Via Franca

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Roteiro de observação para o estudo do meio em Paraty e Angra dos Reis

Neste próximo final de semana o Colégio Mater Amabilis de Guarulhos vai levar os seus alunos de sexto ano (que inclusive são "meus alunos" também, rsrs) para Paraty e Angra dos Reis.
Além de conteúdos de geografia, história, artes e ciências também vamos explorar as características peculiares da região, com a ajuda do excelente guia de turismo local e amigo Renan Silva.
Neste tipo de estudo também é enriquecedora a convivência dos alunos com os seus colegas de série e professores, aumentando a sociabilidade entre todos e também promovendo experiências de convivência muito enriquecedoras.
Para tanto, vamos nos atentar a alguns aspectos neste estudo, que facilitam o entendimento das várias partes que serão trabalhadas no local e posteriormente na sala de aula.
Começando pelo nosso trajeto, que inclui algumas rodovias bem conhecidas e importantes para o deslocamento de pessoas e cargas no nosso estado: sairemos de Guarulhos e seguiremos pelas Rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto, dos Tamoios e Rio-Santos (a BR101), passando pelas cidades de São José dos Campos, Caraguatatuba e Ubatuba.
O trajeto atravessa uma parte do Planalto Atlântico (como foi chamado a parte mais ao sul da unidade geomorfológica conhecida como "serras e planaltos do Leste e Sudeste"), depois desce pela escarpa bem acentuada que é conhecida como "Serra do Mar", percorrendo uma estreita planície (bem estreita mesmo) até chegar em Paraty.
Mesmo dentro do ônibus, bem descontraídos, os alunos devem se atentar para alguns aspectos:
1) Como a paisagem vai se modificando, desde um centro altamente urbanizado e ocupado por muitas casas e altos edifícios até áreas que as ocupações são muito espalhadas e até inexistentes.
2) Como é a distribuição de indústrias e galpões pelas estradas? Há este tipo de construção em todo o trajeto ou apenas nas áreas mais próximas de uma grande cidade?
3) A paisagem natural sofre alguma variação do nosso ponto de partida até a chegada? Como as duas cidades de saída e destino se diferenciam em relação aos aspectos naturais?
4) Na descida da Serra do Mar, você sentiu algum incômodo ou sensação estranha no ouvido? Como podemos explicar isso?
Já em Paraty, vamos conhecer as peculiaridades de uma cidade bem preservada quanto ao seu patrimônio histórico, que fascina pelos detalhes e simbologia das suas construções (muitas delas que abrigaram famílias de maçons, desde o século XIX).
Toda a cidade possui o mesmo tipo de construções? Que diferenças existem entre as casas do centro histórico de Paraty e aquelas que temos em Guarulhos? Você conhece muitos edifícios históricos (de mais de cem anos de idade) na sua cidade? Como está o grau de conservação deles?
O isolamento de décadas da cidade de Paraty provocou a sua preservação (não só da sua estrutura arquitetônica, como também de muitos costumes típicos da região, considerados "patrimônio imaterial"). A cidade foi considerada patrimônio estadual em 1945, foi tombada (procure no dicionário o significado deste termo, associando-o à questão da preservação histórica) pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1958 e convertida em Monumento Nacional em 1966.
Além da importância histórica, a região se destaca pela grande preservação natural, localizando-se em áreas de três importantes ecossistemas: Mata Atlântica, Manguezal e Restinga.
Baseando-se nas suas observações e sensações ao entrar nos 3 ambientes citados, procure diferenciar o que sentiu em relação à odores, sensações de temperatura, contato visual e tátil (como é caminhar nas trilhas que passam por eles ou próximas deles). Qual foi a vegetação que mais te impressionou? Você estranhou ou se sentiu incomodado em alguma parte do contato com elas? Qual é o grau de conservação delas? Você percebeu o mesmo tipo de plantas e animais em todas elas ou há diferenciação de espécies?
Pense na importância da preservação destes ecossistemas e o que impactos podem ser causados pela sua degradação.
A própria qualidade da água que abastece as cidades do litoral, retirada de mananciais que vem da Serra do Mar é diferente das fontes utilizadas no lugar que moramos. Inclusive, vamos ter a experiência de entrar em uma cachoeira (bem segura e tranquila) de um pequeno riacho que desce da vertente da Serra do Mar e segue em direção à cidade. Faça uma comparação da sua qualidade de água com os rios e córregos que existem na nossa cidade. Associe esta informação com a presença de vegetação no seu "entorno". A partir disso, podemos entender o quanto é importante a preservação da mata ciliar dos rios de todas os lugares. A ocupação intensa das margens dos cursos d'água (independente do seu tamanho) causa estragos irreversíveis à nossa qualidade de vida (na cidade ou no campo, tanto faz).
Em uma atividade na praia de Jabaquara (localizada na área urbana de Paraty) vamos conhecer uma característica bem interessante do local, que é a grande presença de lama junto à faixa de areia, devido à proximidade do manguezal. Compare esta praia com outras que você conhece, inclusive com aquelas que vamos visitar na Ilha Grande (em Angra dos Reis). Que diferenças você notou entre elas? Quanto ao movimento das marés, o que te chamou mais a atenção?
Inclusive, no caminho de Paraty até Angra dos Reis, vamos passar por um complexo de usinas nucleares. Quais as vantagens e desvantagens deste tipo de produção de energia? Há risco na sua exploração? Você conhece algum reato de problemas envolvendo este tipo de geração de energia?
Como foi passado, um estudo no litoral sul do estado do Rio de Janeiro é muito rico e marcante...
E é sempre bom lembrar de arrumar a mala com itens de higiene pessoal, roupas apropriadas e um bloco de anotações.
Pelo site do inpe (www.cptec.inpe.br) há previsão de chuva (leve capa de chuva), com temperaturas oscilando entre 18ºC e 30ºC  (na terça-feira vai esfriar, com queda de temperatura até 14ºC). Então, um bom protetor solar, boné e repelente contra insetos são itens obrigatórios.
Para o embarque, o RG ORIGINAL também é necessário.
Verifique se já entregou a ficha médica e aumente a sua expectativa e animação, pois faltam apenas dois dias para esta gostosa (e muito proveitosa) experiência.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Roteiro de estudo do meio para a vila de Paranapiacaba


      
   Sábado agora, a Via Franca Turismo vai fazer um estudo do meio com mais de 170 alunos do Colégio Agostiniano São José, que fica no bairro do Belenzinho, na cidade de São Paulo.
         Para tanto elaborei um pequeno roteiro de observação para o uso na nossa visita ao local. Reproduzo-o, em partes, por aqui...
O distrito de Paranapiacaba pertence ao município de Santo André e está localizado na parte sudeste da região metropolitana de São Paulo, distante cerca de 50km do Colégio Agostiniano São José (Belenzinho). Construída a partir de 1860, a vila abrigou os operários da antiga estrada de ferro São Paulo Railway.
“É o alto da serra. Em frente, a alguns decâmetros, abre-se, rasga-se um vão, uma clareira enorme por onde se enxerga um horizonte remotíssimo, um acinzentamento confuso de serras e céu, que assombra, que amesquinha a imaginação. Começam aí os planos inclinados...” (A Carne - Júlio Ribeiro)
Ao chegar na vila, observe os aspectos físicos mais marcantes envolvendo o relevo local, a vegetação predominante e as sensações térmicas (que podem variar muito no decorrer do dia). Pela distribuição das construções pense no arranjo urbano planejado pelos ingleses para vencer os obstáculos naturais impostos pelo local.

Na linguagem tupi o nome Paranapiacaba significa o lugar de onde se vê o mar. A designação faz jus ao que supostamente vamos encontrar na área (a borda do popularmente conhecido Planalto Atlântico, com a sua escarpa que chamamos de “Serra do Mar”), onde foi construída no século XIX , naquele caminho íngreme utilizado pelos índios, desde os tempos pré-coloniais,  a estrada de ferro que mudaria a paisagem do interior paulista e ocasionaria a fundação da vila.
A expansão da cultura cafeeira na segunda metade do século XIX pelo interior de São Paulo (principalmente no eixo Itu-Campinas-Piracicaba), fortaleceu a economia da região, criou uma elite empreendedora e muito influente politicamente, além de forçar uma modernização dos meios de escoamento da produção. Daí, não necessita-se de muito esforço para entender a importância da construção e da manutenção da ferrovia Santos-Jundiaí e da Vila de Paranapiacaba, responsável pela logística do seu trecho mais delicado: a descida da escarpa do planalto.
Planeja-se uma ocupação no modelo das vilas inglesas, inclusive com a torre e o seu relógio que é chamado por muitos de “réplica do Big Bem”, passando à tentativa de se controlar a natureza hostil da região e também a interferir mais diretamente no “tempo da natureza”, substituindo-o pelo premeditado da produção (observe que o relógio da torre não é meramente figurativo, ele controla o “tempo dos homens”, o ritmo da pequena vila e tudo o que passa por ela).

Hoje, preservada em partes, a Vila é um verdadeiro “museu a céu aberto”...
A partir desta premissa procure comparar o que ainda se mantém próximo da construção original, o que foi mais modificado e o que está completamente deteriorado. Como está o grau de conservação dos galpões, dos equipamentos ferroviários, das próprias casas construídas em pinho de riga, do entorno da linha férrea (que ainda transporta parte da nossa produção para exportação via porto de Santos).
Compare com outros lugares/patrimônios históricos que você tenha visitado ou visto pela TV, livros e sites... Que intervenções poderiam ser feitas para recuperar parte da história espalhada pelas ruas e galpões de Paranapiacaba? Por que a sua preservação/recuperação é importante? Que sensações você teve ao caminhar por suas ruas e pátios ferroviários?
Mas, ao estudarmos a região, não só aspectos históricos/culturais são notados. Estamos em um dos biomas tropicais mais importantes do país e do mundo: a Mata Atlântica.
Que tipo de intervenção foi mais impactante na vegetação da região? Como ela apresenta-se conservada, atualmente? A floresta interfere diretamente na vida das pessoas que habitam no pequeno distrito? A sua preservação traz benefícios para a economia da área? Por que em outros lugares, inclusive no bairro que você mora, ela foi tão alterada e que consequências a redução significativa das áreas verdes podem trazer para a qualidade de vida de um grande centro urbano? Que ações podemos efetivar (mesmo que pequenas) para minimizar estes problemas, no nosso bairro?
Muitas perguntas que podem ser pensadas no “olhar mais apurado” sobre a pequena vila de Paranapiacaba e em um pequeno passeio pela Trilha do Olho d’Água.
Inclusive, ao caminhar por esta trilha (curta e de percurso fácil), observe as principais características do Bioma de Mata Atlântica: vegetação e fauna. Pense nas interações ecológicas de algumas espécies como a competição intra e interespecífica, o predatismo, a protocooperação e o epifitismo.
Será discutida a relação da Mata com o clima local, a importância do reservatório de água da cidade e os seus bioindicadores e quais os principais impactos ambientais. Quais são as espécies vegetais exóticas encontradas na trilha e qual a sua influência no equilíbrio do ecossistema.
Em relação à intervenção humana na natureza da região, pense nos seguintes aspectos:
- extração de espécies nativas como o palmito jussara, orquídeas e bromélias;
- caça e contrabando de animais nativos;
- comparação entre o transporte rodoviário e ferroviário (o que é mais impactante);
- a relação entre a ocupação do espaço natural pelo homem e os animais de interesse médico.
Prepare-se para interagir de maneira direta com todos estes aspectos.
Pelo site do inpe (www.inpe.br)  o sábado, do dia 30 de abril, reserva temperaturas oscilando entre 14ºC e 20ºC, com pouca possibilidade de chuva. Como a sensação térmica do local é sempre menor do que marca de fato o termômetro, recomendamos um bom agasalho e até mesmo uma capa de chuva. Como há possibilidade de aparecimento do Sol, mesmo entre nuvens, não esqueça o protetor solar e o repelente contra insetos.

sábado, 16 de abril de 2016

Concerto de música barroca

Apesar de já não dar mais tempo de curtir uma a apresentação da Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos no Teatro Adamastor, pois a postagem saiu muito próxima do início dela, ainda vale a pena tentar assisti-la na Igreja da Consolação, no próximo dia 23 de abril, às 20h.
Pense na emoção de ouvir Bach, Vivaldi e Haendel na atmosfera do templo católico (só de entrar na igreja, mesmo durante o dia, já entro no clima de séculos atrás).
Quem não conseguir ir no sábado ainda há a oportunidade de conferi-la no domingo, dia 24 de abril (também às 20h) na Igreja de São Luiz Gonzaga, em São Paulo.
Todos tem gratuidade na entrada.
Segue o programa:
Suíte Orquestral nº1 - Johann Sebastian Bach
Concerto Grosso op. 6 nº 3 - George F. Haendel
Magnificat - Antônio Vivaldi
Marina Cyrino, soprano
Sérgio Anders, contratenor
Josival Souza, tenor
Flávio Lauria, baixo
Regência: Emiliano Patarra
Participação especial: Collegium Musicum de São Paulo (regência Nibaldo Araneda).
Segue um vídeo para atiçar a curiosidade e a vontade (Magnificat, Vivaldi)...

domingo, 10 de abril de 2016

Grupo para a Fazenda Nova Gokula

Há um refúgio encravado nas encostas da Serra da Mantiqueira (em pleno Vale do Paraíba), um recanto onde a paz espiritual e a convivência harmoniosa com a natureza, chega ao seu ápice. É a Fazenda Nova Gokula, mais conhecida na região por ser uma comunidade Hare Krishna, que abre a suas portas a visitantes de todas as denominações filosóficas e religiosas.
Uma visita ao seu templo (o maior da América Latina), com a sua beleza e significância, as conversas com os brâmanes e devotos, os mantras, apresentações de danças, um bom bate papo com a bela Maria Stella Splendore (ou Sri Splendore, uma ex-modelo e socialite de renome internacional na década de 70, que hoje está na comunidade, convertida já há algum tempo ao Vaishnavismo), trilhas na mata e no rio (de águas cristalinas, que inclusive é um convite a um banho refrescante e muito estimulante), almoço vegetariano (com a fartura tradicional dos devotos), prática de yoga e um bom lanchinhoda tarde (com as famosas coxinhas de jaca) fazem parte da nossa proposta para o domingo, dia 17 de abril, na fazenda.
Vai sobrar um tempinho também para as compras de lembrancinhas da cultura indiana, para fazer uma boa massagem (o pacote não inclui este item) e meditar entre as árvores da mata que já está sendo reconstituída há algumas décadas.
Mágico, introspectivo, estimulante e revigorante...
Sairemos de Guarulhos, com a equipe Trilhas e Imagens (trabalho que eu faço com o amigo e fotógrafo Leandro Zermiani), às 7h da Alameda Yayá, próximo ao Colégio Augusto Ruschi. O valor de adesão é R$ 150,00 e há necessidade de inscrever-se (mande uma mensagem para leandro@leandrozermiani.com).
Com certeza, será um domingo bem diferente e mágico...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Exposição "Territórios: artistas afrodescendentes no acervo da Pinacoteca"


Desde dezembro no prédio da Estação Pinacoteca (aquele anexo maravilhoso que abriga parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo) acontece a exposição "Territórios: artistas afrodescendentes no acervo da Pinacoteca". Fica até o dia 17 de abril.
Vale a pena dar uma conferida e se impressionar com a riqueza produzida por artistas fantásticos, desde o século XVIII até os dia atuais (todos os trabalhos pertencem ao acervo da Pinacoteca).
Ela está organizada em três partes distintas, que não se relacionam em termos estéticos, mas sem contudo ser impossível buscar uma relação entra elas... Logo que descer do elevador, no quarto andar do prédio, procure começar pela sala localizada do lado esquerdo (esta recomendação é dada pela própria curadoria) onde está a parte mais contemporânea da mostra, denominada "Matrizes Contemporâneas", com instalações geniais de Rommulo Vieira Conceição (obra "Estrutura dissipativa/Gangorra), a sobreposição de tecidos do Brasil e África do Jaime Lauriano (denominada Êxodo), a genial "Parede de Memória" de Rosana Paulino, onde vários patuás que vistos de longe parece um tecido único.
Na próxima sala (chamada de "Matrizes Europeias", com muitos exemplos da arte acadêmica dos séculos XIX e XX), você será recepcionado por duas esculturas do mestre Valentim (Valentim da Fonseca e Silva, mineiro que viveu e produziu obras fantásticas na cidade do Rio de Janeiro, nos séculos XVII e XVIII). Vendo as suas peças em bronze, não consigo entender como é ainda desconhecido pela maioria dos brasileiros (que deste contexto histórico só se recordam do também genial Aleijadinho). Há também obras do Miguelzinho Dutra com os seus retratos de paisagem, como a "Vista da Cidade de Itu" (de 1851), Arthur Timótheo da Costa, com o seu autorretrato, pintado em 1908 e adicionado ao acervo da Pinacoteca somente em 1956 (é a primeira obra de um artista negro a integrá-lo, já na década de 50).
Por fim , na última sala aprecem as "Matrizes Africanas", onde a simbologia impera, em obras mágicas e muito lindas... Rubem Valentim, Octávio Araújo e o importante Emanoel Araújo (primeiro diretor negro da Pinacoteca e criador do Museu Afro Brasil do Ibirapuera) mostram a beleza da sua produção.
Vale a visita!!!!
É sublime!!!!

Servico:
Exposição "Territórios: artistas afrodescendentes no acervo da Pinacoteca"
Local: Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66, na Luz) - Metrô Luz
De quarta a segunda das 10h às 18h (ingresso: R$ 6,00)
Até o domingo dia 17 de abril de 2016


domingo, 6 de março de 2016

Filme: "Filho de Saul"

Neste final de semana fui conferir o longa "Filho de Saul" (Saul Fia), no Reserva Cultural (além deste cinema também aparece em cartaz no Espaço Itaú Augusta e no Caixa Belas Artes, todos na cidade de São Paulo).
Premiado e sucesso de crítica não me decepcionou. Com a sua tomada sui generis, parecendo a todo momento que vemos a cena sob a perspectiva da personagem central (quase uma selfie) deixa a imagem já monstruosa da Segunda Guerra Mundial, ainda mais dolorosa. Inclusive, a câmera só se afasta dele na cena inicial e no final do filme.
Um judeu trabalha em um campo de concentração nazista como sonderkommando (um trabalhador judeu recrutado e separado dos demais que fazia serviços para os alemães e que depois seria também executado), ajudando na limpeza das câmaras de gás e na retirada dos corpos das execuções dos alemães, até que entre um deles encontra o de um garoto.
A partir daí, o filme se desenrola na sua tentativa insana de dar um enterro digno ao garoto, dentro das tradições judaicas.
É impressionante o semblante do protagonista durante todo o filme, com uma ligeira mudança apenas no seu final.
Impossível sair do cinema sem se indignar com as atrocidades e horrores causados pelos seres humanos contra a sua própria espécie.
Sinceramente, assistindo a reações e situações que ultimamente tem acontecido no nosso país e no mundo, mais o que tenho visto nas redes sociais (com os comentários raivosos de uma parcela de internautas), sequer me dá a esperança que estes horrores da Segunda Guerra Mundial estejam restritos a uma história que passou e que nunca mais se repetirá.
O passado deveria servir de exemplo para nos lembrar do quanto cruel e traiçoeiro é o ser humano. O quanto mal ele pode causar em nome do conceito de superioridade étnica e religiosa.
Que continuemos lutando contra tudo o que nos separa e divide. Contra tudo o que nos deixa ainda mais distantes economicamente e socialmente. Isso sim gera as guerras e as suas atrocidades. E o nosso país não está livre deste mal, pois ódio há de sobra na nossa população.
"A crueldade está em todos nós..."

Serviço:
"Filho de Saul"
2015 - Drama - 1h47 de duração.

Sinopse
Outubro de 1944, Auschwitz-Birkenau. Saul Ausländer é um membro húngaro do Sonderkommando, o grupo de prisioneiros judeus isolados no campo e forçados a assistir aos nazistas com sua máquina de extermínio de larga escala. Enquanto trabalhava em um dos crematórios, Saul descobre o corpo de um menino que ele assume como sendo o de seu filho. Enquanto o Sonderkommando planeja uma rebelião, Saul decide realizar uma tarefa impossível: salvar o corpo do menino das chamas, encontrar um rabino para recitar o Kadish dos Enlutados e dar ao menino um enterro digno.
Direção: László Nemes
Elenco: Géza Röhrig, Levente Molnár, Urs Rechn, Sándor Zsótér, Christian Harting.
Oscar de melhor filme estrangeiro.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Roteiro dos Bandeirantes

Conhecer uma parte dos caminhos históricos feitos por homens que desbravaram o interior do nosso país é o objetivo do Roteiro dos Bandeirantes. O rio sempre foi uma verdadeira “estrada”, por onde os barcos das expedições (que eram conhecidas como monções) navegavam em busca de riquezas, escravos indígenas e informações sobre o território desconhecido (pouco explorado pelos portugueses).
Além da parte histórica, há uma discussão ambiental/ecológica sobre o atual estado de degradação do Rio Tietê, com as suas causas e consequências para a população em geral. É uma bela oportunidade de entrar em contato com geografia peculiar do “vale do Tietê”.
Santana do Parnaíba com o seu pequeno centro histórico bem preservado (há casas dos séculos XVII, XVIII e XIX), igreja, museu Casa do Anhanguera e praça com coreto fornece um cenário bem propício para conversas sobre a importância do bandeirantismo e a figura polêmica dos principais bandeirantes.
Pirapora do Bom Jesus com o seu forte apelo religioso, onde outrora havia passeios de barcos pelo rio, dá a verdadeira sensação de descaso que tivemos com o nosso patrimônio hídrico, com um nível de poluição que incomoda os visitantes e traz prejuízos econômicos e sociais para a cidade.
Depois, seguindo pela Estrada Parque depara-se com uma mudança de paisagem, onde a estrada acompanha a sinuosidade do rio, com longos trechos de mata nas encostas de vale da Serra do Japi. Infelizmente, a famosa espuma que flutua no Tietê ainda continua visível nas pequenas barragens e corredeiras deste trecho.
A chegada em Itu coloca o grupo em contato com a “terra dos exageros”, onde pode-se comprar algumas lembranças (souvenires) de artigos com um tamanho maior que o habitual (bem característicos da cidade) e conhecer um dos maiores patrimônios geológicos do nosso país, o Parque dos Varvitos. O seu centro histórico, com a Igreja da Candelária, Museu Republicano e praça com coreto são bem interessantes também.
Após o almoço, duas opções podem complementar o estudo: uma visita à cidade de Salto, com uma última observação do Rio Tietê e um memorial que fecha o entendimento da sua importância para o nosso estado e país ou então uma ida à cidade de Porto Feliz, local oficial de saída das expedições fluviais de desbravamento do interior do Brasil, com visita ao Parque e Monumento das Monções.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Petar - Parque Estadual Turístico Alto do Ribeira

O Parque Estadual Turístico Alto do Ribeira (ou simplesmente Petar, como é conhecido) fica um pouco mais de 300 Km distante da cidade de São Paulo, nos municípios paulistas de Iporanga e Apiaí, quase na divisa com o estado do Paraná e é uma das mais antigas unidades de conservação do nosso estado (o parque foi criado em 1958).
Tem mais de 35 mil hectares (75% no município de Iporanga) e para quem não tem noção desta medida, entenda que é "bem grande", mas ainda insuficiente para preservação do rico patrimônio natural e espeleológico da região do montante do rio Ribeira do Iguape e adjacências.
Possui vários trechos de Mata Atlântica primária e outros tantos recuperados de antigas fazendas e terras devolutas. A vegetação do local é extremamente diversificada, rica em espécies, que variam desde árvores de tamanho considerável, como as canelas e os cedros, palmeiras (como a juçara) e as lindas e exóticas epífetas (bromélias, orquídeas e lianas). Trilhas bem seguras e sinalizadas conduzem os visitantes pela mata até os rios de águas cristalinas e cachoeiras que cortam a região.
A fauna também é muito rica (inclusive, de pernilongos e mosquitos, rsrs, o que recomendo ir bem protegido com um bom repelente), variando desde insetos, lindas aves com os seus cantos característicos, anfíbios (alguns que só existem no parque), répteis e mamíferos, como os serelepes esquilos (catinguelês), espécies de primatas como os monos carvoeiros e até mesmo o maior felino brasileiro, a onça-pintada, que encontra na extensão do Petar e de outros parques da região (Carlos Botelho, Jacupiranga e Intervales, entre outros), um contínuo de território necessário à sobrevivência da espécie (até hoje nunca vi nenhuma, já que possui hábitos noturnos, mas já fotografamos pegadas delas).
Pela riqueza da fauna, flora, pelos rios límpidos e cachoeiras refrescantes, já valeria a pena conhecer a região, mas ainda existe um outro atrativo que faz da região um dos lugares mais visitados no nosso estado: o Petar possui mais de 400 cavernas catalogadas pela SBE - Sociedade Brasileira de Espeleologia.
A maioria delas não está aberta ao turismo, mas aquelas que podem ser adentradas já justificam o tempo que levamos para chegar até lá.
A minha preferida é a gruta de Santana, considerada a segunda mais extensa do nosso estado e, com certeza, uma das mais lindas do Brasil. É rica em espeleotemas (as formações que vemos dentro das grutas) como travertinos, estalactites (formações pontiagudas que ficam no teto), estalagmites (similares arredondadas, encontradas no chão), helictites, cortinas, entre tantas outras... A visita dentro desta gruta (que não possui iluminação, nem passarelas, como todas as outras do Petar) demora em torno de duas horas e tem que ser acompanhada de monitor ambiental. Também há um limite máximo de visitantes por dia, exigência do plano de manejo e conservação feito para obter a autorização do IBAMA para a sua visitação.
Outras que eu recomendo no Núcleo Santana são a Água Suja (que apesar do nome é acompanhada de um rio bem limpinho em toda a sua extensão), com direito a um delicioso banho de cachoeira no final do seu trecho turístico, a Gruta do Couto, onde entramos por uma "porta" de 10 metros de altura e saímos por uma estreita abertura, que mal cabe o nosso corpo (alguns grupos fazem o caminho inverso) e Morro Preto.
Já no Núcleo Ouro Grosso, é bem legal a caverna de Alambari de Baixo, que leva uma hora de caminhada por uma antiga estrada com um lindo visual da Serra dos Mota e da Serra dos Camargo, até chegar na sua entrada, que possui 10 metros de altura e 20 de largura (bem grande, por sinal). O trecho interno é bem curto e fácil, mas vale a pena a sua saída, feita no leito subterrâneo do rio Alambari, que varia de 1 metro a 1,5 de profundidade, dependendo das chuvas nos dias anteriores. A saída é bem estreita. No mesmo núcleo há a homônima Gruta de Ouro Grosso, sem muitas formações espeleológicas, mas com um grau de dificuldade maior, com escaladas e muita água.
Existem outros núcleos e cavernas abertas aos turistas, mas que exigem maior preparo físico e disponibilidade de tempo. Sobre elas (como a Casa de Pedra, Terminina, entre outras) vou escrever outro post.
É importante lembrar que a entrada no Parque custa 12 reais por pessoa, que há a necessidade de se contratar guias locais credenciados (um para cada oito pessoas), ter o equipamento mínimo para a visitação (capacetes, lanternas, camiseta com manga, calça comprida e tênis adequado) e muita disposição.
Mas, garanto que você nunca mais verá a natureza com os mesmos olhos depois que voltar do Petar. Há o risco de se contaminar e querer voltar por muitas e muitas vezes, principalmente depois que conhecer o outro elemento extremamente rico da região: o ser humano que habita e cuida do local, representado na figura dos guias e monitores ambientais. Muitas histórias, um bom humor e simpatia ímpares, muita cordialidade e vontade de mostrar toda a riqueza ambiental e humana da área. Já tenho muitos amigos, que sempre faço questão de abraçar quando volto com grupos: o Jura (filho da lenda JJ, um dos primeiros exploradores do local), Ditinho (quilombola com histórias deliciosas), Hudson, Alex, o Preto (da Pousada das Cavernas), entre tantos outros.
Quem quiser também pode visitar os vários quilombos que existem em todo o vale (eu recomendo o Ivaporunduva, que possui melhor infra-estrutura). Ou então, descer o tranquilo Rio Betary em boias (boia-cross).
Inclusive, nós da "Trilha e Imagens" (projeto meu e do fotógrafo Leandro Zermiani) e Via Franca Turismo (a minha agência) estamos sempre na região, com grupos de amigos e aventureiros. O próximo sairá de Guarulhos na noite do dia 11 de março (6ª feira), ficando até o dia 13 (domingo), com retorno após o almoço.
Interessados entrem em contato com leandro@leandrozermiani.com
E vamos a mais uma aventura!!!!!!!!!!!

Observação: foto que ilustra a matéria by Leandro Zermiani (Trilhas e Imagens) e mapa retirado do site da Ecocave.


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Passeando pelo centro velho de São Paulo

Muitos paulistanos conhecem muito bem o centro antigo da sua própria cidade.
Vários deles trabalham nele ou passam algumas vezes no local, por semana, para resolver algum compromisso pessoal ou de trabalho.
Mas, mesmo estas pessoas, muitas vezes não prestaram atenção na riqueza de detalhes e na beleza estética que possui este local da metrópole.
Por isso, vários grupos se reúnem para fazer roteiros turísticos pelas principais ruas e monumentos do centro velho...
Tem a gostosa sensação de "sentir-se turista na sua própria cidade".
Amanhã (dia 21 de fevereiro) um amigo fotógrafo e eu, estamos montando o nosso próprio grupo espontâneo para trocar informações sobre a parte histórica da cidade e também sobre fotografia no dia a dia (aquela feita com o nosso celular).
Marcamos o encontro nas catracas do Metrô da estação São Bento (nada mais paulistano que se encontrar nas catracas do metrô, rsrsrs) e, a partir de lá, vamos circular e conhecer alguns detalhes pitorescos da nossa cidade.
Não é pretensão dizer que usamos praticamente todos os nossos sentidos neste tour... Desde o sabor de um bom cafezinho em alguma das cafeterias mais tradicionais do local, passando pela textura das suas diferentes construções, sentindo aromas nem sempre agradáveis (que são frutos da grande desigualdade que é bem visível naquele local), sons de artistas de rua, carros e as belas vistas que conseguimos nos seus mirantes mais conhecidos.
Amanhã, vamos priorizar os aspectos de ocupação e crescimento da cidade, desde os jesuítas até os grandes fluxos de migração interna.
No Pátio (ou Páteo) do Colégio descobriremos uma vila que teve um crescimento ínfimo até a segunda metade do século XIX (em 1890 a cidade possuía apenas 70 mil habitantes), mas que depois do crescimento econômico gerado pela lavoura cafeeira, atraiu muitos imigrantes principalmente italianos (que eram chamados de "carcamanos" pelos locais).
Na região, é possível conhecer algumas das edificações mais antigas da nossa cidade, como a casa número 1 (onde funciona o Museu da Cidade, seçõ conhecida como "Casa da Imagem", que guarda nas suas paredes um mapa muito antigo do local) e o "solar da Marquesa de Santos" (que teve entre tantos proprietários a dona Domitília de Castro e Canto Melo, a Marquesa de Santos), com suas histórias de festas e saraus que agitavam a provinciana vila na metade do século XIX...
Dali, seguiremos pela rua XV de Novembro passando pelos fundos do Centro Cultural Banco do Brasil (que fica na Rua Álvares Penteado, 112) que está recebendo uma significativa exposição do genial artista holandês Mondrian (criador do neoplasticismo). Se tivermos sorte e pegarmos uma fila pequena podemos até subir e conferir algumas das suas obras.
Voltando na rua XV vamos observando a variação arquitetônica do local, com a desconstrução e reconstrução de estilos que forem se sucedendo na medida que o capital ia sendo injetado na cidade e também fruto do enriquecimento de muitos imigrantes da época, que investiam parte dos seus recursos no campo imobiliário (muitos deles nos presentaram com a beleza do ecletismo italiano, facilmente observável e identificável neste nosso tour).
Com o crescimento industrial de São Paulo, que foi o responsável direto pelo "boom" da expansão urbana e demográfica da capital, os estilos foram se sucedendo, chegando a Art Nouveau (pronuncia-se "aʁ nu'vo"), a Art Déco, a Arquitetura Fascista e outras mais modernistas.
Paramos no emblemático Edifício Martinelli, chamado de "bolo de noiva" pelo escritor Oswald de Andrade e, se for permitido (já que as visitas estão suspensas pela prefeitura), subiremos para observar parte da cidade pelo seu mirante (localizado no 26º andar). Várias histórias interessantes fazem deste local uma das mais comentadas e intrigantes edificações da metrópole.
De lá, seguiremos pela rua São Bento, passando pelo Largo do Patriarca, Viaduto do Chá (com a sua bela vista para o degradado Vale do Anhangabaú) e Theatro Municipal (que infelizmente está fechado para visitantes, no domingo)...
O almoço será no Shopping Light, também localizado em um prédio histórico, inaugurado em 1929 (o edifício Alexandre Mackenzie, que foi sede da Companhia canadense São Paulo Tramway, Light and Power Company ou simplesmente "Light" que foi responsável pela iluminação da cidade entre 1899 e 1981).
Valendo-se do ditado "barriga cheia, pé na areia", depois do almoço finalizaremos o nosso tour na Praça da Sé. Para chegarmos lá iremos pela famosa rua Direita, onde poderemos observar o interessante edifício Ouro Para o Bem de São paulo, construído com recursos obtidos pela doação de bens (ouro, principalmente) das famílias mais tradicionais da elite paulistana no contexto da Revolução Constitucionalista de 1932.
Na Praça da Sé, o nosso objetivo é adentrar a famosa catedral, inaugurada inacabada em 1954 (ainda não tinha as suas torres) e, se tivermos sorte, conhecer a sua cripta (uma espécie de capela subterrânea onde guardam os restos mortais dos arcebispos, bispos e personagens históricos), pois ela fica aberta até às 15h.
O Cptec/Inpe e o Climatempo dão como previsão para o domingo, uma manhã ensolarada e possível chuva à tarde (que acredito não irá atrapalhar a nossa caminhada).
Então, quem quiser compartilhar conosco, muitas experiências históricas, culturais e geográficas, nos encontre nas catracas do metrô São Bento às nove da manhã...
E vamos explorar São Paulo...

Obs.: imagem da catedral by Leandro Zermiani (Trilhas e Imagens)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

"Spotilight - Segredos Revelados" e o jornalismo verdadeiro

Ontem assisti o filme "Spotilight - Segredos Revelados" e saí do cinema bem indignado...
Apesar do tema da película já ter motivo suficiente para isso, pois trata da pedofilia de padres católicos na tradicional diocese de Boston, nos Estados Unidos (acho que o tema ficou mais chocante no chileno "O Clube"), confesso que o que me fez mais pensar foi a questão do quanto é importante para um país democrático, o jornalismo independente e investigativo.
A história do filme é verídica e bem conhecida, pois resultou em vários processos contra a igreja nos Estados Unidos, já que trata de jornalistas que mesmo com a pressão de pessoas ligadas à Igreja Católica na conservadora cidade de Boston, investigaram casos de pedofilia e denunciaram não só o abuso dos padres como também a omissão da instituição religiosa em coibi-los (o cardeal da cidade foi o principal acusado da negligência da igreja em coibir os casos citados). Um dos editores do jornal durante o processo de investigação dos jornalistas lembrou que 53% dos assinantes do jornal eram católicos e não poderiam receber muito bem a matéria, mas mesmo assim levaram a cabo a tarefa.

Desde adolescente, leio jornais e me lembro da expectativa que tínhamos lá em Franca (eu e as minhas irmãs), em esperar a chegada da "Folha de São Paulo" que o meu pai trazia às seis horas da tarde (ele pegava o jornal da empresa em que trabalhava, depois que todos já o haviam lido), de segunda à sexta-feira... Devorávamos os vários cadernos. Eu tinha até uma sequência de leitura: começava pelo caderno de esportes (que era mais diversificado, não tratava basicamente só de futebol), ia para a Ilustrada (via primeiro os quadrinhos), depois para a parte das Cidades, seguia pelo primeiro caderno (política e "Mundo"), economia e terminava com aqueles segmentados por dia (como teen, informática, viagem, etc, etc, etc)...
Vi mudanças que ocorriam no Brasil e no mundo através da leitura do jornal... Ficava com os dedos pretos de tinta com o folhear das páginas...
Já, em São Paulo, na década de 90 comprava o jornal todos os domingos (cheguei a formar um Atlas com fascículos dominicais) e ficava emputecido quando acordava mais tarde e não o conseguia (chegava a esgotar, mesmo com tiragens de quase um milhão de exemplares)!!!!!
Uma de minhas irmãs, inclusive, queria ser jornalista... Chegou a prestar vestibular na Unesp para o curso de jornalismo, passou, foi com os meus pais para Bauru, fez a sua matrícula, conheceu o campus local, mas ao conversar com alguns professores do curso foi desestimulada a continuar (fez direito, depois, e hoje trabalha na justiça federal).
Hoje, sinto falta desta rotina e confesso que até tento folhear os jornais (Folha e Estadão) que estão sempre disponíveis em uma mesa na sala dos professores da escola que eu trabalho. Tento, mas não consigo mais...
Me deixa enojado o quanto uma parte significativa de jornalistas e grupos de mídia estão ligados a interesses de grandes grupos e o defendem abertamente, sem pudor. Não vou ser ingênuo de colocar que antes não existia isso, que o jornalismo era neutro, etc e tal, pois sei que nunca aconteceu a verdadeira liberdade de se expressar em grandes veículos de comunicação, mas ainda existiam correntes que destoavam... Lembro-me até da figura do ombusdman que criticava abertamente os excessos do próprio jornal. E hoje, este tipo de "mea-culpa" desapareceu? Ficou escondido? Por que será que os jornais não fazem mais isso? Por que publicam na sua seção de cartas (sim eu ainda leio a opinião de terceiros, rsrsrs) apenas aquelas que correspondem à "sua linha editorial"? Muitas pessoas já me disseram que mandaram emails para as redações contestando algumas publicações, discordando da opinião de certos jornalistas e nunca foram publicadas ou respondidas.
Nós precisamos, urgentemente da mídia independente. Daquela que denuncia TODAS as falcatruas e desmandos do poder político (e não apenas de um partido que já está afundado em corrupção)... Que não esconde os casos de partidos e políticos que atendem os interesses dos seus mantenedores, que não manipula a opinião da população, que corta a própria carne...
Até quando os grandes anunciantes vão continuar poupados das investigações jornalísticas?
Muitos jornalistas pagaram com a própria vida pela verdadeira democracia, pela liberdade de expressão e imprensa (ah, Herzog...). Morreram em vão??????
Fica aqui o meu protesto e meu pedido: pela volta do jornalismo independente e investigativo. E isso cabe ao jornalista, pois se depender da "pessoa jurídica", do grande grupo de comunicação, jamais haverá esta retomada...
Jornalistas, sejam rebeldes... Iniciem uma revolução na mídia brasileira... E, por favor, me proporcionem a volta do prazer de sentar no domingo de manhã e devorar um bom jornal, enquanto tomo o café da manhã (às vezes, parecia que ele tinha tinha a mesma temperatura do pãozinho, bem quentinho).
De tudo isso, ressalvo que também gostaria de ver a mídia televisiva no mesmo patamar de neutralidade, mas confesso que sei que duas vidas seriam insuficientes para tal...

PS.: aind hoje eu passo para os meus alunos aquela propaganda da Folha de São Paulo que mostra o Hitler... O lema era "é possível contar uma grande mentira só dizendo verdades"... Pois é, Folha, pois é...