época (a década de 70 vivia uma revolução, neste sentido).
Fui, convencido pela crítica sobre a biografia e confesso que fiquei surpreso. Me surpreendi com a história, com a atuação do elenco (ver novamente a Sharon Stone atuando, no papel da mãe, que só descobri depois que a minha namorada me alertou sobre isso) e com o final surpreendente (reforço, eu não conhecia nada da biografia dela).
Não há nada de especial em relação à técnica de filmagem, caracterização de época, personagens, etc, mas a história em si me surpreendeu muito (inclusive, fui buscar mais informações, depois, sobre a vida dela). Também gostei dos flashbacks, do ir e vir da história (a crítica especializada odiou esta parte) e da repercussão do livro lançado pela protagonista.
Livro que esgotou três edições e que, para ser lançado, fez com a personagem principal tivesse que passar por um detector de mentiras para que a sua história fosse comprovada (repito, é surpreendente).
Claro, há cenas fortes de sexo e violência (a atriz era constantemente espancada pelo seu marido, representado pelo ótimo Peter Sarsgaard), mas nada de pornografia. Mesmo assim, não está recomendado para menores de 16 anos...
Filme bem diferente que assisti ontem, no bom cinema Reserva Cultural da Paulista (no prédio da Gazeta).
A temática que lembra o descartável "American Pie" já é um atrativo, mas o forte dele é a mescla de emoção e comédia...
Me fez pensar sobre as coisas simples da vida, que muitas vezes não valorizamos.
A própria vida, já seria uma delas...
Sinopse:
Três jovens de vinte anos amam beber vinho e paquerar as mulheres, mas ainda são virgens. Sob o pretexto de conhecer as vinícolas espanholas, eles embarcam em uma viagem com um objetivo definido: perder a virgindade. E nada os impedirá, nem mesmo suas deficiências: um deles é cego, o outro é cadeirante e o terceiro é paraplégico.
Mais informações:
- Vencedor de três prêmios no Festival do filme de Montreal, incluindo prêmio do público;
- O filme foi inspirado em uma história real, a de Asta Philpot, um americano portador de doença congênita que criou uma associação que visa ajudar as pessoas portadoras de algum tipo de deficiência física a terem uma vida sexual ativa e satisfatória.
O que dizem sobre:
"Uma jóia preciosa" - Jornal 20 minutes
"Engraçado e sensível, com um ótimo roteiro, bons diálogos e magníficas interpretações" - Paris Match
"O ponto forte do filme é a facilidade com que ele circula entre a emoção a comédia" - Jornal Metro (França)
Elenco:
Robrecht Vanden Thoren (Philip), Gilles de Schryver (Lars), Tom Audenaert (Jozef), Isabelle de Hertogh (Claude)
Título original: HASTA LA VISTA
Direção: Geoffrey Enthoven
Roteiro: Pierre de Clercq
Produção: Mariano Vanhoof -- Fobic Films
Fotografia: Gerd Vlegels
Edição: Philippe Ravoet
Gênero: Comédia
País: França
Ano: 2012
COR
Tempo: 113 minutos
Classificação: 12 anos
Desde 2000, a rede de cinemas Cinemark, faz uma promoção na primeira segunda feira do mês de novembro (neste ano, será no dia 07), em que exibe apenas filmes nacionais a um valor reduzidíssimo. Com ingressos no valor de R$2,00, vai exibir as principais produções brasileiras lançadas entre novembro de 2010 e outubro de 2011. Além de poder assistir uma película nacional a um preço bacana (principalmente aquele filme que saiu de cartaz e que não conseguimos assistir), também colaboramos indiretamente com projetos ligados ao cinema brasileiro, já que toda a renda do "Projeta Brasil" é destinada ao patrocínio de ações de incentivo ao nosso cinema... A relação de filmes é a seguinte: • Cilada.com • De Pernas pro Ar • Bruna Surfistinha • Assalto ao Banco Central • Qualquer Gato Vira-Lata • VIPS • As Mães de Chico • Desenrola • Onde Está a Felicidade Relembrando, na segunda feira, dia 07 de novembro, em toda a rede Cinemark (menos nas salas Prime e Premier, porque será, hein, rs) tem cinema nacional a dois reais...
Inicio aqui com um trecho de Machado de Assis, analisando a poesia de Álvares de Azevedo (Lira dos Vinte Anos): A melancolia de Azevedo era sincera. Se excetuarmos as poesias e os poemas humorísticos, o autor da Lira dos vinte anos raras vezes escreve uma página que não denuncie a inspiração melancólica, uma saudade indefinida, uma vaga aspiração. Pois é com este exato sentimento que começamos a entrar no filme do cineasta dinamarquês Lars Von Trier: "Melancolia". Dividido em duas partes, conta a história de duas irmãs, Justine (Kirsten Dunst, que ganhou o prêmio de melhor atriz, em Cannes, por esta interpretação) e Claire (Charlotte Gainsbourg, também premiada por outra película do mesmo diretor, em 2009), que encaram de maneira bem diferente a vida, com mundos distintos, que se chocam e que podem desabar a qualquer instante. Dictomia que se reforça na maneira como encaram a aproximação do planeta denominado Melancolia, cuja aproximação vai mudar a vida, literalmente, de todas as pessoas. Incrível os quadros surrealistas e expressionistas montados no início do filme (li em algum lugar que pode ser comparada à abertura de Kubric em "2001...", só que às avessas), nos levando a crer em uma forma diferente de contato que acontecerá entre o planeta que se aproxima e a Terra. Vi um filme com a plateia muda e tensa o tempo todo. Todos pareciam ter um nó na garganta, um incômodo. Uma fotografia fantástica (chavão isso, mas necessário aqui), incrementada com muitos efeitos especiais, faz deste filme, uma obra-prima...E só está passando em duas salas. Logo, logo sai de cartaz...
Sinopse: Melancolia Diretor: Lars von Trier Elenco: Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourg, Kiefer Sutherland, Charlotte Rampling, John Hurt, Alexander Skarsgård, Brady Corbet, Stellan Skarsgård Produção: Meta Louise Foldager, Louise Vesth Roteiro: Lars von Trier Fotografia: Manuel Alberto Claro Duração: 136 min. Ano: 2011 País: Alemanha/ Dinamarca/ França/ Itália/ Suécia Gênero: Drama
Boa dica para este final de semana é o filme da cineasta holandesa Paula van der Oest, que retrata a conturbada vida da poetisa sul-africana Ingrid Jonker. "Borboletas negras" que mostra os últimos anos de vida da escritora é denso, altamente erotizado e estimulante, em todos os sentidos. Tem uma fotografia impressionante, uma técnica interessante de gradação de tons que demonstram o humor da personagem, interpretações primorosas dos protagonistas e uma história linear bem conduzida. Cheguei a ficar emocionado também com a inserção de vários trechos de poemas, principalmente da leitura final, com áudio original do próprio Mandela, de "The Dead Child of Nyanga" (A Criança Morta de Nyanga), em que a autora mostra toda a sua indignação contra o regime de segregação racial que existiu na África do Sul até 1994. A cena em que ela o mostra pela primeira vez ao seu pai (que era censor do regime Africaner), que rasga o manuscrito na sua frente, ainda está na minha memória. Inclusive, podemos pensar que o filme deixa de lado esta questão importantíssima do regime de separação entre brancos e negros, mas é interessante destacar que ele prioriza a vida da poetisa. Peca talvez em mostrar muito pouco, a influência marcante da política vigente na obra da autora. E também aprofunda pouco em alguns relacionamentos amorosos dela, que, inclusive, marcaram de forma definitiva a sua personalidade, levando-a ao trágico fim (ela morreu com 31 anos). Ah, e não se surpreenda se em algum momento a atriz principal lembrar a atriz Camila Morgado, rs! É impressionante a semelhança física entre ambas... Um filme que tem que ser compartilhado, assistido acompanhado...
Serviço: Borboletas Negras (Black Butterflies) – 100 min Noruega, África do Sul,Alemanha – 2011 Direção: Paula van der Oest Roteiro: Greg Latter Elenco: Carice van Houten, Liam Cunningham, Rutger Hauer, Grant Swanby, Nicholas Pauling, Graham Clarke, Leon Clingman, Jennifer Steyn, Candice D'Arcy, Florence Masebe Indicação etária: 14 anos
Mais um filme argentino protagonizado pelo excelente Roberto Darín. Desta vez, nesta comédia dramática, ele mostra a sua boa forma também em situações onde a comicidade supera a realidade dura da vida solitária na periferia de uma grande cidade. Baseado em fatos reais, este filme mostra a relação de dois personagens totalmente diferentes na aparência que, inclusive, se antipatizam, mas muito próximos na essência. Em uma situação absurda se encontram e pouco se entendem (inclusive um nem fala a língua do outro). A partir deste encontro passam a viver situações ao mesmo tempo hilárias e dramáticas, criadas principalmente pela grande diferença cultural entre ambos. O chinês sem família na sua terra natal, que vai até a Argentina para procurar um tio idoso, causa uma verdadeira revolução na vida de um portenho solitário, sistemático e antipático, dono de uma pequena loja de ferragens na periferia de Buenos Aires. Realmente comovente e divertido! Diversão garantida!
Sinopse: Depois de uma sequência inicial bizarra, com uma vaca caindo do céu, prepare-se para conhecer um personagem solitário e muito mal humorado. Roberto (Ricardo Darin) é pra lá de sistemático, dorme sempre na hora certa, tem poucos amigos e coleciona manias, entre elas recortar notícias absurdas de variadas publicações. Mas o destino reservou uma surpresa, quando ele ofereceu ajuda para Jun (Ignacio Huang) jogado - literalmente - em seu caminho, dando início a uma verdadeira via crucis, que mudaria para sempre a vida de ambos. (Jornal do Brasil-Roberto Cunha)
Um Conto Chinês (Un cuento chino) Diretor: Sebastián Borensztein Elenco: Ricardo Darín, Muriel Santa Ana, Ignacio Huang País de Produção: Argentina (2011) Duração: 93 minutos Não recomendado para menores de 12 anos
Bom, eu sou suspeito para escrever sobre algum filme que seja dirigido pelo Woody Allen. Para mim, um dos melhores que assisti nos últimos tempos. Primeiro pela leveza que ele dá a um tema já muito trabalhado no cinema. Depois por mostrar a cidade em movimento, não como um museu contemplativo, como muitos veem Paris... Também tem a caracterização de personagens que já estão bem marcados nas nossas mentes (alguns bem esteriotipados) que, no filme, ganham ares até cômicos. Fantástica a cena em que ele encontra um Dali jovem, falando um inglês com muito sotaque (típico mesmo de espanhóis conversando na língua da rainha), lhe apresentando o cineasta Luis Buñuel e fixado nos seus... rinocerontes! Também convive com Heminghay, o casal Fitzgerald, Picasso, entre outros. São situações e diálogos nonsenses, que mostram um Allen mais divertido, desencanado e surreal. Vale a pena conferir...
Sinopse: Gil (Owen Wilson), um roteirista norte-americano bem sucedido, mas frustrado, quer tornar-se escritor, além de mudar para Paris, uma cidade que ele admira muito, principalmente em dias de chuva. A sua noiva, Inês (Rachel MacAdams) discorda em tudo das suas vontades e não quer deixar jamais os Estados Unidos (o seu sonho é morar em Malibu). Mas, a "Cidade Luz" o fascina tanto que ele consegue se transportar para a Paris da década de 20 onde acaba se encontrando e a vários artistas de diversas áreas, que viveram na cidade durante este período.
Minhas Tardes com Margueritte (La tête en friche) é um filme que vai aguçar a sua sensibilidade. Impossível não se identificar com os personagens principais em algum momento das nossas vidas. Depardieu está genial (maior do que deveria, inclusive, em todos os sentidos) e rouba, várias vezes, a nossa atenção para frivolidades que depois se encaixam perfeitamente no decorrer da película... Denso, como uma obra de Camus (citado pelo protagonista em uma cena hilariante no bar, diante dos amigos) e leve, ao mesmo tempo, como as histórias que ouvíamos quando criança, que sempre esperávamos acabar com um final feliz. Se eu distribuísse estrelas, teria nota máxima na minha cotação...
Sinopse: Uma história sobre os encontros inesperados da vida. Germain (Gérard Depardieu) é um iletrado e solitário homem. Para preencher suas tardes, ele faz amizade com a senhora Margueritte (Gisèle Casadesus).
Neste final de semana fui à Paulista, especificamente ao excelente Cine Reserva Cultural (que funciona no sub do prédio da Gazeta) assistir ao filme "Homens e Deuses" (Des Hommes et des Dieux), que conta a história de oito monges franceses, cristãos, que viviam na Argélia e que entraram em contato com o crescimento do fundamentalismo islâmico na região. Recomendadíssimo!!!! Um filme extremamente sensível, com pitadas de um realismo impressionante. Apesar de já se ter uma noção do que vai acontecer no final, fui surpreendido pelo desenrolar atípico de uma história calcada na decisão de um grupo em resolver permanecer em uma região onde o governo corrupto e a oposição não os consideravam "bem-vindos". Mas, entendi o porquê da população local (do entorno imediato ao monastério) conviver pacificamente com clérigos de uma religião diferente da sua e, apesar de todas as diferenças, em um completo sistema de parceria (quase um mutualismo). Entender também o quão próximos são o cristianismo e o islamismo e que o fundamentalismo é o que os distancia... E ficar com uma dúvida na cabeça: os monges ficaram pelo amor e cooperação ao seu povo (que inclusive nem era cristão) ou pelo martírio???? As decisões individualizadas e depois retomadas em prol do grupo, representam, para mim, o ponto forte desta trama. Fantástico, principalmente porque "homens e deuses" podem ser opostos ou complementares. Depende da nossa visão... Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2010. Assistam.
Serviço: Homens e Deuses Reserva Cultural (sala 2) Avenida Paulista, 900, próximo ao Metrô Trianon-Masp O filme é exibido apenas neste cinema, com duas sessões diárias. Mais informações no telefone 3287-3529 ou pelo site www.reservacultural.com.br
Assisti, neste último sábado, um dos fortes concorrentes ao Oscar, o filme "Bravura Indômita", uma excelente refilmagem do clássico do final da década de 60, agora dirigido pelos irmãos Coen. A película não ganhou nenhum prêmio expressivo, mas garanto que é um filme inesquecível (para quem gosta do gênero, é claro), com uma fotografia magnífica (eu não assisti "A Origem", o filme premiado com o Oscar, mas fiquei chocado em não vê-lo como vencedor desta categoria). As longas tomadas, com cenários e personagens bem caracterizados, já faz do filme, um clássico. Cenas fortes e até violentas também justificam a sua classificação para um público maior que 16 anos. Ah, e mesmo com protagonistas fortes, interpretados por Jeff Bridges e Matt Damon, quem manda no filme é a atriz Hailee Steinfeld, que agiganta-se no papel de uma garota de 14 anos, prepotente e decidida a vingar a morte do pai. Assistam...
Sinopse: Título no Brasil: Bravura indômita Título Original: True Grit País de Origem: EUA Gênero: Drama / Faroeste Classificação etária: 16 anos Tempo de Duração: 110 minutos Ano de Lançamento: 2010
Após a morte do pai, a jovem Mattie Ross (Hailee Steinfeld) contrata, por cem dólares, o xerife "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges) para caçar e capturar o assassino. Ela exige fazer parte desta jornada para ter certeza que seu objetivo será alcançado.
Assisti o documentário "lixo extraordinário" e tive uma grande surpresa, pois imaginei algo técnico e burocrático (já que ele é indicado ao Oscar de melhor documentário), mas saí do cinema realmente emocionado. Não com aquele sentimento que temos depois de assistir uma reportagem que fere o nosso emocional ao mostrar de maneira nua e crua a degradação humana. Longe disso, o filme dirigido por Lucy Walker, Karen Harley e João Jardim, trabalha de maneira mais sutil (e bela) a natureza humana. Desde a visão arrogante inicial, do seu protagonista, o artista brasileiro radicado em Nova Iorque, Vik Muniz, que esperava fazer um trabalho que mudasse a vida de muitas pessoas em um aterro sanitário na periferia de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, até do olhar de desconfiança das pessoas que se envolveram no seu projeto. Não que ele não tenha mudado a vida de todos que estiveram em contato direto com ele e com o seu projeto, mas principalmente porque ele tenha sido o principal elemento modificado em todo esse processo. E, sem contar, que a experiência da associação dos recicladores que apoia a sua iniciativa, me fez lembrar de um momento da minha vida em que também me envolvi no trabalho cooperativo. Meus olhos brilharam ao ver a dedicação e sagacidade de Zumbi e Tião (que vi no programa do Jô, antes de ver o filme), da delicadeza das mulheres que tiravam o sustento do que recolhiam no local e da beleza de cada um dos envolvidos, inclusive do próprio Vik. Surpreendente, mágico e muito envolvente. Com uma fotografia maravilhosa e um didatismo impressionante do processo de montagem das obras do fotógrafo... Sem falar que a trilha sonora ainda é do Moby (que arrebentou, na sua passagem pelo Brasil, há dois anos atrás). Pena, que concorre ao Oscar como documentário de origem britânica. Mas, e daí! A sustância dele é genuinamente tupiniquim. E como diria o Tião corrigindo o Jô Soares: "não somos catadores de lixo, e sim de produtos recicláveis, pois lixo é o que não presta, é o que não se aproveita..." Ele já tinha me ganhado aí...
Antes de mais nada, "Além da vida" não é um filme espírita ou que tem por objetivo questionar o tema da vida "pós-mortem". É sobre a extraordinária complexidade da vida e da infinidade de escolhas difíceis que seres humanos têm de fazer para explorar seus caminhos. Em segundo lugar é produzido e dirigido por Clint Eastwood. O mesmo diretor sensível e implacável de "Invictus", "Menina de Ouro" e "Gran Torino" (só para destacar a fase dos últimos dez anos). Não precisa escrever mais nada. Só assistam... Eu vi ontem à noite (no Belas Artes) e me apaixonei mais uma vez pela elegância e sutileza do grande mestre Eastwood.
Sinopse: "Além da vida" (Hereafter) Elenco: Matt Damon, Bryce Dallas Howard, Jay Mohr, Jenifer Lewis, Cécile De France, Frankie McLaren, Richard Kind. Distribuidora: Warner Bros. Direção: Clint Eastwood Gênero: Suspense Estreia: 07 de Janeiro de 2011 Sinopse: 'Além da Vida' conta a história de três pessoas que são afetadas pela morte de maneiras diferentes. George (Matt Damon) é um operário norte-americano que tem uma conexão especial com o além. Em outro ponto do planeta, a jornalista francesa Marie (Cécile De France) acaba de passar por uma experiência de quase-morte que muda sua visão diante da vida. E quando Marcus (Frankie/George McLaren), um garoto londrino, perde uma pessoa muito próxima, ele começa uma procura desesperada por respostas. Enquanto cada um segue o caminho em busca da verdade, suas vidas se encontrarão e serão transformadas para sempre pelo que eles acreditam que possa existir, ou realmente exista - a vida após a morte.
Cenário: Inglaterra. Gemma Jones, Naomi Watts, Anthony Hopkins e Antonio Banderas. Na direção, Woody Allen. Muitas neuroses e uma história picante, com um final surpreendente... Esse é o filme "Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", que entrou em cartaz na semana passada. Para quem gosta do típico Woody Allen, torna-se um filme irresistível e marcante. Já para os demais, digo que é uma comédia romântica bem leve e inteligente. Vale a pena conferir...
Sinopse: Alfie (Anthony Hopkins) é um homem de 70 anos que se envolve com uma ex-prostituta muito mais nova do que ele, após divorcia-se de Helena (Gemma Jones), com quem foi casado por 40 anos. Sally (Naomi Watts), filha do casal recém-divorciado, é casada com Roy (Josh Brolin). Roy é frustrado pelo fracasso da publicação do segundo livro, após o sucesso do primeiro. O medo da fama passageira tornou a convivência difícil e atrapalhou o sonho de Sally em ser mãe.
Depois de um longo hiato, uma produção africana volta a ser exibida no Brasil, com "Um Homem Que Grita", dirigido pelo chadiano Mahamat-Saleh Harcun, que o Reserva Cultural (localizado no Edifício da Gazeta) apresenta exclusivamente. Praticamente desconhecida para nós brasileiros, a cinematografia africana possui particularidades como a do caso nigeriano, onde há uma imensa produção (inclusive maior do que em Hollywood e Bollywood), porém nenhuma sala de cinema no país inteiro - toda a produção é voltada para o consumo doméstico. Durante a era colonial, a África foi representada no cinema exclusivamente por cineastas ocidentais, quase sempre como um lugar místico e exótico, pouco revelando sua identidade e realidade. Nas colônias francesas, por exemplo, era proibida a realização de filmes locais. Desta forma, o olhar do povo africano ficava escondido, salvas algumas exceções como Afrique Sur Seine, considerado o primeiro filme dirigido por um africano negro, que explorava as dificuldades de um africano viver na França durante os anos 50. Apesar deste empecilhos, muitos diretores europeus voltaram o seu olhar para o Continente Negro tentando expor ao mundo o que realmente acontecia por lá. Um deste cineastas foi o francês Jean Rouch, que em documentários como Eu, Um Negro e Jaguar (ambos lançados em DVD), entre outros, desafiava a imagem que os colonizadores tentavam transmitir ao mundo. Em "Um Homem Que Grita", que assisti nesse final de semana, pude perceber a riqueza de detalhes e a beleza da fotografia (mesmo quando é retratada apenas a periferia da cidade em destaque, no Chade). É um filme sensível, um drama, que guarda um grande emoção (de arrancar lágrimas dos olhos) no seu final, destacando um continente em guerra, sem mostrar sequer uma batalha (fantástica essa escolha, pois mesmo sem as cenas do conflito, consegue nos colocar dentro dele). Fui preparado para um grande filme. Saí refletindo sobre muitos aspectos, mas com uma grande certeza: vi, de fato, um grande filme...
Sinopse: Adam (Youssouf Djaoro) tem 60 anos de idade, é ex campeão de natação, e há 40 anos trabalha com guardião de piscina de um hotel de luxo situado no Chade, na África. Contudo, investidores chineses compram o estabelecimento e ele se vê obrigado a ceder a sua vaga para seu filho Abdel (Diouc Koma), situação que o incomoda bastante por ver nela um declínio social. Além de estar diante deste conflito pessoal, seu país passa por uma guerra civil com rebeldes ameaçando o governo que faz um apelo à população: ajudar com dinheiro ou enviar filhos em idade para representar o país em combate. Assim, o líder do bairro pede que Adam dê sua contribuição, mas ele não tem dinheiro, só tem o filho. - Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2010 - Vencedor do Prêmio Humanidade na Mostra Internacional de Cinema de SP
Serviço: Reserva Cultural Avenida Paulista, 900. Térreo Baixo (entre as estações Trianon Masp e Brigadeiro do metrô) www.reservacultural.com.br Fone: (11) 3287-3529
"UM HOMEM QUE GRITA" (Chade / Bélgica / França - 2010) – 92 minutos. Sala 1 15h20 - 17h10 - 19h00 - 21h00 - Sáb. 22h50 Gênero: Drama Direção: Mahamat-Saleh Haroun Elenco: Youssouf Djaoro , Diouc Koma , Emile Abossolo M'bo