Via Franca

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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Exposição "Ready Made in Brasil" termina neste domingo

Como eu amo arte conceitual, principalmente a "readymade" (ou objet trouvé) que a antecede, fiquei maravilhado com a exposição que termina neste domingo (dia 11 de fevereiro) na Galeria de Arte do Centro Cultural da Fiesp, lá na avenida Paulista...

Ela conta um pouco do panorama da influência do readymade na produção artística brasileira, introduzida basicamente após a década de 60, mais de 40 anos depois da apresentação da famosa obra  precursora deste estilo, "Fonte" (Marcel Duchamp, 1917), no Salão dos Artistas Independentes de Nova York. Inclusive já bem conhecido na época, o autor assinou como R. Mutt, sendo praticamente ignorado pela curadoria daquela mostra. Só para lembrar, "Fonte" é na realidade um mictório que procurava questionar o próprio sistema da arte vigente naquele momento... Introduzir objetos comuns, muitos deles resultado de uma produção industrial em massa, sem um valor estético específico, como obras de arte, em locais de exposição e galerias era, de fato, revolucionário e marcou a evolução de diversas escolas e tendências em todo o século XX (eu acredito que até hoje acontece isso)...
Para Duchamp "será arte tudo o que eu disser que é arte"...
Há na internet vídeos de uma galera tentando descaracterizá-la como representação artística, que ajudam na antipatia que muitos nutrem sobre ela, mas que só podem ser rebatidos a partir do momento que conseguimos entender o porquê do seu surgimento no começo do século XX... Os artistas, inclusive, que nutriam certa admiração pela ideias anarquistas (como as do russo Bakunin), as aplicavam sobre a máxima de que "a destruição também é criação". Daí surgiram discussões sobre o próprio conceito de civilização, já que ocorriam milhões de mortes na incompreensível primeira guerra mundial. O movimento "dadaísta" (que é a base do readymade) surgiu, inclusive, no início do conflito, com a proposta de chocar o público mais ligado a valores tradicionais e libertar a imaginação via destruição das noções artísticas convencionais.

Inclusive, as duas primeiras intervenções da readymade duchampiana estão representadas na obra de Nelson Leirner, na exposição do centro cultural doSesi-Fiesp... Quase cem anos depois o artista paulista introduziu elementos bem atuais na "Roda de Bicicleta" e "Escorredor de Garrafas" do francês...
Duchamp Bike II
Há também na exposição, do mesmo Leirner, uma releitura da ideia de Duchamps em acresecentar elementos no quadro da Mona Lisa, feitos em 1919 (no caso, "Quadro a Quadro - Cem Monas, de 2012)... Interessante o acréscimo de alguns elementos bem extravagantes e coloridos, que sobressaem ao objeto principal do nosso olhar, que seria a própria Gioconda.



Na mostra há também artistas que aprendi a admirar como a mineira Lygia Clark, que, inclusive, abdicou do rótulo de artista, preferindo ser chamada de "propositora", com a "Estruturas de Caixas de Fósforos" (de 1964), Cildo Meireles que conheci o trabalho no Museu do Inhotim (MG), amando-o, logo de cara (em São paulo está "Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca Cola, de 1970), o impagável Guto Lacaz, com a sua arte performática e bem extravagante (até hoje me lembro da "Lata de Óleo Maria Procurando Pizza", que vi em uma entrevista muito antiga, rsrs), da Lygia Pape, com a Casa Volpi (Apropriação - Homenagem a A. Volpi, de 2003), onde a signatária do Manifesto Neoconcreto propõe um diálogo entre a obra e o espaço, com a apresentação de uma fotografia em grande escala promovendo a aproximação entre "o lugar da arte e o mundo real", entre tantos outros expressivos representantes da readymade brasileira...
Corram (adoro isso, rsrs), pois como já havia escrito, termina no dia 11 deste carnavalesco mês...
Serviço:
Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp
Av. Paulista, 1313 - São Paulo (SP) em frente à estação Trianon-Masp do metrô
De terça a sábado, das 10h às 22h e domingo das 10h às 20h.
Mais informações no site www.centroculturalfiesp.com.br
Leirner, Xeque Mate, 2012
Lacaz, Lógico Equilíbrio
Cildo Meireles, Inserções...





Lygia Pape, Casa Volpi
Lygia Clark, Estruturas de Caixas de Fósforos

"A visita da velha senhora", no Teatro do Sesi


Ontem fui conferir no Teatro do Sesi, lá na avenida Paulista, a encenação bem humorada (e com boas reflexões) da peça "A visita da velha senhora" de Friedrich Dürrenmatt, que é descrito pelo diretor desta montagem aqui no Brasil, Luiz Villaça como "um mestre inquieto, mestre em dramaturgia, mestre no humor, mestre em causar incômodo, onde cada linha do texto nos diverte, faz sentido em nossos dias e nos atira num paredão de sentimentos..."
Com um time respeitável de atores já muito consagrados nos palcos brasileiros, tem no elenco a irriquieta Denise Fraga (a sua atuação sempre me impressiona), Tuca Andrada, Ary França (com a mesma intensidade que tinha nos tempos do Ornitorrinco), Fábio Herford, que representa o prefeito e que nos ciceroneia na entrada do teatro, agindo como um bom político populista, David Taiyu (que representa cinco personagens diferentes, fato comum na peça), Maristela Chelala, Romis Ferreira, Edurado Estrela, Beto Matos, Renato Caldas, luiz Ramalho e Rafael Faustino.
O figurino vale um parágrafo à parte, rsrs... Como vários atores trocam de personagem todo o tempo, as trocas de roupa também são muito comuns. Inclusive, parte delas acontecem no próprio palco, já que compõem a cenografia (que também é bem interessante), espalhadas em uma arara no fundo do palco. Tirando os exageros de detalhes e cores da personagem principal, que é bilionária e bem kitsch, são rotas e apagadas, com uma pegada bem vintage (parecem ter saído de um brechó). Fiquei maravilhado com algumas peças e também adorei os seus desenhos no catálogo que é distribuído na entrada do público pelas mãos dos atores (muito comum nas peças da Denise).

A história escrita em 1955, mas extremamente atual, narra a visita de uma multimilionária à sua terra natal, Güllen, um pequeno e falido povoado na Alemanha, que conta com a benevolência da "sua filha mais ilustre" para que possa reexistir economicamente e socialmente... Eles esperam uma super doação financeira para reestruturar a pequena cidade. Mas, para surpresa geral, a "velha senhora" só vai liberar o dote de um bilhão (metade para a prefeitura e a outra metade para ser dividida por cada família) se o seu antigo namorado, que a abandonou bem jovem e grávida, for assassinado. A princípio, óbvio, a proposta é negada unanimemente pelos seus moradores, já que Alfred Krank, o alvo hipotético, é uma figura querida pelos mesmos. Mas, ao decidir-se ficar hospedada na cidade com o seu séquito, a senhora em questão, Claire Zahanassian (a outrora desprezada Clarinha) força os cidadãos a repensarem a sua posição. A partir daí uma sequência tragicômica toma conta das cenas, já que Güllen começa a enxergar a situação com "outros olhos", expondo ao máximo a fragilidade moral dos seres humanos quando o assunto é dinheiro. A cidade cumprirá o desejo de vingança da multimilionária (enxergando como "justiça")? Ou seguirá com os princípios éticos e morais da sua primeira decisão ("humanismo" nas palavras do professor do ginásio)? O dinheiro prevalecerá sobre a ética?

Fantástica abordagem, que me fez refletir sobre o cenário atual (e antigo também, rsrs) do nosso país, onde somos regidos por grupos que tem interesses bem claros e tem na arte da manipulação (associada à fragilidade das nossas virtudes) uma forma de nos enquadrar.
Reproduzo aqui um trecho do texto escrito pela Denise Fraga retirado do libreto da peça que achei bem interessante... "Uma obra prima da dramaturgia que, com humor e ironia, vai pouco a pouco escancarando a nossa hipocrisia e fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. que espécie de gente somos nós? Até onde nos vendemos para poder comprar? Como nos manter fiéis a nós mesmos nesta sociedade que inventamos viver onde o que vale é o que rende? Uma sociedade que cria monstros corrompidos pela ganância, que se tornam capazes até de travestir os seus interesses em discursos de amor ao próximo. Que tempos esquisitos estamos vivendo! Como manter viva a nossa esperança?"
Como disse, no início, vale a pena conferir... E é de graça! Há sempre uma retirada pequena de ingressos na bilheteria (geralmente uns cinquenta lugares) no dia da apresentação, mas o grosso dos convites é distribuído mediante um cadastro no site do Sesi, com direito a duas entradas por CPF (www.sesisp.org.br/meu-sesi).
As apresentações são de quarta a sábado, às 20h, e domingo às 19h. São 120 minutos de peça e é recomendada para maiores de 10 anos.
Ah, e vai até o dia 18 de fevereiro.

Serviço:
Teatro do Sesi (prédio da Fiesp)
Av. Paulista, 1313, na saída do metrô Trianon-Masp - São Paulo (SP)
Fone: 0800 55 1000 ou www.centroculturalfiesp.com.br
Reservas para grupos de Ongs, associações, Escolas, etc, ligue no (11) 3346-7439

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Restaurante La Central - culinária mexicana


Eu adoro a culinária mexicana, desde aquelas texmex tradicionais até mesmo as de fast foods. Mas, também procuro os restaurantes tradicionais, sem aquela pegada de festa do "dia dos mortos", mariachis e outros estereótipos já conhecidos por quem frequenta lugares comuns desta procedência...
Fui conferir um bem legal, dias atrás, com a minha esposa (que também adora as iguarias da terra do "seu Madruga"), inaugurado e 2014 no térreo do curvilíneo Edifício Copan e que estava mal avaliado pela VejaSP (aí que me deu mais curiosidade em conhecer, rsrs).
Gostei de cara do seu nome, "La Central", e da decoração mais clean.

O seu cardápio não é exagerado, contendo o básico para satisfazer os paladares mais diversificados. Há também bons drinks (além das variações de misturas de Tequila, tem um saboroso Pisco Sour, que recomendo) e acréscimo de alguns pratos no menu de domingo.

Optamos por tacos de "carne a la plancha" na entrada (R$ 20,00) e como pratos principais (são individuais) escolhemos o Picadillo La Central, que parece um PF com carne moída com chile, ovo, purê de feijão, milho, totopos (tortillas fritas estilo Doritos), queijo fresco ralado e banana frita (R$ 40,00) e Fideos de La Casa que é um macarrãozinho mexicano com chile, coentro, abacate, queijo fresco, parmesão e creme azedo (R$ 39,00). Confesso que fiquei estremecido pelo "Fideos al Mar", um macarrão bem fininho com tomate, coentro, lula, polvo, camarões, abacate e crispis de alho poró (R$ 51,00), que vai ficar para uma próxima visita..

Os churros de sobremesa são bem fininhos e compridos e vem com duas canequinhas de doce de leite e chocolate com pimenta como acompanhamento (R$ 20,00).
Recomendo e apesar de não ter dado muita sorte com o atendimento, acho que deve ter sido algo pontual, já que um dos atendentes foi muito cordial e solícito (não acontecendo o mesmo com os outros que nos atenderam).

Serviço:
Avenida Ipiranga, 200 - Edifício Copan - Loja 48
Centro - São Paulo (SP) - próximo ao Metrô República
Fone: (11) 3214-5360

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Assinaturas para a temporada do Theatro Municipal de SP


Já estão abertas as assinaturas para as temporadas de espetáculos no Theatro Municipal de São Paulo.
Como sempre escuto dos amigos aquelas frases "noooossa, não fiquei sabendo... quando você fizer a sua compra, me avise..." entre tantas outras desculpas (fui bem chato aqui, reconheço, rsrs), resolvi fazer um pequeno texto no blog sobre isso.
Como sou frequentador assíduo e amo óperas, já fiz a minha assinatura para o pacote de meio de semana com quatro apresentações ao longo do ano. Mas, além delas também há a possibilidade de adquirir pacotes para espetáculos de dança do Balé da Cidade de São Paulo e de concertos da Orquestra Sinfônica Municipal (OSM). E um lance muito legal, pois podem ser feitas combinações entre ópera mais dança, OSM mais dança e ópera mais OSM...
Quem não teve ainda a oportunidade de apreciar uma apresentação no "Municipal" (como é chamado quase que intimamente pelos seus frequentadores, rsrs) tá aí ela...
No meu pacote há "La Traviata" (Verdi), em maio, "O Cavaleiro da Rosa" (Strauss), em junho, "Pelléas et Mélisande" (Debussy), em outubro e a fantástica "Turandot" (Puccini) em novembro.
A classificação indicativa é de 10 anos.
Mapa de assentos ainda disponíveis na tarde de 01 de fevereiro (em verde) no Setor 1
Só para ter uma ideia de valores, a minha opção foi em dias de semana ( três quartas-feiras e uma quinta-feira) e paguei R$ 501,60 em cinco vezes por um ótimo lugar no Setor 1 (bem no meio da plateia). Há a possibilidade de meia entrada também, o que torna o evento ainda mais acessível.
Existem ainda muitos lugares disponíveis, mas somente para assinaturas de pacotes. Ingressos avulsos serão vendidos após o dia 28 de fevereiro...
E "nessum dorma" (ah, trocadilho infame, rsrs), pois os melhores assentos esgotam bem rapidamente...

Serviço
Theatro Municipal de São Paulo
Praça Ramos de Azevedo s/n - Centro - São Paulo (próximo ao Metrô Anhangabaú)
Fone: (11) 3053-2100 ou 3053-2090 (bilheteria)
A bilheteria funciona de 2ª a 6ª das 10h às 19h e aos sábados e domingos das 10h às 17h.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Aperol Spritz


Dica de um aperitivo bem refrescante e saboroso: Aperol Spritz...
Experimentei pela primeira vez quando fui para a Itália e curti muito ao ver anos depois nos bares e restaurantes aqui de São Paulo. Há anos atrás era difícil encontrar este biter que é a base do drink, mas hoje pode ser encontrado em qualquer supermercado de grande porte, pois passou a ser produzido e distribuído pela Campari do Brasil.
Mistura o amargor das raízes que o compõe com uma doçura que fica no final do paladar... E, claro, tem uma cor alaranjada que é extremamente chamativa.
É fácil fazer. Misture três partes de um espumante (eu gosto de colocar Prosecco), duas do Aperol e uma de água com gás ou club soda (o nome da bebida vem da associação á gaseificação da mesma). Muito gelo e uma fatia de laranja completam o visual. Gosto de colocar em uma taça bem grande de vinho tinto.
Óbvio que só para maiores de 18 anos (o teor alcoólico do Aperol é de 11% e o dos espumantes podem também chegar a este percentual)...
E "salute a tutte le brave persone"!!!

sábado, 27 de janeiro de 2018

"Travessias Ocultas" no SESC Bom Retiro

Para quem ainda não definiu o que fazer  neste final de semana, segue aí uma dica bem legal.

O SESC Bom Retiro abre hoje, sábado, a exposição "Travessias Ocultas - Lastro Bolívia" que mostra trabalhos resultantes de uma residência artística ocorrida entre dezembro d 2016 e janeiro de 2017 nas cidades de Santa Cruz de La Sierra, Samaipata, La Paz e Isla Del Sol, feita por artistas do Ceará, São Paulo, Minas Gerais e até uma suíça sob curadoria geral da carioca Beatriz Lemos.

A mostra flana pelo universo da cultura andina da advinhação, da criação fantástica, dos rituais, oráculos, jogos, mapas e calendários. Trabalha temas desde a metafísica local até coisa mais polêmicas como a disputa histórica pelo acesso ao mar e a mudança constitucional que garantiria ao presidente atual um quarto mandato.

Conta com diversas atividades paralelas, ou seja, uma programação feita especialmente para complementá-la.
Hoje, sábado, dia 27 de janeiro, das 11h às 19h vai rolar uma feirinha de comida e artesanato boliviano (com expositores da tradicional feira da praça Kantuta) e apresentação de grupos de músicas e danças folclóricas (eles entram às 12h, 14h e 17h). No domingo a feirinha acontece das 11h às 18h.

Amanhã, domingão, dia 28 de janeiro, das 11h às 14h - oficina tullmas - pompom andino - com Equipe de Base Warmis - Convergência das Culturas. Às 13h30 - apresentação Lakitas Sinchi Warmis. Das 15h às 17h - oficina de flautas Lakitas e às 16h show de rap Santa Maria. (o Lakitas é um coletivo formado por mulheres bolivianas que lutam pela melhoria de vida das imigrantes na cidade de São Paulo atrvés de um movimento de não violência ativa).

O grande barato é que o SESC escolheu a unidade do Bom Retiro para fazer a exposição já que a maior comunidade de bolivianos na cidade de São Paulo encontra-se neste bairro.
Em um período de grandes debates que mostram como muitos paulistanos e brasileiros em geral são xenófobos e racistas, face ao que acontece pela recepção miserável que estrangeiros oriundos da América Latina e África (refugiados ou não) tem recebido na nossa cidade, vale a pena dar uma conferida na proposta desta exposição...

Serviço
Exposição "Travessias Ocultas - Lastro Bolívia" (de 27 de janeiro a 06 de maio)
Sesc Bom Retiro (2º andar) - Grátis
Alameda Nothmann, 185 - Bom Retiro - São Paulo (SP)
Mais informações pelo telefone (11) 3332-3668 ou pelo site www.sescsp.org.br/bom retiro
Está aberto de terça a domingo e psossui estacionamento pago.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Restaurante Fôrno e Casa Mathilde

Ontem dei uma boa volta pelo centro velho de São Paulo, iniciando pela Praça da República e seguindo pela avenida Consolação (a igreja dela sempre me encanta), Praça Roosevelt, Theatro Municipal, Largo do Patriarca (tinha um ensaio de maracatu formado só por mulheres), Centro Cultural Banco do Brasil (a exposição do Basquiat entra no dia 25 de janeiro), Rua São Bento e Mosteiro...
Fui andando aleatoriamente, curtindo a muvuca de um sábado naquela área, observando pela enésima vez a bela arquitetuta do centrão e me deleitando com os artistas da área (o Elvis da Praça Ramos de Azevedo é o meu preferido, rsrs)...
Como um rolê destes tem que mexer com todos os sentidos, inclusive o paladar, resolvi fazer algo bem legal, almoçar em um restaurante bem novo, que eu ainda não conhecia e deixar a sobremesa para outro bem tradicional.

Como amo sanduíche de pastrame (há como não lembrar do Katz's, rsrs) fui conferir o do restaurante Fôrno lá na Vila Buarque... O local é uma mistura de bar e restaurante com uma decoração super descolada, cardápio com poucas opções de comida, mas muitos drinks bem legais e, se não prestarmos bem atenção, passa até desapercebido (é uma portinha com letreiro bem discreto), mas que forma filas no final de semana. Foi aberto no segundo semestre de 2017 e pertence aos mesmos donos do Holy Burguer (já conhecido e que fica a uma quadra dele).
Apesar de chegar cedo, não consegui uma mesa, mas sentar no balcão e "trocar uma ideia" com os atendentes e barman foi muito legal.

Claro que pedi o pastrame (R$ 40,00), que devorei sozinho, mas que daria para duas pessoas... Como já havia bebido um chopp (um APA Madalena), acompanhei o sanduba com uma limonada bem decente... Confesso que vou voltar, talvez não pelo sanduíche (que mesmo assim recomendo), mas para experimentar algumas das pizzas com ingredientes produzidos pela própria casa.
Vale dar uma conferida...

De lá, fiz uma boa caminhada (precisava fazer a digestão, rsrs) e fui para a tradicional Casa Mathilde, que fica em frente ao Martinelli, bem no centrão de Sampa.
Bem conhecida, funciona desde 1850 (já teve vários endereços) e tem os melhores doces portugueses da capital. Nem valeria a pena listá-los, mas os pasteizinhos de nata são campeões. Gosto também do atendimento e só não é legal mesmo o excesso de pessoas no local, mas justificável pela qualidade dos seus produtos...
Por estes e tantos outros motivos, o centro antigo continua me encantando...

Serviço:
Restaurante Fôrno
Rua Cunha Horta, 70 - Vila Buarque - São Paulo (SP)
Fone: (11) 2645-9499 - Funciona de terça a domingo para almoço e jantar

Casa Mathilde
Praça Antônio Prado, 76 - Centro - São Paulo (SP)
Próximo ao metrô São Bento - Fone: (11) 3106-9605
Funciona de segunda a sábado das 9h às 19h30 (sábado fecha às 16h30)


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Money...

Numa sexta-feira modorrenta, da janela do escritório fico observando carros, pessoas e prédios, mas meio invisível surge um palhaço malabarista, quase saído de uma cena vaudeville do século XIX, que assovia e tenta equilibrar malabares chamejantes.
Me absorvo no seu vai e vem, entre carros, pedindo algum trocado pela sua apresentação!!!
Algumas moedas entram na sua mão, outros apenas agradecem o espetáculo e no final, com o semáforo aberto, ele senta e fica absorto, esperando nova oportunidade de ser visto.
Como os meninos prateados estão em baixa, ele é o artista da vez (quem sabe já se purpurinou, no passado)... Invisível... A rua é o seu picadeiro, os carros os seus espectadores...
Corre, aproveita mais um pouco, pois nuvens escuras acinzentam o céu... Corre, que vem chuva!!!!



Gostaria que o dinheiro não nos movesse tanto... Acho que seríamos mais felizes com menos dinheiro e mais calor humano, ardente como a chama da ponta do malabares do palhaço!!! Mas, agora já é tarde... A vida passa ligeira, nos deixando na expectativa das moedinhas que chegam na forma de migalhas...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Dez músicas que mostram a minha vida

Continuando naquela "vibe" de dez isso ou dez aquilo, pensei num lance legal de escolher alguns momentos da minha vida e associar à certas músicas...
Foi uma brincadeira rápida, pois nem pensei muito não, fui associando alguns fatos a determinados ritmos e letras, mas que se pensasse com mais atenção sairiam outras composições, em muitos casos.
Fica o convite para você fazer isso também, mesmo que só mentalmente, rsrs... Curti bastante, até mesmo o que colocar como fatos ou períodos mais relevantes na minha vida.
Ah, pode notar que alguns gêneros musicais que amo não estão aqui, provando que se eu fosse pensar muito mais ou me dedicar de verdade nesta lista, ela seria diferente.
Seguem aí, acontecimentos e respectivas músicas que o ilustram bem, rsrs...

01) A minha infância em Franca - "Flores astrais" (Secos e Molhados).
Pense na psicodelia de ser criado na década de 70, em uma cidade pequena com muitas histórias, medos, multirreligiosidade familiar, sonhos e fantasias que não tinham limites... Criança, éramos todos Ney, rsrs...

02) Minha migração para São Paulo, com vinte anos - "Fotografia 3X4" (Belchior).
Não tem como não lembrar deste clássico do saudoso cearense... Mesmo não "vindo do norte", a transição de Franca para uma cidade global foi assim mesmo. Se a minha vinda do interior para cá foi feita em seis horas num Cometa, a minha viagem de retorno já está demorando vinte e sete anos...

03) Hiato dos vinte e poucos aos quarenta anos - "Flor da idade" (Chico Buraque).
Foi onde deixei de me sentir estrangeiro e me fiz como pessoa (tudo bem que queria ser o Pessoa)... E aquela loucura de "João que amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria..." representa bem esta fase muito marcante da minha vida!!!

04) Todas as minhas viagens - "Simple man" (Lynyrd Skynyrd).
Viajar me transformou... Desde a minha primeira saída para Salvador com amigos de escola, com 16 anos, até a última que fiz para Joinville com a minha neguinha... Conheci mundos, pessoas, me tornei mais crítico e abri a minha mente para um universo de novidades e sonhos (gosto desta palavra, rsrs)... Simple man traz uma letra que nos remete a isso ("aproveite o seu tempo, não viva com tanta pressa, problemas virão e eles irão embora"). Por isso, usei esta e não tantas outras que poderiam representar uma "road life" (resisti ao Steppenwolf, rsrsrs)... Ah, a tragédia que a banda viveu no seu auge não tem nenhuma relação com esta escolha, não...

05) Morte de pessoas muito queridas - "Travessia" (Milton Nascimento).
Entre tantos que se foram, deixo esta parte para mostrar a dor que foi a perda dos meus quatro avós... A saudade é grande!!!! Ter o privilégio de conhecê-los e poder conviver com pessoas tão especiais em grande parte da minha vida é imensurável... Uso a voz do Bituca como homenagem a eles e a todas as pessoas que marcaram a minha vida e que já não estão mais aqui.
PS: até hoje é uma brincadeira com as minhas irmãs a mudança da letra para "solto a VÓ na estrada"...

06) Ser professor - "Todo cambia" (Mercedes Sosa).
Ninguém escolhe conscientemente ser professor se não tiver o ideal de "mudar o mundo", torná-lo melhor, mais humano... Se "tudo muda", que eu possa ter contribuído para que algumas pessoas tenham sido motivadas a enxergar o nosso mundo com olhos críticos. A objetivo da educação é colocar mais interrogações do que certezas absolutas.
Amo o que faço e se voltasse no tempo seria professor novamente... E, tenho certeza, o que vivemos hoje vai mudar e a escola ainda continua sendo o caminho mais fácil para conseguirmos uma sociedade mais justa e harmoniosa!!!

07) Quando entrei nos "quarenta" - "Livin' la vida loca" (Ricky Martin).
Nooooossa, aqui foi punk, rsrs... Despiroquei (com o perdão do termo, rsrs)... Na realidade, entrar nos quarenta foi um pouco antes, quando eu ainda tinha uns trinta e tantos anos. Mudança (sem crises existenciais), mas que me foi apresentada uma vida de total hedonismo... Não existe mais, mas vale como uma lembrança recente, que me levou a conhecer o meu grande amor, a minha esposa... Então, tem que ser Ricky Martin mesmo para representar esta fase!!!!

08) Nascimento dos meus sobrinhos - "Oito anos" (Adriana Partimpin).
Não sou pai e nunca serei, mas não imaginava como é delicioso ser amado de maneira incondicional por duas criaturinhas maravilhosas... Ser tio para mim é o máximo, rsrs. E a Calcanhoto fez uma música deliciosa que traduz bem a minha relação com eles, já que sou bombardeado por milhões de perguntas e recebo como pagamento pelas respostas e brincadeiras milhões de abraços e beijos da Isa e do Bibi... E ainda vai chegar a Duda, por estes meses... Há como ser mais feliz????

09) Quando conheci a neguinha (a minha esposa Eliane) - "I say a little prayer" (Aretha Franklin).
Sim, um grande e verdadeiro amor, muda uma vida... Sou prova viva disso!!!! Perfeita com todas as suas imperfeições, é você, Eli... "Pra sempre e sempre você ficará no meu coração e eu te amarei. Pra sempre e sempre nós nunca nos separaremos. Oh, como eu te amo. Juntos para sempre é como tem que ser. Viver sem você só partiria o meu coração..." Te amo, neguinha... Hoje e sempre.

10) Expectativa para o futuro - "Nessum Dorma" (Pavarotti).
E o que seria da vida se não tivessem as expectativas para a continuidade dela... Nada melhor que esta linda ária do Puccini na voz potente de um tenor para nos lembrar que ficar atentos é fundamental... E que ao amanhecer, VENCEREMOS!!!!
O Brasil vencerá... A humanidade vencerá, basta amanhecer novamente...

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Embu das Artes


Embu das Artes ou somente Embu (o complemento foi aprovado pela população em 2011, através de um plebiscito) é um município de mais de duzentos mil habitantes que fica na região metropolitana de São Paulo, no eixo da Rodovia Régis Bitencourt...
Deixando de lado dezenas de informações técnicas, fica uma muito relevante para todos nós: tem um centrinho que aos domingos fica repleto de banquinhas de artesanato. Soma-se a ele todas as lojas de antiguidades, produtos naturais e alternativos, que faz um simples rolê pelas suas ruas ser uma explosão de cores, sons, aromas e sabores...
Quem não conhece tem que conferir!!!!

Há a necessidade de se destacar que sempre tem muitas pessoas circulando por lá, por isso um pouco de paciência é muito legal. Como eu gosto de aglomerações e daquela muvuca de turistas e transeuntes na sua modorrenta caminhada, sempre me divirto por lá.
Pode-se entrar por vários pontos, mas eu prefiro pela rua Padre Belchior de Pontes, pois gosto de levar umas balinhas de gengibre que encontro logo nas primeiras banquinhas (tem gelinho de gengibre também). Dali já subo a ladeira e posso apreciar o largo da igreja e a bucólica construção em estilo jesuítico que há no local (é também um museu de arte sacra). Sempre há artistas nesta região. Particularmente me chama a atenção uma estátua viva. É o Sabarone que representa uma escultura de barro. Recomendo contribuir para o trabalho dele. Geralmente ele estende a mão... Cumprimente-o e depois me conte o que aconteceu, rsrs...

Dali pode-se descer qualquer uma das ruas e apreciar as dezenas exposições de porcelanas, artesanato, instrumentos musicais, plantas, móveis rústicos, obras de arte, entre tantas outras coisas...

Recomendo procurar a Viela das Lavadeiras, que é linda e muito colorida, por isso também muito procurada para boas fotos... Lá vale a pena ouvir uma boa música ao vivo (sentado em algum degrau mesmo), bebericar algum drink no Empório São Pedro e fazer um click apaixonante em um portal florido...

Há também muitas opções gastronômicas para todos os gostos e bolsos, desde os self services no Largo 21 de Abril ou nas ruas dos arredores (vale a pena dar uma boa pesquisada). Qualquer dúvida procure o CAT - Centro de Atendimento ao Turista que fica no local.
Gosto de chegar e almoçar um pouco mais cedo, pois sempre sobra espaço para um delicioso chá da tarde. Sempre vou na Florbela, que além de ser um tranquilo café, também é uma loja de decoração, com muitos itens vintage e antigos...

Confesso que é difícil sair de lá e também é impossível não levar nada para casa, rsrs... Então, prepare-se e curta um domingo mágico, com muitas sensações e boas histórias para recordar.
Dá uma passadinha no Embu, vai!!!

PS.: uma das coisas que ainda me incomodam muito na feirinha é o comércio de filhotes, bem tradicional. Depois de saber coisas horríveis sobre os maus tratos de matrizes em criadouros, não consigo mais chegar nem perto dos vendedores de pets...