Via Franca

Via Franca
Mostrando postagens com marcador Covid19. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Covid19. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de janeiro de 2021

Covid-19 em Guarulhos


 Hoje, sábado, véspera do importante vestibular da Fuvest, em que muitos participantes à cobiçada e concorrida vaga na USP tiveram a sua preparação prejudicada no ano passado por conta da pandemia, ainda traz uma preocupação muito grande com o crescimento dos casos da Covid-19 no nosso país...

É quase certo que as atividades escolares presenciais voltem nas próxima semanas, em parte, em muitas escolas (inclusive, na que eu trabalho), por isso é premente aumentarmos os cuidados para evitar o retorno da contaminação nos níveis mais devastadores da doença, ocorridos no meio de 2020...

Observando o boletim emitido pela prefeitura de Guarulhos, ontem, dia 08 de janeiro, pode-se comprovar este crescimento preocupante de casos, na nossa cidade (https://www.guarulhos.sp.gov.br/sites/default/files/2021-01/COVID%20Boletim%20semanal%20n.36%2008.01%20-%202020.pdf)...

Notei que, dos 36.951 casos confirmados no município, 60,12% concentra-se na população entre 30 e 59 anos, mas os 1.720 óbitos tem ampla maioria (72,44%) entre os maiores de 60 anos, ou seja, muitos estão levando a contaminação para dentro das suas casas, que está causando a morte de pais e avós, a parcela mais frágil (ao lado das crianças) dos indivíduos...

Estes números deveriam nos levar a refletir sobre o nosso papel, pessoal, individual mesmo, neste processo, já que fica fácil culpar apenas o descaso dos mais jovens em festas e aglomerações clandestinas... O que vi, nos dias que saí para ir ao supermercado ou ao banco (infelizmente, ainda não consigo fazer tudo pela internet), foi uma quantidade surpreendente de pessoas sem máscaras... Então, muito mais suscetíveis à contaminação e transmissão... Não entendo esta resistência!!!! É certo que a proteção facial não impede a circulação do vírus, mas diminui muito as gotículas, que suspensas no ar, aumentam os casos de contaminação...

Parece hercúlea a tarefa de convencimento delas que, inclusive, associam o seu uso à questões ideológicas de esquerda... Sim, por mais absurdo que pareça, até mesmo isso é politizado... Se, pelo menos, o representante político dessa vertente radical transmitisse a importância da prevenção, amenizaria um pouco esta insensatez (ou estupidez).

Esta "segunda onda" (ou a continuidade da primeira, como queiram) será devastadora para vidas e para a economia (alguns só se sensibilizam com questões financeiras)... Até mesmo com o início da vacinação, antes da imunização de pelo menos 70% da população, a melhor atitude ainda é a prevenção radical... Usar máscaras, manter o distanciamento seguro, higienizar muito o corpo e as superfícies de contato, sair de casa somente quando for necessário, nos informarmos apenas em sites confiáveis (como os oficiais, de órgãos públicos e de universidades), não transmitir pânico pelas redes sociais e não divulgar notícias falsas sobre a pandemia... Muitos especialistas defendem, inclusive, o uso de máscaras, por dois anos após o início da imunização...

Quero muito voltar com os grupos de estudo do meio e ecoturismo da Via Franca Turismo (o meu último trabalho com esta atividade foi em março de 2020), mas em primeiro lugar, quero ter segurança para curtir a minha atividade na sua plenitude... E, para isso acontecer, e ao mesmo pouparmos muito sofrimento e muitas vidas, temos que fazer a nossa parte...

Pensa aí...

terça-feira, 23 de junho de 2020

A pandemia e os negacionistas


Por estes dias tenho notado que aumentou a "descrença" de muitas pessoas em relação a contaminação e o poder de letalidade do Coronavírus... Ao mesmo tempo que conheço muitos que estão isolados há mais de três meses, vejo o aumento de reuniões informais, de festas e de uma galera "de bobeira" zanzando em busca de coisa nenhuma. Até entendo que muitos estão entediados, correndo riscos de agravamento das suas doenças emocionais, carentes de movimento e de espaço (os nossos claustrofóbicos apartamentos não foram planejados para a realidade desta imprevisível pandemia). Daí, esta correria insana para os corredores de shoppings centers e similares... Mas, seria assim que se estivéssemos em estado de guerra, com o país sendo bombardeado por um período parecido?????
Então, os mais de 50 mil mortos da Covid19 no Brasil, já representam mais que aqueles de muitas das guerras das últimas décadas, em três meses iniciais de conflito... Por que isso não causa a mesma preocupação? Será por que um conflito bélico causa também muitas perdas materiais? Ou então a percepção dos estragos de bombas e tiros seja mais arrasadora que a do vírus...
Independente disso, é importante lembrar que o perigo maior dos dados que possuímos é que pode haver uma subnotificação gigantesca (muitos estudiosos acreditam que eles sejam de 7 a 10 vezes maiores, no país).
Hoje, vi uma entrevista do dr. Joaquim Grava, médico do S. C. Corinthians Paulista, explicando os resultados obtidos com com exames bem criteriosos, mais completos, com menos chance do "falso positivo", feitos nas últimas semanas em 190 pessoas (jogadores, funcionários e seus respectivos familiares próximos). O total de pessoas que estão contaminadas, que já tiveram o vírus ou que entraram em contato com ele foi 55 (os dados foram retirados da Folha de São Paulo e do site do Esporte Interativo).
Não posso comparar o grupo testado com o universo da nossa população, mas já dá para pensar um pouquinho a respeito. O percentual de indivíduos ligados ao Timão que teve algum contato com o vírus chega a impressionantes 28,94%... Se usarmos perto de metade disso, que daria mais ou menos 15% para usar como comparação com a nossa realidade de contaminação, chegaríamos a números impressionantes. Por exemplo, a região metropolitana de São Paulo tem uma população de cerca de 21,5 milhões de pessoas nos seus 39 municípios (entre eles, Guarulhos) e 15% sugeridos pela metade da testagem corintiana aplicados (de maneria exagerada, óbvio) nela, daria um total de 3.225.000 que tiveram contado com o vírus.
Claro, que não são feitas projeções dessa maneira, usando uma realidade específica bem fora dos padrões ou sem verificar a distribuição das moradias dos envolvidos dentro da área projetada, a distribuição etária e socioeconômica com as faixas similares na Grande São Paulo.
Fiz isso para reforçar que poderiam ser usados dados como estes do Corinthians para um estudo mais aprofundado sobre a possível notificação de contaminação na nossa região metropolitana, por exemplo... A UFJF calcula que temos entre 8 e 10 vezes o número de subnotificações, enquanto a UFPel, calcula em 7 vezes, mas ambas colocam em questão a realidade do país. Acredito que, se levasse em consideração as características de uma área tão urbanizada como uma região metropolitana como a nossa, chegaríamos a um percentual maior de subnotificações que aquela colocada para o Brasil, como um todo.
Carecemos ainda de estudos mais abrangentes e específicos para as diferentes regiões brasileiras e, antes de mais nada, empenho da própria população em frear o crescimento da curva de contaminação, com medidas de isolamento ou distanciamento social, higiene e uso correto de máscaras, por exemplo.

PS.: os casos na Grande São Paulo chegam a 146 mil... No dia 23 de abril (há dois meses) não chegavam a 20 mil...